12 Junho 2024, Quarta-feira

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Regularização de migrantes na região tem “mais muros do que pontes”

Regularização de migrantes na região tem “mais muros do que pontes”

Regularização de migrantes na região tem “mais muros do que pontes”

Tânia Moreira, responsável pelo secretariado em Setúbal, afirma que a situação está “pior” e que faltam respostas

A dificuldade dos processos de regularização de migrantes alastra-se em todo o País e Setúbal não é excepção. Tânia Moreira, coordenadora do Secretariado da Pastoral das Migrações de Setúbal, garante estar no terreno a acompanhar a situação que considera estar a tornar-se insustentável.

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“O feedback que eu tenho do terreno é que a situação está muito, muito pior. Há relatos de pessoas que estão há meses, há mais de um ano à espera de uma resposta, não conseguem estabelecer contacto com ninguém para esclarecer a situação, e simplesmente ficam penduradas, com as vidas penduradas”, declarou em entrevista conjunta à Ecclesia e à Renascença.

A responsável pela coordenação daquele secretariado considera que só existem três frentes que podem dar resposta a estes acontecimentos: a Igreja, as autarquias e a sociedade em geral, e acrescenta que actualmente “são mais os muros do que propriamente as pontes”.

Confrontada com os crescentes comentários xenófobos e a ideia de que os imigrantes prejudicam o País, Tânia Moreira dá exemplos concretos de como estas visões afectam a vida de quem procura por melhores condições. “As pessoas queixam-se que vêem um anúncio, fazem um telefonema, a pessoa apercebe-se de um sotaque diferente, imediatamente o contacto é interrompido e já não dão essa oportunidade”.

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No seu entender o resultado das eleições para o Parlamento Europeu, que se realizam já no próximo domingo, podem mudar ainda mais a forma como estas pessoas são vistas. Lança, ainda, farpas aos governantes afirmando que é incutida a ideia de que o aumento do número de estrangeiros em Portugal está a par com o aumento da criminalidade.

“É falsa questão e é uma ideia que os políticos lançam, para depois aparecerem como salvadores da pátria”. Tânia Moreira fala na primeira pessoa quando o assunto é a vinda de estrangeiros para o País. “Nasci aqui, cresci aqui, sou filha de pais cabo-verdianos, senti na pele, durante a minha vida, algumas destas questões relativas à imigração”.

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