4 Dezembro 2022, Domingo
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Falta de alunos “é motivo de preocupação” no pós-pandemia para o Coral Infantil de Setúbal

Instituição conta com vinte crianças, um número bastante distante das quatro dezenas habituais

 

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O Coral Infantil de Setúbal, fundado em 1979, é mais uma das instituições da cidade sadina que foi afectada pela pandemia de covid-19. Com o número regular de alunos a rondar as quatro dezenas, o grupo conta actualmente com metade das crianças, todas do sexo feminino.

Isabel Mendes, presidente da associação, revela que este tem sido um “motivo de preocupação” no pós-pandemia. “Foi um período difícil, o da pandemia. O canto foi considerado uma actividade extremamente perigosa e tivemos de parar completamente. Nessas duas épocas só saíram alunos e não entrou ninguém”, explicou a presidente, que ocupa o cargo há 24 anos.

“Infelizmente, o período em que estivemos parados trouxe inúmeras consequências negativas às crianças, que estão muito fechadas à vida social e a tudo aquilo que acontece fora do ecrã da televisão ou do computador”, continua Isabel Mendes, que acredita que este deve também ser um cuidado dos pais.

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Além disso, o facto de não existirem membros do sexo masculino no coro infantil é outra das preocupações da responsável. “Não há nenhum menino. Isto é uma questão cultural onde regredimos muito. Acredito que os meninos não deixam de gostar de desporto por frequentarem um coral infantil. Na minha perspectiva não há actividades só de meninas nem actividades só de meninos”, esclarece.

Com ensaios todas as semanas, às quartas e sextas-feiras, o Coral Infantil de Setúbal, situado na Rua Álvaro Perdigão, conta actualmente com dois coros, o coro infanto-juvenil, composto por crianças dos 6 aos 14 anos, e o coro feminino, composto apenas por mulheres com idades a partir dos 18 anos.

Criação de grandes amizades ultrapassa “algum preconceito”

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Apesar de ser uma actividade que sofre de “algum preconceito”, onde “o medo de que os pais não os valorizem” sobressai muitas vezes, Isabel Mendes acredita que é na instituição que se formam “grandes amizades”.

“Aqui as crianças aprendem a respeitar-se mutuamente e a respeitar o espaço do outro. Se os pais vissem este lado, se calhar também valorizavam mais esta actividade.” É nos pais que a presidente da instituição deposita a responsabilidade de entenderem a importância das actividades artísticas, mas retira-lhes a culpa quando olha ao contexto social em que muitos estão inseridos.

“Não posso culpar os pais. Apesar de serem eles que têm de entender a importância do contacto social entre as crianças, a verdade é que muitos também têm uma vida difícil. A vida profissional, por vezes, é bastante exigente no que toca a horários, por exemplo. O custo de vida também aumentou bastante e nem todos conseguem pagar os custos de deslocação até aqui”, sublinha.

Para contrariar o afastamento de crianças do coro, a instituição tem feito “um esforço” para divulgar a sua existência. “Há muitas pessoas em Setúbal que ainda não nos conhecem. Estivemos na Feira de Sant’Iago e houve efectivamente muita gente que se mostrou interessada”, confessa.

“Temos também várias iniciativas planeadas e vamos iniciar as aulas de técnica vocal, um enriquecimento muito grande para as crianças”, revela a responsável. No entanto, Isabel Mendes sublinha que, “para pôr em prática projectos maiores”, é necessário ter crianças que os permitam “pensar em coisas maiores”.

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