22 Outubro 2021, Sexta-feira
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Crítica Cinematográfica: “007: Sem Tempo para Morrer”

Sinopse:

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No último filme em que Daniel Craig encara o papel de James Bond, 007: Sem Tempo Para Morrer, traz de volta o agente inglês 007 da sua reforma e da sua vida tranquila na Jamaica.

O descanso é interrompido quando um velho amigo da CIA, Felix Leiter procura o inglês para um pequeno favor, ajudá-lo em uma missão secreta de resgate de um cientista sequestrado.

O que era para ser apenas uma missão de resgate acaba por ser bem mais complicado do que o esperado. O caminho leva James ao vilão, Safin, que utiliza armas de tecnologia avançada e que vão levar o espião inglês ao seu limite.

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Crítica:

Mais que a despedida de Daniel Craig do papel de 007, é uma despedida honrosa pelo bom trabalho do ator no papel principal da franquia do espião mais conhecido do mundo.

O sucesso da franquia não se resume só ao elenco, mas também pela coesão e consistência daqueles que trabalham fora dos ecrãs desde os roteiristas Neal Purvis e Robert Wade que escreveram o roteiro de todos os cinco filmes da era Bond e mais dois da era Brosnan.

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Pela uniformidade que a franquia apresenta, apostando em pessoas que conhecem o projeto, mantendo um padrão elevado de qualidade, com cenas de acção de tirar o fôlego e inovações tecnológicas que nos fazem temer pela vida do herói.

James Bond é a franquia mais longa do cinema contando com 25 filmes, e que não vai ficar por aqui. Uma franquia que rende muito dinheiro, muitos prémios e que tornou Daniel Craig o actor mais bem pago em 2021 e é isto que o público procura no cinema, algo que gosta, que conhece e que à partida vai de encontro às suas expectativas.

Além da base com uma grande carga dramática, o sentimentalismo e a resolução do quebra-cabeças da Spectre, o filme também apresenta algumas lacunas como as relações que ficam aberto e influenciam o curso da história, mas especialmente o mau aproveitamento do vilão, assim como de Rami Malek, que se esforça para dar o tom ameaçador e temido que o vilão prometia ter, mas o seu pouco tempo de tela e falta de atenção não ajuda.

Quando o roteiro de um filme tem limitações e é mal atado, como acontece neste caso, para o filme ter sucesso depende das questões técnicas, aqui entra Hans Zimmer que compôs a trilha sonora e é bastante assertivo no seu trabalho.

As equipas de arte, de efeitos especiais e de efeitos visuais, no seu todo são constituídas por mais de 200 pessoas, não sei se é pela quantidade de pessoas que trabalharam neste projeto mas as famosas perseguições, as explosões e as cenas de luta mantém a alta qualidade que os filmes anteriores nos habituaram.

Em filmes que concluem uma etapa nas franquias ou filmes que terminam as trilogias por exemplo, temos que analisar o filme como um todo mas também o peso que tem na franquia e compará-lo com os seus antecessores.

Este filme na minha opinião, está alguns pontos abaixo de 007: Skyfall, que para mim é o mais bem conseguido da era Craig, um pouco abaixo de 007: Casino Royale, mas bem melhor que 007: Quantum of Solace e que 007: Spectre.

O filme apela muito ao sentimental e à nostalgia ao trazer por exemplo Christoph Waltz de volta ao papel de Ernst Stavro Blofeld, referências a filmes passados que cumprem o fan service.

É um filme renovado, tanto na personagem de James Bond, que se torna mais humano, mostra que tem fragilidades, que tem sentimentos e não apenas uma máquina de luta que fica com as mulheres mais bonitas e que conduz um Aston Martin, existe também uma adaptação ao mundo moderno, não só a personagem progride assim como a franquia.

Existe uma mudança na estrutura da franquia que não se apega tanto a clichês, procuram um maior aprofundamento das personagens assim como da trama, não se focar apenas no vilão e nos seus planos megalómanos, ao criar momentos que não sejam só de acção, dá tempo para conhecermos as personagens e as suas motivações. Quem sai muito beneficiado destes ajustes são as personagens secundárias.

No fim o que é realmente importante é dar uma despedida digna a Daniel Craig, sobrando pouco tempo para explorar melhor o terrorista que quer espalhar uma arma biológica capaz de matar pessoas,

resultado foi um vilão que facilmente esquecemos. 007: Sem Tempo para Morrer encerra a era Craig, que durante 15 anos interpretou o papel, tornando-o o actor que mais tempo interpretou o papel. O filme conseguiu atar muito bem as histórias anteriores, deu mais significado e propósito a acontecimentos e personagens apresentados anteriormente, além de ter conseguido corrigir alguns aspectos menos bons dos filmes anteriores.

A minha nota para 007: Sem Tempo para Morrer é 7,7 / 10

Direção: Cary Joji Fukunaga; Produção: Michael G. Wilson Barbara Broccoli: Roteiro: Neal Purvis, Robert Wade, Cary Joji Fukunaga e Phoebe Waller-Bridge; História: Neal Purvis, Robert Wade e Cary Joji Fukunaga; Baseado em: James Bond, de Ian Fleming.

Elenco: Daniel Craig, Rami Malek, Léa Seydoux, Lashana Lynch, Ben Whishaw, Naomie Harris, Jeffrey Wright, Christoph Waltz e Ralph Fiennes.

Gênero: acção e espionagem; Música: Hans Zimmer; Cinematografia: Linus Sandgren; Edição: Elliot Graham e Tom Cross; Companhias produtoras: Eon Productions e  Metro-Goldwyn-Mayer.

Distribuição: United Artists Releasing (Estados Unidos) e Universal Pictures (Mundialmente).

Lançamento: 8 de Outubro de 2021 (Mundial); Idioma: Inglês; Orçamento: 250 milhões de dólares.

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