Federação distrital fez “um balanço positivo” dos dois anos de implementação dos comandos sub-regionais, no sábado em Alvalade
A Federação dos Bombeiros do Distrito de Setúbal considerou esta segunda-feira positivo o modelo de comandos sub-regionais naquela zona e defendeu que o Governo deve avaliar a reorganização da protecção civil adequada à “realidade territorial” do País.
“Defendemos que seja criado um modelo que responda à realidade territorial”, afirmou o presidente desta federação de bombeiros, João Ludovico, em declarações à agência Lusa.
No entender do responsável, tem sido implementado um modelo de coordenação dos bombeiros “de forma transversal” ao País, sem que se tenha em conta que “a dinâmica e a realidade territorial [são] diferentes”.
“Se calhar, na Península de Setúbal e no Alentejo Litoral este modelo de sub-região enquadra-se”, enquanto “no Centro ou Norte do País este modelo não se está a enquadrar tão bem com a realidade territorial”, exemplificou.
Num comunicado enviado à Lusa, com as conclusões da assembleia-geral realizada, no sábado, em Alvalade, no concelho de Santiago do Cacém, a federação distrital fez “um balanço positivo” dos dois anos de implementação dos comandos sub-regionais de Emergência e Protecção Civil da Península de Setúbal e do Alentejo Litoral.
Para esta avaliação, pode ler-se no comunicado, contribuíram “a proximidade criada entre estas estruturas e as associações humanitárias e corpos de bombeiros, o reforço da formação ministrada, o apoio administrativo e operacional”.
Outros factores tidos em conta foram “o reforço na operacionalidade, flexibilidade da capacidade de resposta dos corpos de bombeiros às ocorrências e eficiência na coordenação”, acrescentou a estrutura.
Em Janeiro de 2023, os 18 comandos distritais de operações e socorro (CDOS) acabaram e foram substituídos por 24 comandos sub-regionais de emergência e protecção civil, cuja circunscrição territorial corresponde ao território de cada comunidade intermunicipal.
Com esta reorganização, a Península de Setúbal ficou com 16 corpos de bombeiros e, simultaneamente, foi criado o Comando Sub-Regional do Alentejo Litoral, com 10 corpos de bombeiros dos concelhos de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém e Sines, no distrito de Setúbal, e Odemira, no de Beja.
Para João Ludovico, o Governo, em conjunto com a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC) e a Liga dos Bombeiros Portugueses “deveriam fazer uma avaliação do próprio território” para, se possível, “aplicarem uma reestruturação mista”.
Apesar disso, João Ludovico, que é também presidente da Associação dos Bombeiros de Cercal do Alentejo, em Santiago do Cacém, rejeitou críticas ao anterior modelo e fez um balanço positivo da criação das sub-regiões.
“O balanço que fazemos da criação destas sub-regiões é positivo, mas não criticamos o modelo distrital porque, enquanto fomos distrito, as coisas correram bem. A verdade é que há uma maior proximidade e o trabalho tem sido feito de uma forma mais célere com esta questão das sub-regiões”, disse.
O que disse defender é que, antes de se avançar com uma nova reorganização da protecção civil esta questão deveria ser “mais trabalhada”.
O Governo da AD, que se demitiu recentemente, assumiu por diversas vezes a intenção de reverter a divisão territorial do sistema de Protecção Civil, feito pelo Governo PS, por considerar que diminui “a eficácia e a eficiência” como disse o secretário de Estado da Protecção Civil.