5 Dezembro 2022, Segunda-feira
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Mútua dos Pescadores quer fortalecer a organização e reforçar número de cooperadores

Em ano de aniversário, João Delgado, presidente da cooperativa, explica como é que esta organização se diferencia das outras do mesmo género

 

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O ano de 2022 é particularmente especial para a Mútua dos Pescadores, ao celebrar oito décadas de actividade. Fundada em Julho de 1942, por iniciativa do Almirante Henrique Tenreiro, tornou-se a primeira Cooperativa de Seguros de Portugal.

João Delgado, presidente da Mútua dos Pescadores desde Março de 2021, explicou a O SETUBALENSE, como é que esta organização se diferencia das outras do mesmo género, reforçando que pretende que os membros da mesma tenham uma “voz activa”.

“Acreditamos que o futuro da nossa organização está indexado à capacidade de dinamização democrática dentro da nossa estrutura. Quanto mais democrática for, quanto mais participação houver, quanto mais contributos nós recebermos e dermos dentro da organização mais forte ela se torna”, começou por dizer, reforçando a ideia da importância da proximidade entre a administração e os membros da organização.

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“Nos últimos anos temos vindo a melhorar, dentro do possível, a nossa proximidade às comunidades, e reforçar cada vez mais essa proximidade e o nosso papel de intervenção na defesa dessas comunidades e o nosso papel de intervenção ao lado do sector piscatório, visto que 75% da nossa actividade é na pesca. Queremos ajudar a dar visibilidade aos problemas que existem no sector, tomando posições públicas que possam amplificar a voz do mesmo, que necessita de grandes transformações para que se torne cada vez mais estável e com um futuro melhor”.

Durante a pandemia, João Delgado confessa que a organização sentiu dificuldades, principalmente do ponto de vista humanístico, visto que existia uma grande proximidade física entre todos os membros da organização, que com a chegada da pandemia se tornou impossível. “Sentimos grandes adversidades do ponto de vista da proximidade na nossa vida diária na ligação aos nossos membros, porque quem tem esta perspectiva humanizada de intervir como nós temos, quando somos impedidos de o fazer é terrível e essa foi uma grande dificuldade que nós tivemos”.

Do ponto de vista financeiro, a Mútua tomou sempre medidas no âmbito de ajudar os seus membros, analisando sempre o contexto em que as pessoas se encontravam. “Nós tivemos respostas direccionadas, por exemplo, antes do governo nacional em exercício na altura decretar moratórios para quem deixasse de responder aos pagamentos dos prazos estipulados, como nós sabíamos as dificuldades que as organizações estavam a sentir, nós fizemos isso por antecipação”.

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Quando à guerra existente entre Rússia e Ucrânia, a principal dificuldade sentida foi relativamente aos combustíveis. “Sentimos uma dificuldade acrescida, por exemplo, aquilo que nos chega por parte do sector da pesca, são os combustíveis a crescer do ponto de vista de preços, que colocam uma dificuldade tremenda à operação normal da área das embarcações de pesca”.

Olhando para o futuro, João Delgado pretende reforçar ainda mais a ligação com as comunidades, fazendo também crescer o número de membros na organização. “Queremos fortalecer a nossa organização, fortalecendo as comunidades e fortalecendo a nossa organização ao nível da sua democracia interna e do respeito pelos nossos trabalhadores. Pretendemos reforçar naturalmente o número de cooperadores a nível geral, porque com a diminuição do sector da pesca, o número de cooperadores tem vindo de alguma forma também a diminuir, dado também que os nossos membros vão envelhecendo”, concluiu.

Da pequena pesca artesanal a primeira Cooperativa de Seguros

Inicialmente, a Mútua dos Pescadores dedicava-se, sobretudo, à pequena pesca artesanal, funcionando no âmbito da Junta Central das Casas dos Pescadores (JCCP), organismo que enquadrava corporativamente todos os pescadores portugueses, obrigados a inscrever-se nas Casas dos Pescadores dos respectivos portos.

Após o 25 de Abril de 1974, as organizações corporativas foram desmanteladas. Desta forma, a revolução proporcionou à associação as condições necessárias para o seu desenvolvimento e democratização, permitindo que crescesse e consolidasse a sua situação económica, com o aumento das coberturas e regalias. Já em 2004, a empresa adequou os seus estatutos à forma cooperativa e transformou-se na primeira Cooperativa de Seguros de Portugal.

Um dos marcos mais representativos da sua evolução foi a adaptação dos seus estatutos ao código cooperativo, reforçando o carácter mutualista e mantendo os princípios de funcionamento democrático e humanista.

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