7 Dezembro 2022, Quarta-feira
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José Ferreira toca piano em gravidade zero para estudar percepção do som

Engenheiro aeroespacial do Barreiro interpreta peça composta pelo Conservatório Regional de Setúbal a mais de dez mil metros de altura

 

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O jovem José Ferreira, antigo professor do Instituto Politécnico de Setúbal, ‘levou’ o Conservatório Regional de Setúbal a um voo em microgravidade para perceber, enquanto tocava piano, de que forma a percepção do som é afectada em gravidade zero.

A mais de dez mil metros de altura, o engenheiro aeroespacial, natural do Barreiro, tentou compreender como é que os astronautas percebem e reagem aos sons ao longo das suas missões enquanto tocou a música “Parabola”, composta propositadamente pelo conservatório, que frequentou entre 2005 e 2013, para a ocasião.

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“A peça é composta por uma mistura de intervalos e ritmos que matematicamente se relacionam com a palavra “Parabola””, explicou José Ferreira, citado em notícia publicada pela University of Southern Califórnia.

Actualmente a fazer o doutoramento na referida universidade, situada em Los Angeles, o engenheiro aeroespacial pôde juntar as suas duas grandes paixões: o Espaço e a música. A oportunidade de realizar o voo surgiu quando José Ferreira assumiu um papel de liderança na ‘Space Generation Advisory Council’, organização que representa estudantes universitários e jovens profissionais interessados pelo Espaço.

Já este ano, o jovem foi seleccionado pelo conselho directivo da rede global a embarcar no voo em microgravidade, organizado em parceria com o ‘Aurelia Institute’, organização não governamental que gere o programa ‘Aurelia Gateway’, no âmbito do qual são realizados voo em gravidade zero para fins de pesquisa.

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O engenheiro aeroespacial serviu- -se da sua formação para ultrapassar os desafios que foi enfrentando antes e durante a experiência, realizada em Maio. Contudo, antes do voo, José Ferreira precisou de entender qual o tamanho adequado do piano que deveria de levar, uma vez que se utilizado um teclado eléctrico de tamanho normal, este teria de ser preso, o que eliminaria o elemento de gravidade zero.

O passo seguinte passou por planear a viagem. Para tal, o jovem de 28 anos voou para Boston, Massachusetts, para iniciar os preparativos. Passados poucos dias, o voo Au Horizon 2022 Zero-G estava pronto para descolar com José Ferreira e mais 24 passageiros.

“A melhor comparação que posso fazer com a sensação é que é como nadar”, descreveu o engenheiro aeroespacial sobre como foi estar em gravidade zero. Foi ainda necessário habituar-se ao ambiente, mas, assim que se acostumou, começou a tocar piano.

“Acho que o maior obstáculo foi que não conseguia pressionar as teclas de forma consistente quando queria, porque na verdade precisava de ter uma mão livre para evitar bater nas outras pessoas ou superfícies”, acrescentou.

Ao mesmo tempo, confessa que teve vários pensamentos durante a experiência, tendo em conta que esteve a ver “pessoas a flutuar de cabeça para baixo” enquanto se tentava “concentrar em tocar as teclas” e se acostumava “ao ambiente de gravidade zero”.

Apesar das diversas distracções, José Ferreira conseguiu os resultados que pretendia. Com o voo, o jovem descobriu que o facto de estar em gravidade zero teve impacto na forma como ouviu e reagiu ao tempo rítmico.

A oportunidade que teve de saltar, voar e tocar piano como se estivesse no Espaço foi, para o engenheiro aeroespacial, uma experiência que não esquecerá. “A minha ideia é utilizar os resultados da experiência para abrir a porta a estudos futuros”, disse, a concluir.

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