9 Fevereiro 2023, Quinta-feira
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Maria João Luís traz a Setúbal frango na púcara com temperos à mãe coragem

Actriz fala sobre peça ‘A Última Refeição’ que o Teatro da Terra apresenta dia 27 na Festa do Teatro em Setúbal

 

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Dias antes da entrada em cena no Festival Internacional de Teatro de Setúbal (FITS), a grande actriz Maria João Luís fala-nos sobre a peça que o Teatro da Terra, do Seixal, vem apresentar.

No espectáculo ‘A Última Refeição’, com texto de António Cabrita sobre a vida de Bertolt Brecht e da mulher Helen Weigel, em que esta tenta ressuscitá-lo com um prato de frango na púcara.

Trata-se, segundo a protagonista, de responder à morte com a cozinha e o teatro.

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A não perder, no palco do Fórum Municipal Luisa Todi dia 27 às 22 horas.

 

Como veio parar ao teatro?

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Comecei a trabalhar no teatro por exclusão de partes, não saberia fazer mais nada. Comecei com performances na rua, em 1978, no Chiado, andava a estudar Arquitetura. Depois da António Arroio, fiquei amiga da Céu Guerra e fui trabalhar para a Barraca, Companhia de Teatro, em Santos, Lisboa. A grande atriz Céu Guerra recebeu-me assim, a fazer teatro na Barraca, em 1985. Depois veio a televisão, o cinema e as performances.

Fale-nos sobre o trabalho que vem apresentar a Setúbal, no dia 27.

Neste momento o espectáculo ‘A Última Refeição’, com texto de António Cabrita sobre a vida do Brecht, a vida dele e da mulher Helen Weigel. Aliás, a voz dela é de Maria João Luís. A palavra, a voz da mulher que fala sobre aquele homem, as suas histórias e tudo o que está para lá desses textos. Falar do seu percurso político e da forma como ele reagiu a todas as suas indignações. O que ele sofreu com a vida terrível que teve. António Cabrita fez um texto muito interessante. A minha personagem que, também sou eu, na voz da mulher e de todas as mulheres. Existe aqui uma grande interpretação de uma personagem, uma longa conversa.

O espetáculo situa-se numa cozinha.

Um ajuste de contas entre Brecht e Weigel, a mulher. A última refeição, porque ele, está morto. A Helen escrevia muitas receitas que estão nos programas, no teatro que dirigiram em Berlim – o Berliner Ensemble – e muitos pratos como o “Frango na Púcara” de que falamos nesta última jantarada. Ela prepara a refeição na expectativa que ele ressuscite. Ela sabe que ele gosta muito deste frango.

Como é o final? Ele morre e ressuscita?

Ficamos sem perceber se ele morre ou ressuscita. Apesar de ela lhe ordenar que ele ressuscite.

Além da Helen Weigel em cena permanentemente existe a Maria João, no final com a sua opinião.

Há um corte com imensas regras teatrais, criei formas de ruptura, de rompimento com a técnica teatral, com os canones. Por exemplo, O efeito de distanciação ou efeito V, que distancia a mulher de Brecht da Maria João

Helene Weigel entrou em todas as peças de Brecht?

Era a sua atriz.

Quando estrearam e qual a carreira da peça?

Estreou no Fórum Municipal, no Seixal, no Teatro Circo, em Braga, também em Famalicão e em Bragança, no Teatro do Bairro, em Lisboa, e no nosso Fórum (equivalente ao Teatro Municipal no Seixal).

Qual a vossa sede e relação com a autarquia? Uma autarquia muito artística e cultural

Fizemos um protocolo e projeto com a Câmara Municipal do Seixal, passámos a trabalhar em parceria, já há dois anos.

Boas incitações?

Boas. Armazém e Oficina em construção em Setembro, com escritório, e o fórum para fazer as representações.

Quanto ao vosso reportório nos últimos anos?

Em 2020, ‘Sonho de uma noite de Verão’, a ‘A Ida ao Teatro’ e outros textos de Karl Valentim, “A Abetarda’, espetáculo texto do João Monge, ‘A pulga atrás da orelha’, de Jorge Feideau, ‘A grande revolução dos Insetos’, texto infantojuvenil de Ana Lázaro, ‘O Lugre’, de Bernardo Santareno, depois, ‘A última Refeição’, Festival de Teatro do Seixal, em Novembro de 2021, ‘Balada para Sophie’, de Filipe Melo com adaptação de Ana Lázaro, ‘O Saque’, de Joe Orton. Encenações sempre de Maria João Luís, excepto este último, ‘O Saque’, com encenação de António Pires e Miguel Sopas.

E novas peças?

Vai arrancar em Setembro ‘A Maluquinha de Arroios’, comedia de Portas de André Brun. Estreias em Novembro, na Covilhã dia 5 e no Seixal dia 11, no Festival de Teatro. Faz carreira em Janeiro, de 19 a 28, no Fórum do Seixal 2023.

 

Fotografia Estelle Valente

 

Ficha técnica e artística

Texto: António Cabrita, Encenação: António Pires, Com: Maria João Luís, Cenografia: José Manuel Castanheira, Composição e Direcção Musical: João Lucas, Desenho de Luz: Pedro Domingos, Produção executiva: Diana Especial, Assistência de produção: Filipe Gomes, Direcção de Produção: Pedro Domingos, Coprodução: Teatro da Terra, Casa das Artes de V. N. de Famalicão, Teatro Municipal de Bragança, São Luiz Teatro Municipal, Parceria: Câmara Municipal do Seixal

 

Jose Gil – Professor Adjunto de Teatro da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal

Maria Simas – Actriz do Teatro do Politécnico de Setúbal, Mestranda.

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