21 Maio 2022, Sábado
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Novo livro sobre Castro Chibanes reforça conhecimento da conquista romana da região

Últimas duas décadas de escavações na Serra do Louro esclarecem dúvidas sobre natureza da ocupação romana

 

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A conquista romana da região do Vale do Sado foi violenta e a posterior ocupação, durante a República Romana (séculos II e I a.C.) também não foi pacífica, sendo equiparável a um colonialismo pouco tolerado pelas populações das áreas que hoje são Setúbal e Palmela.

Esta é uma das conclusões a que chegaram os autores do mais recente livro sobre as escavações no Castro de Chibanes, importante sítio arqueológico no topo da Serra do Louro, já no concelho de Palmela, que foi uma fortificação e aquartelamento militar em vários períodos, da Idade do Ferro às invasões romanas.

“O Castro de Chibanes na conquista romana – Intervenções arqueológicas de 1996 a 2017”, uma obra coordenada por Carlos Tavares da Silva e Joaquina Soares, com participação de duas dezenas de autores, foi apresentada este sábado, numa cerimónia pública na Casa da Baia, em Setúbal”.

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“Trata-se do volume 20 da revista ‘Setúbal Arqueológica’, editada pelo Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS) e pela Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), proprietária do museu, desde 1975. “Não existem indicadores de uma ocupação romana pacífica”, lê-se na página 18.

Uma afirmação que os autores sustentam, entre outras evidências, no facto de a muralha nativa, da fortificação da Idade do Ferro, ter sido arrasada pelos romanos que usaram as pedras para construir o novo forte romano.

Os tipos e respectivas origens da porcelana existente em Castro Chibanes, o significado dos enterramentos de crianças recém-nascidas ou de muito tenra idade, assim como as especificidades das ânforas produzidas no Vale do Sado são alguns dos aspectos que ficam mais claros após as escavações, de quase duas décadas, que o novo livro agora enquadra e explica.

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A apresentação da obra, perante uma sala cheia, esteve a cargo de Ana Margarida Arruda, historiadora e arqueóloga da Universidade de Lisboa, que a classificou como uma “publicação de elevada qualidade científica”, que ficará como uma “referência” e um “verdadeiro trabalho de equipa”.

A académica enalteceu o trabalho de carreira dos coordenadores. “A Joaquina e o Carlos já nos habituaram a tomar conta dos dinheiros públicos que são investidos na arqueologia”, disse.

Trabalho reconhecido pela autarquia

O vereador Carlos Rabaçal, da Câmara de Setúbal, reconheceu o “consistente e criterioso trabalho científico” de Joaquina Soares e Carlos Tavares da Silva, que presentou como “incansáveis investigadores e dinamizadores do conhecimento da mais remota história do território e da vida das mais antigas populações da nossa região”.

O autarca destacou a importância da revista “Setúbal Arqueológica” e lembrou algumas edições da publicação que vai a caminho dos 50 anos de vida.

“O volume inaugural da ainda hoje notável publicação editou as actas do primeiro Colóquio Arqueológico de Setúbal, realizada em 1973, em memória do militar, autarca e abnegado arqueólogo, António Inácio Marques da Costa (1857-1933) a quem devemos a escavação, revelação e interpretações iniciais, de importantes sítios arqueológicos da região de Setúbal.”, recordou Carlos Rabaçal.

Dirigindo-se à directora do MAEDS, Joaquina Soares, o vereador comunista expressou o “reconhecimento público” pelo “valiosíssimo” trabalho desenvolvido pelo museu, que é propriedade da AMRS, e deixou a garantia de que o Município de Setúbal nunca deixará cair o museu que se situa na cidade.

Castro Chibanes é um sítio arqueológico classificado como de interesse publico, que se encontra aberto a visitas, tanto livres – espaço não está vedado – como guiadas, se forem articuladas com o MAEDS.

Nacionais e estrangeiros Obra junta duas dezenas de autores

As quase 400 páginas da obra coordenada por Carlos Tavares da Silva e Joaquina Soares contam com o trabalho de mais 18 investigadores, tanto nacionais como estrangeiros.

São eles Adriana Leite, Ana Elisabete Pires, Anders Gotherstrom, Antónia CoelhoSoares, Catarina Ginja, Cleia Detry, Elisa de Sousa, João Pimenta, José António Correa Rodriguez, Maria Leonor Ferreira, Noé Conejo, Ricardo Miguel Godinho, Silvia de Lima Guimarães Chiarelli, Silvia Valenzuela-Lamas, Susana Duarte, Susana Estrela, Teresa Rita Pereira e Vicenzo Soria.

Muitos destes autores são jovens, o que deixou a historiadora e arqueóloga Ana Margarida Arruda descansada quanto ao futuro da actividade. “A investigação em arqueologia em Portugal está completamente garantida e de boa saúde”, afirmou a académica.

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