26 Outubro 2021, Terça-feira
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“Se não acreditasse ser possível mudar o Alentejo não me candidatava”

Profundo conhecedor do Alentejo e fortemente ligado aos autarcas, que o têm apoiado unanimemente para a Entidade de Turismo, Ceia da Silva é candidato à liderança da CCDR do Alentejo

 

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António Ceia da Silva anunciou a candidatura à presidência da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA) assumindo o compromisso de trabalhar lado-a-lado com autarcas e populações, de forma apartidária. Em entrevista a O SETUBALENSE, acena com o apoio do Governo e de António Costa e com a abertura da União Europeia para oferecer melhores oportunidades às regiões do interior no pós-pandemia.

Porque decidiu candidatar-se à CDDR?

Entendo que a CCDR não deve ser só um organismo de distribuição de fundos comunitários, deve ser activa e dinâmica. Um grande organismo de coordenação política regional, que assuma a estratégia e definição das grandes linhas de intervenção para o território. Para tal, há um conjunto de projectos fundamentais que têm de ser assumidos pela CCDRA. Projectos que têm de ter uma forte ligação a Bruxelas, independentemente da tutela e das orientações do Governo. Depois, há 35 anos que a minha actividade está ligada a questões de âmbito regional, nomeadamente ao turismo. Conheço o Alentejo e entendi que era altura de retribuir à minha região a experiência adquirida. Não sendo um homem de gabinete, ao longo dos últimos dias, nas rotas que fiz, entristeceu-me ouvir muitos cidadãos perguntarem-me o que é a CCDR. Chego à conclusão de que, se for feito um inquérito, mais de 90% da população não sabe o que são estas comissões.

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Quais as causas deste desconhecimento?

Tem de haver uma intervenção junto da comunidade e os cidadãos devem participar activamente na vida pública. Para isso é preciso encontrar um modelo em que seja possível incluir a participação dos cidadãos na execução das estratégias da CCDRA.

O que levou à ausência de informação e participação?

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Não posso responder pelo passado. Mas, de facto, não houve uma linha nesse sentido. Os cidadãos não sabem, não conhecem o que é a comissão e como podem participar. Agora temos de encontrar modelos de informação e trabalhar com a sociedade civil.

Essa linha de proximidade faz parte sua estratégia para a região?

É uma das razões que me levou a apresentar a candidatura. Assim como o apoio que recebi de muitos autarcas. Não importa se são CDU, PS, CDS. A minha candidatura, tal como as que fiz à Entidade de Turismo do Alentejo e Ribatejo, é apartidária. De união.

No acesso a fundos comunitários e à ligação a Bruxelas, o que considera prioritário para o Alentejo?

No Litoral Alentejano é determinante concretizar, finalmente, a ligação [ferroviária] de Sines à fronteira do Caia e a plataforma logística. Fazer as acessibilidades ao porto de Sines, porque tem tudo para ser um dos grandes portos a nível mundial e para isso necessita de infraestruturas.

Odemira também requer outro tipo de acessos. E é fundamental electrificar a linha férrea até Beja. Assim como fazer a ligação por autoestrada ao aeroporto de Beja. Barrancos e Mértola também precisam de acessos condignos. A norte, a Barragem do Pisão continua a ser fundamental. Um sonho com mais de cinco décadas que queremos concretizar. Estes são os projectos que mais necessitamos para atrair empresas e investimento. Mas haverá outros. No todo, este conjunto permitirá criar empregos e fixar jovens. Essa é uma prioridade, porque o Alentejo precisa de pessoas.

São projectos discutidos continuadamente. O que o leva a crer que agora não ficam no papel?

Se não acreditasse ser possível mudar o Alentejo não me candidatava. Tenho provas dadas pelo que conseguimos concretizar ao longo dos anos, criando um grande destino turístico: o Alentejo.

É o destino que mais cresce em Portugal, mesmo com todas as condicionantes que a pandemia trouxe. E isso é motivo de orgulho. Desde que estou na ERT fiz e concretizei e é aquilo que espero fazer agora.

O que haverá de diferente na CCDRA, para que esse plano se concretize?

