23 Outubro 2021, Sábado
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Início Dossiê Especial 165 Anos Alfredo da Silva: o homem que revolucionou o Barreiro

Alfredo da Silva: o homem que revolucionou o Barreiro

Criador da CUF foi considerado o “primeiro grande industrial do país e parte do seu legado ainda está à vista de todos. Hoje descansa num majestoso mausoléu situado junto à sua obra

 

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Alfredo da Silva, também apelidado de “capitão da indústria”, foi um dos protagonistas que marcaram a história do país e em particular do concelho do Barreiro, onde milhares de pessoas residentes na região, encontraram na Companhia União Fabril (CUF) os seus postos de trabalho durante as várias décadas que marcaram o século XX. Num desabafo feito durante o período da revolução de Outubro de 1921, o também comerciante e financeiro, afirmou trabalhar “sem descansar”, num território que mais tarde viria a sofrer grandes transformações, tornando-se na Quimiparque e, mais recentemente, no parque empresarial Baía do Tejo.

“Trato da minha vida”, mas também “trato da vida dos outros”, afirmou aquela que é uma das maiores figuras do século passado. “Esforço-me para que não paralisem as fábricas que dirijo”, afirmou um dia, assegurando que aos seus operários nunca “faltou pão e trabalho”. Mais do que uma espécie de milionário, Alfredo da Silva sempre desenvolveu as suas capacidades de chefia, que mais tarde e após a sua morte, motivaram a criação (1965) de uma estátua em sua homenagem no centro da cidade, junto ao Parque Catarina Eufémia. O menino que em 1874 vivia em plena baixa lisboeta, estudou no Liceu Francês, tendo posteriormente ingressado no mundo dos negócios.

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Uma das frases mais célebres do “patrão” da CUF acabaria por demonstrar como seria o percurso da sua vida. “Nasci industrial, sempre quis ser industrial, e hei de ser industrial até morrer”, afirmou com grande convicção. Contudo, como é referido em várias obras sobre a sua vida, “nem tudo foi um mar de rosas” dada a concorrência existente com outras empresas do mesmo ramo.

Barreiro teve das “mais poderosas unidades fabris do país”

Ainda assim, em 1900, a CUF acabaria por receber uma medalha de ouro na Exposição Universal de Paris, tendo, entretanto, sido erguidos diversos pavilhões no Barreiro, constituindo-se como “uma das mais poderosas unidades fabris” a nível nacional. Como demonstra um postal ilustrado da primeira década do século XX, é possível ver “o complexo fabril da CUF já finalizado”, dando uma “inesperada animação” àquela zona do distrito.

Entre o património existente, contavam-se fábricas de ácido sulfúrico, ácido clorídrico e de adubos, para além de armazéns de superfosfatos e de diversas matérias-primas, laboratórios, múltiplos escritórios, um armazém de aparelhos eléctricos e carpintaria, edifícios destinados a acolher estações para os caminhos-de-ferro, que estabeleciam as ligações com o interior e sul do país e até um posto médico, entretanto demolido aquando das transformações ocorridas no processo de desindustrialização do espaço enquanto Quimiparque. Ao longo dos anos com o fim das indústrias, foram também desaparecendo os famosos nevoeiros de poluição existentes aquela área.

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Aquele que foi um “impulsionador” da economia, defendeu que “precisamos exactamente de trabalhar mais, criar, produzir, estimular todas as forças económicas e não cultivar a preguiça”. Em paralelo, naquele concelho, iam sendo criados espaços que também ficaram escritos na história da cidade, como o bairro operário e o refeitório da CUF, que acabaram por modificar aquele território e tornar-se na “menina dos olhos” de Alfredo da Silva, que chegou a pernoitar várias noites no Barreiro, em vez de regressar à sua casa de Sintra, já que era pouco o tempo para respirar “entre visitas às fábricas e deslocações ao estrangeiro”.

Mausoléu “Capitão da indústria repousa na Baía do Tejo

Nascido em 1871, o industrial viria a falecer em 1942, na sequência de deficiência cardíaca, tendo sido homenageado por centenas de trabalhadores durante o seu funeral. Entretanto, os seus restos mortais foram transladados do cemitério do Alto de S. João, em Lisboa, para o Barreiro (em Agosto de 1944), onde descansa até ao presente, no majestoso mausoléu que foi construído junto ao complexo industrial, no Lavradio.

No local, pode ler-se a inscrição: “Alfredo da Silva repousa junto da obra que criou e vela pela sua continuidade”. Como é natural, são vários os espaços que, naquela cidade, perpetuam o seu nome, caso de uma escola secundária, um estádio desportivo e a própria avenida central onde está implantada a sua estátua.

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