28 Novembro 2022, Segunda-feira
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Sérgio Gomes acredita no humor como instrumento relativizador

O quotidiano alimenta as cumplicidades avalia este homem do palco que considera a vida como uma carga pesada para todos

 

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O Sérgio Gomes é o que se chama um artista de artes cénicas de muitas cambiantes. Um dia destes, fundeámos numa mesa de um modesto restaurante para trocarmos ideais sobre a sua vida e profissão deste homem dos palcos que actualmente estão no Teatro da Terra, uma companhia que, desde há meses, é residente do Fórum Cultural do Seixal.
“Nestes 28 anos de actor e performer, passei por muitas ‘pandemias’, eu que, antes de mais prezo as relações humanas”, sublinha Sérgio Gomes.

Por outro lado, prossegue, “é no quotidiano que encontro a minha linguagem e sentido de humor, que pode ser um instrumento para relativizar certas situações. É que a vida é uma carga pesada para todos nós”.

Nasceu há pouco mais de 50 anos em Lisboa, mas, passado pouco tempo, a família mudou-se para Paio Pires, na altura um forte centro operário que tocava os corações e as almas dos que o serviam. Sérgio, integrado socialmente desde muito novo, não foi estranho a essa influência, que lhe viria a ser útil para a vida e para o exercício da arte que abraçou. Por isso diz que nunca se esquece de que da “amizade nascem cumplicidades várias, mas é o quotidiano que as alimenta”.

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Frequentou a Escola Secundária José Afonso e foi aí que contactou com a literatura, que lhe “abriu as portas para o mundo” e sente o valor da experiência. Depois, o serviço militar obrigatório: 14 meses em Vendas Novas, cumprindo funções de escriturário.
Na escola tinha jornalismo, “foi o que mais me encantou”, revela. Entretanto, “soube que em Almada havia uma escola que formava actores, o ‘Marionetista’, e durante seis meses contactei com grandes professores como o João Mota”. Entrou, então, para esse mundo da arte que ainda hoje o “deslumbra e apaixona”. Participou no Festival Mariol (Évora) e FM Porto e, nesse entrementes, descobre a Escola de Artes e Ofícios do Espectáculo, onde cursa artes, durante três anos. “Contacto com muita gente ligada ao teatro”, salienta, “vou à L’ École Superieur de l’ Arte de Marionette, em Charleville-Mézières, nas Ardenas, onde estagiei”.

A vida de Sérgio Gomes não pára, neste momento finaliza a Escola de Artes e Ofícios com “Sonho de uma Noite de Verão”, de William Shakespeare, com encenação de João Perry.

Um pouco de história de vida

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Sérgio não é um actor qualquer e a sua experiência é atestada pelas inúmeras representações em que participou com nomes conhecidos do mundo do espectáculo. “Como actor e performer trabalhei com o Colectivo Sopa Produções, participei em espectáculos com encenação de João Perry (Teatro Naciona), Nuno Carinhas (Chapitô), Jorge Silva Melo (Artistas Unidos), António Simão e Joana Barcia (idem), Natália Luiza e Miguel Seabra (Teatro Meredional), Philippe Genty (Expo 98), José Ramalho e Cristina Pereira (Marionetas de Lisboa), João Garcia Miguel (Olho), Gisela Cañamero (Arte Pública), Sandra Faleiro (espect Disney Killer), Miguel Moreira e Francisco Campos (Projecto Ruinas), Claude Krespin (Dir. Art. Cirque du Solei), Marcelli Antunez (La Fura del Baus e Los Rinos), Manuel Guerra (Teatrão), Filipe Duarte (Teatro Villaret) e Maria João Luiz (Teatro da Terra).

No cinema e televisão trabalhou com João Cavate e Francisco Moita Flores, João Botelho, Joaquim Leitão, Raquel Jacinto, Tiago Sousa, Alberto Seixas, Jorge Paixão e Fiodor Lázlo.

O actor confessa que tem muita vontade de voltar ao “universo artístico das marionetas, que oferece viabilidades de representação como nenhuma outra arte”. É que, enquanto actor, “sinto certos limites, enquanto as marionetas oferecem possibilidades de manipulação que permitem criar universos artísticos extremamente interessantes”.

Teatro da Terra: Vários espectáculos em agenda

A classe dos artistas é das que mais sofreu e está a sofrer com a situação pandémica em que o País, e o mundo, está mergulhado. Todavia, Sérgio Gomes está trabalhar numa peça do Teatro da Terra, “Abetarda”, com base num texto de João Monge e encenação de Maria João Luís. Estreou no Avanteatro, da Festa do Avante, e tem vários espectáculos agendados no concelho do Seixal.

Por José Augusto

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