16 Maio 2022, Segunda-feira
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Comissão organizadora defende regresso de Bocage aos programas de ensino

Comunidade educativa envolvida e elementos organizadores fazem balanço do projecto até ao momento

 

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Janeiro traz a continuidade da programação cultural “Bocage, o poeta da liberdade – a construção da memória nos 150 anos do monumento a Bocage”, que pretende honrar o poeta e manter viva a sua memória.

Neste arranque de ano, duas professoras partilham o seu testemunho sobre a participação da comunidade educativa nesta iniciativa e a comissão organizadora faz um balanço deste ciclo, cujo término será em Fevereiro, projectando o que ainda está por acontecer.

“A minha participação neste projecto surge de um desafio do professor António Chitas. Sou coordenadora do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da escola onde lecciono e devo dizer que tenho a sorte de ter colegas de departamento extraordinários que aderem muito bem a desafios”, começa por contar Maria José Alves, professora de História e Português na Escola Básica Barbosa du Bocage, que realizou parte do trabalho patente na mostra “Bocage visto pela comunidade educativa de Setúbal”, que marcou o arranque do projecto.

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“Sendo também professores de Português, achámos por bem trabalhar alguma poesia bocagiana, adequada à idade dos alunos, que foram ainda convidados a produzir um trabalho sobre a era em que o poeta viveu”, continua partilhando que “alguns alunos sugeriram ainda desenhar retratos de Bocage, também estes apresentados na exposição”.

No seu entender, “Bocage é uma figura de relevo, infelizmente arredada dos programas escolares. Independentemente de ser um poeta de Setúbal e fazer parte da comunidade onde nos integramos, também a nível nacional merecia ser trabalhado, lido e conhecido. Bocage é um homem que pode através da sua obra despertar consciências”.

Por seu turno, Luzia Chitas, professora de Inglês e Oferta Complementar na Escola Básica Luísa Todi, explica que no âmbito da disciplina de Oferta Complementar, cujo tema aglutinador é ‘Cruzar olhares sobre Setúbal’, trabalhou em articulação com Sílvia Macedo, colega de Português, o poeta Bocage: “Foi lido e analisado o poema ‘Auto-retrato’ e os alunos, de duas turmas de 5.º ano, pintaram uma imagem icónica deste autor, que integrou a primeira exposição patente ao público, no âmbito deste projecto”.

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Nas suas palavras, os alunos revelaram “interesse pela actividade, na qual tiveram a liberdade de pôr à prova a sua criatividade na expressão do poeta. Foi um trabalho que, embora simples, se revelou gratificante por despertar o gosto nos alunos pelo estudo de uma das figuras cimeiras da nossa literatura, muito falada, mas infelizmente pouco conhecida”.

“Estamos a incutir nas gerações mais novas os valores da liberdade e da democracia”

Para António Chitas, professor e membro da comissão organizadora do programa cultural, “até ao momento o balanço da iniciativa é positivo, sobretudo porque estamos a chegar às escolas, à comunidade. As escolas, enquanto espaço educativo, têm um papel muito importante e os professores estão sensibilizados para esta mensagem que pretendemos transmitir através de Bocage. Todos os valores veiculados na sua obra, como liberdade, igualdade, tolerância e livre pensamento, são essenciais e extremamente actuais”.

António Chitas lembra ainda que este ano assinalam-se “48 anos de democracia em contraposição a 48 anos de ditadura. Tal leva-nos a reflectir e a contribuir para que esta sociedade nova, resultante de Abril, se mantenha, afirme e aprofunde nos seus ideais e propósitos reformistas” e é neste sentido que “Bocage é importante e a sua mensagem actual”.

“Estamos a incutir nas gerações mais novas os valores da liberdade e da democracia e sobretudo a vontade de os conservar”. Na sua opinião, para além das exposições e exibições de cinema, o ciclo de conferências foi “notável”.

“Cada uma delas foi um contributo muito importante e esclarecedor sobre aspectos da vida e obra de Bocage, justamente no sentido de difundir estes ideais que nortearam a sua vida”.

Para a comissão organizadora, “é um imperativo de cidadania utilizar a figura de Bocage para continuar a lutar pela conservação da democracia, pela sua dignificação e sobretudo para a proteger de alguns ataques que vão surgindo”.

No entender de José Madureira Lopes, igualmente membro da comissão organizadora e um dos responsáveis pela exposição documental “Bocage, o poeta da liberdade – a construção da memória nos 150 anos do monumento a Bocage”, a inaugurar em breve, tudo tem acontecido “de acordo com o que estava perspectivado”.

“As pessoas têm aderido às actividades e até para os vindouros será uma mais valia. Este programa e o trabalho nele realizado ficará para quem queira estudar ou aprofundar o tema. Há muito por onde continuar”.

“Temos de insistir junto do ministério da Educação para que Bocage esteja nos programas escolares”

A luta para que Bocage volte a constar nos programas de ensino deve, de acordo com Joaquina Soares, directora do MAEDS e membro da comissão organizadora do projecto “Bocage, o poeta da liberdade”, continua.

“Não podemos deixar Bocage perdido no século XVIII, temos de o trazer para a vida actual e retirar desse património imaterial extraordinário que Setúbal tem todas as possibilidades que oferece à melhoria da nossa forma de vida e de estar”, refere, para depois acrescentar: “temos de insistir junto do ministério da Educação para que Bocage esteja nos programas escolares, a bem da sua obra, da ideologia bocagiana e da língua portuguesa, que é a nossa pátria”.

“Incluir Bocage, um génio da língua portuguesa, nos programas escolares é um acto muito importante e positivo. Os seus sonetos são realmente do melhor que temos na poesia, e não só na portuguesa. Não se compreende que não faça parte dos programas escolares”.

Programações culturais como esta, a decorrer ao longo de vários meses, têm a vantagem “de permitir que se vá aprofundando e mostrando as diversas facetas do poeta, homem, lutador e ideólogo que foi Bocage. É isso que temos vindo a fazer nesse amor pela liberdade que no fundo a todos nos move”, assegura, não esquecendo que “só tem sido possível por termos o apoio do poder autárquico, nomeadamente da Junta de Freguesia de São Sebastião, da União das Freguesias de Setúbal e da Câmara Municipal de Setúbal”.

No MAEDS, para além das exposições patentes, encontra-se a decorrer, até 12 de Fevereiro, o atelier “É possível desenhar a liberdade?”, dinamizado por Ana Isa Férias do serviço educativo do museu.

A exposição de artes visuais “Bocage e eu – a procura da liberdade” serve de ponto de partida para explorar o conceito de liberdade, numa actividade adaptável às diversas faixas etárias.

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