10 Maio 2024, Sexta-feira

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Projecto-piloto pôs alunos do Seixal a escrever sobre a revolução

Projecto-piloto pôs alunos do Seixal a escrever sobre a revolução

Projecto-piloto pôs alunos do Seixal a escrever sobre a revolução

“Conhecer o Passado para construir o Futuro” dá nome ao projecto educativo da Universidade Sénior do Seixal

 

Um projecto-piloto colocou alunos do ensino básico à Universidade Sénior do concelho do Seixal a escrever o seu próprio livro sobre o 25 de Abril, registando memórias únicas e aprendizagens sobre o Dia da Liberdade.

“Conhecer o Passado para construir o Futuro” é o nome do projecto educativo desenvolvido pela Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril e pelo Plano Nacional de Leitura em torno da obra “Livro Livre” e que decorreu em escolas do concelho do Seixal.

O “Livro Livre” – uma edição LUPA, com textos de Francisco Bairrão Ruivo, design e ilustração de Joana Paz e Danuta Wojciechowska e consultoria de Maria Emília Brederode Santos — toma como referência a Revolução de Abril e apela ao espírito da liberdade, convocando o leitor a participar numa actividade criativa, como co-autor.

Durante quatro meses, a iniciativa, que contou também com o apoio da Câmara Municipal do Seixal, mobilizou quatro turmas de diferentes gerações e professores de várias disciplinas: uma turma do 6.º ano da EB 2,3 Paulo da Gama, uma turma do 9.º ano e uma turma de Educação e Formação de Adultos (EFA) da Escola Secundária de Amora, e uma turma da Universidade Sénior.

No total estiveram envolvidos 70 alunos co-autores e 12 professores que mediaram o projecto com as suas turmas. Os trabalhos serão apresentados na quinta-feira, no auditório dos Serviços Centrais do Município do Seixal.

Gabriel Silva foi um dos alunos envolvidos. Com 11 anos e a frequentar o 6.º C da Paulo da Gama, descreveu, em declarações à agência Lusa, a experiência de descobrir como o país mudou após o 25 de Abril.

“É uma data importante para Portugal, porque senão hoje muitas das meninas da minha turma não estavam na escola e não havia a qualidade de vida que temos agora”, disse.

O aluno, que sonha ser jogador de futebol profissional, descreve numa das páginas do seu “Livro Livre” que o projecto o ajudou a conhecer a História de Portugal, mas também pessoas novas e a suas histórias sobre Abril, entre as quais alguns professores que viveram a Revolução dos Cravos.

Paula Carvalho, professora de Gabriel e coordenadora do projecto na escola Paulo da Gama, destaca o facto de o livro ter permitido trabalhar o assunto em diferentes disciplinas, desde a Matemática à Educação Visual e Tecnológica, passando pela História e pelo Português, disciplina que lecciona.

Neste caminho de reflexão que fizeram através de breves enquadramentos históricos, ilustrações e propostas de actividade diversificadas do livro, explica a professora, os alunos perspectivaram também a escola do futuro e analisaram, a partir do conhecimento histórico da época, os problemas com que a sociedade de hoje ainda se confronta.

A música foi outro dos elementos usados no trabalho com os alunos.

“Fizemos um poema de intervenção e estamos a fazer a música”, explica Gabriel, com um sorriso.

E se Gabriel Silva afirma ter aprendido sobre uma revolução que este ano faz 50 anos, Artur Francisco, aluno da Universidade Sénior, construiu o seu “Livro Livre” a partir de muitas histórias que viveu na primeira pessoa.

“Foi um lembrar de tudo o que se passou. Uma convulsão tão grande na nossa sociedade e que trouxe coisas tão boas. As pessoas não têm a noção do que era antes”, disse, em declarações à agência Lusa, sublinhando que cada livro construído neste projecto tem outro livro dentro com a experiência e o olhar de cada um.

O facto de colocar várias gerações a “reviver ou a aprender” a Revolução de Abril torna o projecto muito importante aos olhos de Artur Francisco, pela mensagem a reter: “Nada está conquistado, nada está garantido.”

Caberá às novas gerações, acrescenta, continuar o trabalho de conquistado em Abril de 1974.

Para a professora Paula Carvalho, a riqueza deste projecto deixa uma vontade de o poder alargar a todas as turmas, “assim houvesse meios para o fazer”.

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