27 Maio 2022, Sexta-feira
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Café Memória combate isolamento de pessoas com demência e dos seus cuidadores

Sessões acontecem em Almada, Barreiro e Sesimbra e servem para partilhar experiências, combater isolamento e reduzir estigma associado à doença

 

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O conceito não é português. Desenvolve-se nos Estados Unidos da América e em países da Europa, como Holanda, Luxemburgo e Inglaterra, de onde veio a inspiração.

Foi no conceito inglês que se basearam para criar o Café Memória, ponto de encontro para pessoas com problemas de memória, já com diagnóstico da demência, numa fase inicial ou até moderada, e aos seus familiares, amigos e cuidadores.

“Arrancou como projecto piloto em Abril de 2013, com a abertura dos dois primeiros espaços, no Centro Comercial Colombo, em Lisboa, e no Cascais Shopping”, começa por contar Catarina Alvarez, da Alzheimer Portugal, uma das entidades promotoras da iniciativa Café Memória, a par da empresa Sonae Sierra, “que ajudou a desenvolver este projecto no âmbito da sua política de responsabilidade social”.

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Ainda no mesmo ano, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa interessou-se pelo projecto e quis abrir uma outra unidade na cidade. No presente, existem 27 Café Memória em funcionamento em vários pontos do país, e entre Abril de 2013 e Março de 2020 foram realizadas mais de 900 sessões, abrangendo também mais de quatro mil participantes e perto de 17 mil participações, 27 mil horas de voluntariado e 1400 convidados.

Projecto abraça vários formatos: presencial, itinerante e on-line

A acção do Café Memória divide-se em três formatos. Antes da pandemia, o formato tradicional, com sessões presenciais, acontecia mensalmente. “Nessas sessões, convidamos pessoas com problemas de demência e as famílias a virem ao nosso encontro, num local conhecido da comunidade onde estamos longe dos hospitais e dos equipamentos sociais, numa manhã de sábado, num registo muito informal”, conta.

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“Num primeiro momento, acolhemos os participantes, trabalhamos com dois técnicos com formação na área das demências e com um grupo de voluntários”, continua. Segue-se a participação de um orador convidado para falar sobre temas que podem ir “desde o diagnóstico à intervenção farmacológica, ou não farmacológica, ao bem-estar do cuidador, e depois terminamos com uma pausa para café”.

É, de acordo com a experiência de Catarina, “nesta pausa que as pessoas conversam, partilham experiências, desafios, dificuldades”. Apesar do desenvolvimento da rede, a organização percebeu que “Portugal é muito assimétrico em termos de acesso a este tipo de respostas mais específicas” e que seria “muito difícil implementar o formato tradicional em zonas como o Alentejo e o Norte Transmontano”.

Então, em 2018 e 2019, inspirado no conceito de itinerância das bibliotecas da Fundação Calouste Gulbenkian, entidade parceira, o Café Memória fez-se à estrada e realizou cerca de 60 sessões em 18 distritos, em pontos longe dos centros urbanos.

Enquanto parceiros institucionais, conta ainda com a Fundação Montepio, o Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa e outros a nível local, no total de aproximadamente 70.

Em Abril de 2020, fruto da pandemia, nascia o formato online “Café Memória fica em casa”, onde através da plataforma Zoom os participantes de vários pontos do país se reuniam todos os sábados entre as 10h30 e as 12h00.

“Neste modelo, encontrámos forma de não perder as pessoas de vista e também de convidar novas pessoas que não se podem deslocar a um dos espaços físicos, mas podem ligar-se a nós online”, explica.

“Temos vindo a realizar sessões num ritmo semanal desde essa altura, com cerca de 60 participantes por sessão, e em contraciclo abrimos um Café Memória em Pombal, outro em Loures e estamos em conversações com o município de Portimão”, adianta7

Partilha ainda que têm vindo a ponderar a retoma das sessões presenciais, “mas quando tal acontecer manterão o formato on-line porque algumas pessoas não têm condições de participar no formato tradicional”.

Almada, Barreiro e Sesimbra colocam distrito no mapa da memória

“Para expandirmos esta resposta pelo país precisamos sempre do apoio de parceiros locais, formamos e acompanhamos as equipas locais e tivemos a sorte de a Santa Casa da Misericórdia de Almada estar interessada em desenvolver este projecto e já estamos há uns anos a funcionar no Museu da Cidade”, refere, adiantando que marcam igualmente presença no Barreiro desde Setembro de 2019.

“Os sítios escolhidos são sempre conhecidos da comunidade e no fundo também nos ajudam a normalizar comportamentos. Reunimo-nos ao sábado de manhã para tomar um café em conjunto”, acrescenta.

Em Sesimbra, por sua vez, o apoio e a dinamização da iniciativa é da responsabilidade da autarquia e da Santa Casa da Misericórdia e acontece no Espaço Memória, recentemente recuperado pelo município, no centro da vila.

“O objectivo desta resposta, comunitária e complementar à resposta técnica, num primeiro momento é tirar as pessoas do isolamento em que se encontram, tanto as com demência como os cuidadores, chamar as pessoas, pô-las a conviver entre si com a nossa ajuda e desse modo também reduzir o estigma associado às demências”, informa.

Depois acrescenta: “Por outro lado, queremos trabalhar junto da comunidade”. “Temos um grupo muito alargado de voluntários que fomos formando ao longo dos anos, são perto de 700 agora e no fundo são verdadeiros agentes de mudança, formados previamente para poder acompanhar o projecto e as pessoas que nos visitam e no fundo também através deles vamos desmistificando o tema das demências e reduzindo o estigma por um lado e aumentando a informação por outro”.

A componente de voluntariado neste projecto é, no seu entender, “absolutamente fundamental”. “Teria sido impossível criar esta rede e expandirmo-nos a este ponto sem a ajuda da comunidade e destas pessoas que de forma muito solidária se juntam a nós”.

No futuro, “pretendemos continuar com esta expansão, com a avaliação do ponto de vista técnico-científico dos resultados desta resposta”.

“Já fizemos alguns estudos relacionados com o impacto que esta resposta tem junto dos cuidadores e dos voluntários, mas ainda não o fizemos com as pessoas com demência e queremos também desenvolver este conhecimento sobre os resultados que esta resposta tem junto das pessoas e eventualmente pensar noutros modelos”.

Em quase dez anos de vida, o projecto já abraçou algumas derivações que fizeram, de acordo com Catarina Alvarez, “bastante sucesso. Temos muito que fazer. É um projecto muito maduro, mas ainda com muita capacidade para crescer”.

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