13 Agosto 2022, Sábado
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À conversa com Lena D’Água, com histórias e a história de uma carreira renovada

No palco do Teatro Municipal vai ouvir-se amanhã, sexta-feira, o mais recente álbum da icónica cantora, entre outros temas que marcaram o panorama musical 

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Lena D’Água vai estar amanhã, sexta-feira, ao vivo no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, num concerto em que “Desalmadamente” – o seu mais recente e muito aplaudido álbum – será a base, além de interpretar outros temas da sua longa carreira.

“Desalmadamente”, álbum de 2019, devolveu à ribalta uma cantora madura, segura das suas opções, rodeada de grandes talentos das novas gerações de músicos e letristas portugueses.

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De imediato, as críticas, os prémios e as nomeações confirmaram de forma inequívoca que o regresso de Lena D’Água era efectivamente um dos acontecimentos de relevo na música portuguesa em 2019.

Falar com Lena D’Água é sempre um prazer, pela alegria e frontalidade contagiantes, e pelas conversas que se desenrolam com fluidez. Sempre assim foi, sempre assim pensei desde o nosso primeiro encontro há uma décadas, ao longo das várias entrevistas, encontros, concertos que tive o privilégio de fazer e assistir. Desta feita, com a originalidade de a conversa ser várias vezes interrompidas por 4 cães e 6 gatos…, seus animais de companhia.

Um dos nomes maiores da música portuguesa das últimas décadas, Lena D’Água surgiu em força no universo pop/rock, com o álbum “Sem Açúcar”. Foi em 1980, é um disco excelente, que infelizmente não mereceu ainda reedição.

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“Sem Açúcar” é um álbum que adoro. Posso dizer que foi o princípio de tudo. A ligação ao Luís Pedro Fonseca, ao Zé da Ponte”, diz Lena, que, no entanto, já tinha gravado anteriormente um disco para crianças. O sucesso explodiria no ano seguinte, com o single “Robot”, ainda hoje um tema incontornável, quando se fala de Lena D’Água.

Ainda em 1981 cria a Banda Atlântida, com a qual grava o álbum “Perto de Ti”, um trabalho muito importante na sua carreira.

Carreira em nome próprio

A partir de 1984 assume a carreira em nome próprio, e ao longo da década de 80 grava os álbuns “Lusitânia” (1984), “Terra prometida” (1986), “Aguaceiro” (1987) e “Tu aqui” (1989), este último com a inclusão de cinco canções inéditas de António Variações, com algumas mudanças de editora pelo meio

Os anos 90 foram quase todos “ocupados” com o projeto “As Canções do Século”, do Maestro Pedro Osório, que juntou Lena D’Água, Helena Vieira e Rita Guerra, em concertos por todo o País, com enorme sucesso.

Os anos 2000 levam-na ao Hot Clube de Portugal e ao universo do Jazz, onde grava o álbum “Sempre – Ao vivo Hot Clube”

Em 2014 grava os seus maiores êxitos com roupagem mais rock & roll, no álbum “Carrocel”, com a banda Rock’n’roll Station”.

Mas o grande marco começava-se a desenhar em 2017, com o regresso ao Festival da Canção com o tema “Nunca me fui embora”, de Pedro da Silva Martins, no ano em que os moldes do Festival RTP mudaram e que levaria Salvador Sobral à vitória na Eurovisão.

Chegamos a 2019, a “Desalmadamente”, com Pedro da Silva Martins a escrever para Lena D’Água, de forma marcante. “Nós sabíamos o que tínhamos feito em termos musicais. Era um grande disco, pelo que as nossas expectativas eram grandes. O disco saiu em Junho e logo com grande aceitação”, conta a cantora.

“Puxei a toalha e parti a loiça”

Quanto a concertos, diz Lena D’Água: “não foram marcados ao ritmo que esperava, houve alguma apatia da agência”. E como não é mulher de ficar parada: “Em Janeiro de 2020 decidi mudar de agência. Falei com a editora, que me deu apoio total e fui à procura de novo agenciamento. Não gostava do que estava a acontecer, puxei a toalha e parti a loiça”, (risos). “Em 2 ou 3 dias, com alguns telefonemas, ficou tudo resolvido”.

Mudança, novas expectativas e eis que, um mês depois, cai a pandemia. E se de concertos ao vivo estava traçado o destino para os tempos mais próximos, no entanto outros acontecimentos foram marcando o caminho deste regresso.

“Em Maio ganho os Prémios Play da Música Portuguesa de Melhor Artista Feminina e Prémio da Critica e gravámos ainda o ‘Eléctrico’ no Capitólio, para a RTP”.

Em matéria de concertos ao vivo, 2020 não deixou grande margem: “Fizemos a Festa do Avante e talvez um ou dois concertos por mês”, diz Lena D’Água.

2021, apesar das intermitências pandémicas, continuou a consolidar a importância do álbum “Desalmadamente”: “Ganhei o Prémio José Afonso e fui nomeada para os Globos de Ouro, como melhor interprete. Imaginas eu nos Globos de Ouro?”, (risos).

Quanto a concertos: “temos feito uma média de três concertos por mês. Vamos estar na sexta-feira em Almada, e espero – se não houver cancelamentos – estar no fim do ano na Ilha do Faial”, nos Açores.

Quanto a 2022, Lena D’Água aponta para novo trabalho em disco: “Será mais para o final do ano. O Pedro [Silva Martins] está a escrever material, mas é cedo para coisas concretas. Em Fevereiro voltamos a Lisboa, ao Tivoli, no Dia dos Namorados”.

Perante a evidente paixão (justificadíssima, em minha opinião) pelo álbum “Desalmadamente”, não resisto à pergunta: quais os três álbuns mais marcantes e de que mais gosta Lena D’Água? A resposta surge sem qualquer hesitação: “Desalmadamente”, claro. O “Perto de Ti” em 1982 com a Banda Atlântida e “Aguaceiro” em 1987, quando me senti mais livre”.

Para já, Almada é o próximo ponto de passagem de uma carreira brilhante de um nome incontornável da música portuguesa: Lena D’Água. A não perder.

Opinião Musical

 

 

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