A vontade do Governo. Temos um primeiro-ministro muito determinado e que pensa no interior como região a ser valorizada. Não foi por acaso que refez a Estrada Nacional 2. Esse é o primeiro impacto que me leva a dizer: é possível concretizar estes projectos. Em segundo lugar, o facto de, com esta pandemia, a União Europeia ter percebido que, no futuro, regiões como o Alentejo têm de ter outro tipo de oportunidades, em relação às regiões macro. Sendo agora o momento de aposta nestas zonas periféricas do interior. Essa perspectiva da União Europeia no período pós-pandémico pode vir a beneficiar a concretização de muitos destes projectos.

Como é que a execução destes projectos será articulada no Litoral Alentejano, em zonas que estão quase ‘em bruto’?

É por isso mesmo, por estarem nesse estado, que têm potencial para receber uma transformação total e alojar pessoas com qualidade de vida, em comparação com os grandes centros urbanos, sobrelotados. E tudo isso só será possível em articulação com os presidentes de Câmara de Grândola, Alcácer do Sal, Sines, Santiago do Cacém e Odemira, vereadores, membros das assembleias municipais e presidentes das juntas de freguesia. Queremos trabalhar em articulação. Para tal é necessário diálogo e uma grande ligação às autarquias e cidadãos, independentemente de opções partidárias.

No Alto Alentejo, o que pode ser feito para que Gavião, sendo um dos concelhos mais a norte, não fique um ‘passo atrás’ do sul?

Gavião tem tido excelentes autarcas. E nos últimos anos têm surgido muitos projectos para a dinamização daquele território. Está agora a decorrer a construção do melhor glamping do Alentejo [que une o modelo de campismo aos serviços que um hotel de charme pode oferecer].

Uma unidade cinco estrelas, que será um polo aglutinador para fixar nova restauração e até outras unidades hoteleiras.

Será uma ponte entre o norte do Alentejo e o sul do Alentejo?

O slogan de Gavião é “Um Alentejo Diferente”. E nós necessitamos de ter Gavião, Troia, Alcácer do Sal, Santiago do Cacém, Barrancos, Almodôvar. Locais que são destinos com potencial e pelo facto de ficarem em zonas periféricas não deixam de ser Alentejo. Pelo contrário, ganham muito a partir das ligações que têm com outras regiões fronteiriças e por estarem relativamente próximos a grandes centros urbanos.

 

Filho do Alentejo dedicado à região

António Ceia da Silva é natural de Portalegre, cidade onde passou a infância e juventude até prosseguir com a sua formação académica em Coimbra, tendo-se formado em Direito.

No regresso às origens foi professor e, pouco tempo depois, ingressou na Região de Turismo de São Mamede, como técnico de turismo. Mais tarde, exerceu nesta entidade o cargo de presidente.

Foi também deputado do PS, eleito pelo círculo de Portalegre. Uma experiência que, embora não tenha apreciado, admite ter sido bastante enriquecedora.

A sua maior paixão, a par do Alentejo, é o ensino. Dedica-se à região alentejana há mais de 35 anos, o que lhe confere um vasto conhecimento do território, desde o norte ao sul, e inclusive das regiões fronteiriças.

Para além do Alentejo e do ensino, a aprendizagem também é uma constante na sua vida, estando a desenvolver uma tese de doutoramento sobre a influência do selo UNESCO nos destinos turísticos.

 

Cronologia
Meio século dedicado ao desenvolvimento regional

1969
11 de Março

As Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) dão os primeiros passos quando o III Plano de Fomento divide o país em seis regiões: Norte, Centro, Lisboa, Sul, Açores e Madeira.

1979

São criadas as Comissões de Coordenação Regional que dividem o país em cinco regiões: CCR Norte, CCR Centro, CCR Lisboa e Vale do Tejo, CCR Alentejo e CCR Algarve.

1986

As comissões deixam de estar sob a tutela do Ministério da Administração Interna e passam a depender do Ministério do Plano e da Administração do Território.

1986
7 de Junho

A CCR Alentejo é definida como um serviço regional do Ministério do Plano e da Administração do Território, com competências nas áreas do planeamento e desenvolvimento, apoio às autarquias, ordenamento do território, ambiente e recursos naturais.
Nesta época as CCR também passam a administrar fundos comunitários.

2003
23 de Maio

O Decreto Lei nº.104 cria as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, que passam a constituir um instrumento de dinamização, acompanhamento e avaliação do processo de desconcentração da administração central e de descentraliza

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