17 Maio 2022, Terça-feira
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“Babel – Alcochete é a porta do Éden”, um livro de Luís Pereira que mergulha na história e levanta questões

São cerca de 250 páginas que desafiam a repensar a história desta localidade à beira Tejo. É levado a debate dia 23 na Universidade Católica

 

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“Babel – Alcochete é a porta do Éden”, um livro de Luís Pereira, que vai ser apresentado a 23 de Fevereiro na Universidade Católica de Lisboa e foca uma investigação do autor sobre as origens de Alcochete e territórios como o Samouco. São cerca de 250 páginas que, de alguma forma, desafiam a repensar a história e raízes desta localidade à beira Tejo.

Publicado em Julho de 2021, a difusão da obra foi feita pelo próprio Luís Pereira, natural de Alcochete. “Distribuí perto de dois mil exemplares junto da população de Alcochete e também entre os amigos”, conta. E “gratuitamente, durante mais de um mês, nas freguesias [do concelho]”, acrescenta.

Licenciado pelo Instituto Superior Técnico, em 1979, e gestor de diversos projectos no sector da energia, o autor diz dedicar este livro à memória do seu parente Luís Cebola, médico, poeta e historiador. Agora, escolheu a Universidade Católica para a apresentação pública de “Babel – Alcochete é a porta do Éden” para dar “mais visibilidade” e motivar o “debate alargado” sobre o estudo e matérias que descobriu entre várias leituras e pesquisas.

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Logo na introdução, a obra lança um desafio: “O mistério desta localidade [Alcochete] residia em ter sido desconhecida mesmo nos primórdios da nacionalidade”. E aponta que a localidade “não teria origens árabes ou mouras como se pretende fazer acreditar”, este era o objectivo do livro, “tal como foi pensado no início”, escreve.

Este é apenas um começo porque a obra entrou pelo caminho de explorar, interrogar, apresentar propostas e quase conclusões sobre a origem do nome das localidades do concelho, e de outras, e mesmo da sua história.

“Sobre as origens de Alcochete; é um termo sempre ambíguo, pois há quem use o nome começos, porque com a maior probabilidade ela pode ser antediluviana. Tudo isto contrasta com o conhecimento que temos ainda hoje da pré-história ou do início da história conjugado com o aparecimento da escrita”, diz.

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A isto junta a tradição oral em que “Alcochete já era Alcachete. Por coincidência ‘Ka’ em sumério significa o canal (Kaveira) ou a Porta ou Caminho”. Ao mesmo tempo, transporta para os dias de hoje aquilo que seu avô lhe dizia: “Alcochete significava o Achado da Ovelha. De ‘chet’, letra hebraica”, e esta estava ligado a ‘echad’, o Uno ou Um, representado pelo jugo que une as pernas da ovelha. Por outro lado, era a Porta da Vida”.

Conta Luís Pereira que contactou o professor catedrático Moisés Espírito Santo, conhecido sociólogo e investigador etnolinguística que vive em Setúbal, “para receber a informação do seu Dicionário de Fenício que contém quatro dicionários de línguas orientais antigas, à qual adicionei a língua Suméria de um dicionário da Universidade de Michigan”.

Disse-lhe Moisés Espírito Santo: “Luís, não escreva um romance. E assim o livro teve como projecto inicial ser um ensaio histórico”. Mas o professor impôs-lhe como condição de “só tomar em consideração o que existe no local”, e nesta parte o autor admite que se “excedeu” ao se interrogar: “Como poderei encontrar vestígios físicos passados 5 mil ou 6 mil anos após o sucedido. Aquiles, o guerreiro grego, disse na Ilíada que destruíra doze cidades em redor de Tróia”.

É por isso que admite que entre as páginas existem alguns “pormenores de ficção”, mas assevera que “faz a descodificação dos topónimos baseada na tradução, através dos dicionários”.

Revela que “a primeira grande vitória foi a tradução da palavra ‘chininá’”, sendo este “o nome que as crianças em Alcochete chamavam ao sábado de Páscoa e atribuíam ao homem que tocava uma gaita de foles. E ‘chininá’ ‘si-nin-a(n)’ queria dizer “A Gaita da Rainha do Céu”, em sumério, e a silaba ‘si’ era pronunciada à maneira do Norte como ‘chi’. A Rainha do Céu era a deusa Inanna suméria que representava a Vida”.

“Babel – Alcochete é a porta do Éden” é, de facto, uma viagem pela descoberta e conhecimento, que se lança numa empreitada por entre nomes e localidades e decomposição de palavras: entra pela história de povos antigos e escritas, mergulha na Bíblia e em diversos textos e fontes.

E deixa muito espaço ao pensamento, como se pode entender na última frase que escreve na introdução: “O Éden situa-se na Terra de Cuche, [sílabas do meio da palavra Alcochete] segundo a Bíblia. O Anjo do Samouco faz a guarda da Porta do Éden, que é Alcochete, ainda hoje, para impedir o caminho até à Árvore da Vida”.

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