22 Outubro 2021, Sexta-feira
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Núcleo da Costa Azul promove grutas e educação ambiental nas escolas de Sesimbra

O livro “Gruta do Frade” foi lançado em Setembro para comemorar os 25 anos de exploração do local

 

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Promover o desenvolvimento e divulgação da espeleologia na Arrábida e realizar acções de sensibilização ambiental nas escolas do concelho de Sesimbra são os principais eixos de actuação do Núcleo de Espeleologia da Costa Azul (NECA), que lançou recentemente um livro para assinalar os 25 anos de exploração da Gruta do Frade.

“Em 1994, já era fotógrafo e colaborava com a revista Fórum Ambiente, uns amigos levaram-me à Gruta do Zambujal, que não conhecia e pela qual fiquei apaixonado”, começa por dizer Francisco Rasteiro, fundador do NECA, a O SETUBALENSE.

“Uma amiga levou fotografias minhas a um professor dela na Faculdade de Letras que por sua vez me apresentou a Galopim de Carvalho, na altura director do Museu de História Natural, onde fiz nessa altura uma exposição”, adianta.

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Francisco Rasteiro foi nessa ocasião apresentado ao Núcleo de Espeleologia de Sintra e posteriormente tirou um curso nessa área pela qual vinha a ganhar interesse e entusiasmo. “Quando voltei à Gruta do Zambujal, estava a começar a ser destruída. Comecei a divulgar esse problema, que acabou por dar origem a que o NECA se formasse”, lembra.

“A tentar salvar a Gruta do Zambujal, e a juntar à descoberta das Grutas do Cabo, que aconteceu em simultâneo, acabei por juntar um grupo de amigos de Sesimbra e formar este núcleo, cujos principais objectivos passam pelas grutas mas também pela sensibilização ambiental e defesa do ambiente, salvaguardando sempre a natureza”, continua.

Grutas do Frade e do Zambujal são as maiores na Arrábida

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O livro “Gruta do Frade – 25 anos de exploração”, lançado a 11 de Setembro na Casa de Água, no Cabo Espichel, local onde o NECA se encontra também a realizar a recuperação subterrânea do Aqueduto da Mãe de Água, mostra uma viagem à gruta em todas as suas fases e as formações mais emblemáticas de cada uma das 29 salas, com fotografias desde 2004 até 2019.

Não se encontra aberta para visitas ao público, uma vez que o acesso é feito pelo mar. A gruta foi descoberta em 1996 e é, nas palavras de Francisco Rasteiro, “muito especial e importante, a nível mundial”.

“No que diz respeito a formações litoquímicas, tem quase tudo o que existe. No mundo, existem cerca de 45 formas classificadas como formas que se podem encontrar nas grutas e temos 38 dessas 45 numa gruta só”.

Com cerca de 200 cavidades identificadas na Arrábida, o NECA aponta a Gruta do Frade e a Gruta do Zambujal como as maiores. “Duplicámos a Gruta do Zambujal em termos de galerias e formações e temos muita pena que não esteja aberta ao público. Seria um ex-libris para Sesimbra. Foi a primeira gruta em Portugal a ser classificada com interesse espeleológico e é única no mundo”, garante.

“Enquanto a Gruta do Frade tem o seu interesse por reunir a variedade de formações, o Zambujal é uma gruta única. Só existe uma semelhante nos Estados Unidos da América, considerada a gruta mais bela do mundo aberta ao público, e o Zambujal só fica atrás em tamanho. Tem uma beleza única com formas incríveis e minerais muito brutos que não é normal encontrar-se em grutas e é uma pena não estar a ser estudada”.

“Em 1998, ainda se chegou a fazer um projecto para criar no local um centro de interpretação com núcleos científicos, que infelizmente acabou por ficar sem efeito. A gruta ia chamar muita gente do mundo inteiro, é um dos meus sonhos, pode ser que um dia ainda venha”, acrescenta.

Spot Arrábida reúne sede do NECA e centro de interpretação

Em 2009, o NECA foi convidado pelo município para dar aulas de educação ambiental, através do programa “Escolhas”, a três turmas. Em 2012, já eram 20. A crise de 2012 fez pausar a iniciativa, até agora.

“Estamos agora a retomar esse trabalho com as escolas do concelho. É um projecto que consideramos muito bom para incentivar e consciencializar os mais novos. Eles são o futuro”, considera.

Para contribuir para o conhecimento e preservação da Arrábida e incentivar um turismo sustentável, está a ser criado pelo município o centro de interpretação Spot Arrábida, na antiga Escola Básica das Pedreiras. As obras de requalificação estão em curso e o Núcleo de Espeleologia da Costa Azul terá no local a sua sede.

“Para além da nossa sede, no centro de interpretação ficarão patentes exposições sobre a Arrábida sobre as suas grutas. Temos muitas peças, amostras que vieram das grutas para estudar, que podem dar a conhecer os minerais existentes nas nossas grutas”, conta.

“Neste espaço terão também lugar workshops e outras actividades ligadas à natureza, concretizando o trabalho com as escolas, que passam a ter um lugar onde assistir a palestras e depois partir directamente para o campo, para a natureza”, acrescenta, desejando que “na próxima Primavera o Spot Arrábida já possa estar a funcionar”.

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