29 Novembro 2022, Terça-feira
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Oito pintores e oito pensadores com trabalhos inéditos na exposição “A Arte e o Néctar da Vida”

Acção visa o apoio ao restauro arquitectónico, artístico e iconográfico da Igreja de São Sebastião

 

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Os Amigos da Paróquia de São Sebastião convidaram oito pintores e oito pensadores a expressarem-se, através da pintura e da escrita, sobre a temática “A Arte e o Néctar da Vida”, que dá nome à exposição que a Galeria Municipal do Banco de Portugal acolhe a partir de amanhã.

A iniciativa, que visa igualmente comemorar o 100.º aniversário da Casa Ermelinda de Freitas, entidade parceira, é inaugurada pelas 16 horas e tem como objectivo contribuir, com a receita da venda dos objectos artísticos, para o restauro arquitectónico, artístico e iconográfico da Igreja de São Sebastião.

A O SETUBALENSE, António Melo, um dos Amigos da Paróquia de São Sebastião, conta que foi lançado o desafio a estes 16 artistas “sem que nenhum soubesse o que os outros estavam a fazer”.

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“São trabalhos inéditos e o resultado, cujos originais serão expostos nesta mostra que inaugura no sábado, será também apresentado em 200 “Múltiplos de arte”, caixas com design desenvolvido para o efeito, que conterão, reproduzidos, os trabalhos dos artistas convidados, numerados e assinados pelos pintores e pensadores”.

Com a verba angariada, pretendem “recuperar o corta-vento, uma estrutura policromada com uma série de elementos alusivos ao São Domingos, uma peça extremamente interessante que precisa de restauro”. “Por isso, vamos tentar, através da venda dessas caixas, recuperá-la”.

No domínio da pintura, participam nesta iniciativa Ana Isa Férias, Alberto Pereira, Clemilson Bernardes, Dália Vale Rêgo, Helena Fernandes, Maria José Brito, Pedro Castanheira e Nuno David, enquanto a escrita fica entregue aos pensadores Casimiro Henriques, Francisco Borba, Isabel Melo, João Reis Ribeiro, José Ornelas, Leonor Freitas, Salvador Peres e Viriato Soromenho-Marques.

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Nos seus projectos, os Amigos da Paróquia de São Sebastião fazem por, de acordo com António Melo, “conseguir fundos para a recuperação do património e promover a arte nas suas mais diversas vertentes, procurando levá-la não apenas aos paroquianos, mas a toda a comunidade setubalense”.

“Contando com maior participação possível de pintores, autores e cantores setubalenses, de Setúbal para Setúbal, e de mecenas, na perspectiva de que o património da Igreja é de interesse público e que é pertença de todos”.

A exposição na Galeria Municipal do Banco de Portugal fica patente até 4 de Dezembro, seguindo para a Igreja de São Sebastião no dia 8 de Dezembro, acção que conta com o apoio do Instituto Politécnico de Setúbal, e para o Centro Comercial Alegro Setúbal em Janeiro.

Grupo alia arte e cultura à recuperação do património

Criado em 2018, a partir da necessidade de recuperação do património da Igreja de São Sebastião, e com o objectivo do restauro arquitectónico, artístico e iconográfico da igreja, datada de 1553, o grupo de Amigos da Paróquia de São Sebastião tem, desde então, vindo a desenvolver regularmente um alargado conjunto de eventos de carácter cultural e artístico.

“Quando o padre Casimiro Henriques chegou à Paróquia de São Sebastião, e no primeiro Conselho Pastoral detectou que estávamos a precisar de muito restauro e intervenção na igreja, lançou o repto a fim de saber se alguém gostaria de intervir e ajudar a recuperar o património”, recorda Isabel Melo, igualmente parte integrante do grupo de amigos.

“Um grupo de sete pessoas disse logo que sim. O nosso lema não é só a recuperação do património, mas também levar a arte e a nossa comunidade ao exterior, trazendo também o exterior à nossa igreja”, acrescenta.

Os fundos que vão sendo angariados permitiram avançar já com obras cruciais de estrutura, como a sacristia e a sua azulejaria, a iluminação geral, restauro e conservação iconográfica, destacando-se a intervenção de São Sebastião e o seu novo altar, o altar de Nossa Senhora do Rosário, com a obra do pintor setubalense Francisco Augusto Flamengo e ainda grandes telas de Pedro Alexandrino.

De acordo com o padre Casimiro Henriques, “a igreja tem esta missão de conhecer o seu património, defendê-lo, preservá-lo e dá-lo a conhecer”. “Uma paróquia não vive apenas para si, tem de ir para fora, e tendo esta igreja, classificada como monumento de interesse público, uma riqueza artística imensa onde estão presentes alguns artistas de vulto nacional, é óbvio que pode usar isso, que é património seu, para levar a sua mensagem”.

Nas suas palavras, “é preciso cuidar para continuar a ter”. “Não é só o valor monetário que está em causa, embora também porque são peças que valem muito dinheiro. É também a sua importância artística. Foi um património que herdámos e temos o dever e a responsabilidade de o deixar àqueles que virão”.

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