5 Julho 2022, Terça-feira
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Regresso condicionado ao normal foi de sonho para utentes de lar

Voltaram a reunir-se com familiares fora da instituição, depois de mais de um ano de clausura imposta pela ditadura viral

 

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Os seniores institucionalizados foram os mais penalizados pela solidão imposta por uma ditadura viral. As fronteiras da “vida normal” voltaram agora a franquear-se, embora de forma condicionada. Mas, o suficiente para ajudar a cicatrizar as marcas de privação. Foi mais de um ano sem direito a um beijo, a um toque familiar sequer. “Saudades? Oh, oh. Eram terríveis. Especialmente do pequenino, o meu bisnetinho. Quando ele vinha aí [à Box das Emoções], apetecia-me furar o vidro para o abraçar. Tem três anos, está amoroso e muito engraçado”, confessa Maria Juliana Cabral, 96 anos, utente do lar da União Mutualista Nossa Senhora da Conceição, no Montijo.

No regresso condicionado ao “normal”, a instituição passou a autorizar, desde o passado dia 9, as saídas do lar aos utentes para estes estarem com a família, por períodos inferiores a 24 horas.

“Na primeira vez que o meu filho veio buscar-me, eu dizia assim: ‘não sei se estou a sonhar’. Sonhei tantas vezes que saía…”, desabafa Maria Juliana (carinhosamente tratada por Lolita pelos amigos), entusiasmada pelo reencontro presencial. “Cheguei a casa do meu filho a olhar para tudo: ‘mas estou a sonhar?’ Depois veio o pequenino, que é muito dado. Esteve no meu colo, a mostrar-me os bonecos. Foi realmente muito bom. Depois disso, já foram mais umas três vezes e esta semana também vou”, reforçou, sem esquecer que completa mais um aniversário no próximo dia 8.

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A seu lado encontrava-se a colega Olívia Bibe, 87 anos, igualmente radiante por ter voltado a privar com a família, fora da instituição.

“Também já saí. Com a minha filha e o meu Toino Manel, que é o meu genro. Fomos a Setúbal almoçar e andámos a passear. A gente gosta muito de Setúbal”, vinca a octogenária. E lembrou ainda: “Estivemos no Montijo, a passear na Praça da República… Adorei! Sentia muita falta… Agora podemos sair. Adoro sair. Amanhã [quarta-feira passada], se Deus quiser, vou almoçar à casa da minha filha e depois passear no Montijo.” Mas sempre com máscara, que, garante, não lhe causa qualquer transtorno. Mesmo que teimosamente lhe caia do nariz. “Puxa-se para cima”, diz, despachada.

E a ementa para o esperado almoço? Nem precisa de recomendações lá para casa, claro está. “Ah, eles sabem do que eu gosto. Gosto de quase tudo, ensopado de borrego, camarão, choquinho frito. Eles sabem o que fazer”, disse, por entre um sorriso maroto.

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“Isto superou tudo”

Patrícia Soares, membro do Conselho de Administração da União Mutualista, faz um balanço “bastante positivo” à forma como o processo está a decorrer na instituição. “Psicologicamente para os utentes, acho que isto superou tudo e, inclusive, para os familiares”, aponta. Ainda assim, esta não é uma absoluta normalidade. “Não, não é. Nem podemos baixar a guarda”, avisa.

Daí que continuem a ser mantidas algumas medidas de prevenção. “Continuamos a ter todos os cuidados aqui dentro. Quando o utente regressa, os sapatos da rua não são utilizados cá dentro, é feita a desinfecção das mãos à chegada, a máscara que trazem é imediatamente eliminada e substituída por uma nova, as actividades em grupo voltaram a ser possíveis mas com uso de máscara e as refeições continuam a ser feitas no quarto”, frisa. Já com a vacinação completa, os utentes “não necessitam de fazer quarentena, quando regressam, nem de realizarem testes”. Só “na eventualidade de surgir alguém com sintomas”, que nesse caso será “imediatamente isolado e testado”. As funcionárias, sim. “Mesmo vacinadas continuam todas as semanas a ser rastreadas”, explica.

Patrícia Soares realça, no entanto, aquilo que lhe parece contraditório. “Os familiares continuam sem poder entrar nas instituições, mas os utentes podem sair. Tendo em conta que a exposição ao risco existe, mesmo estando eles vacinados, o que fizemos foi apelar ao bom senso, distribuindo informações a dizer que a vacina não dá imunidade a cem por cento, não impede o contágio e que temos todos de continuar a ter muito cuidado.”

As cautelas na União Mutualista estendem-se, de resto, às valências de infância, face ao regresso presencial às aulas na Casa da Criança e no Centro Infantil António Marques. Foram criados “circuitos de entrada e saída diferenciados” para as crianças e continua a não ser permitida aos encarregados de educação a entrada no interior das instalações.

Túnel e Box das Emoções foram soluções inovadoras

A União Mutualista destacou-se, desde cedo, na adopção de medidas de combate à propagação da covid-19. A implementação de planos de contingência para cada valência da instituição foi disso exemplo. Mas a instituição foi mais longe e apresentou soluções “inovadoras e disruptivas”, como o Túnel de Descontaminação e a Box das Emoções.

O primeiro contribuiu para aumentar os níveis de protecção ao contágio. Já a Box das Emoções foi a solução encontrada para assegurar visitas de familiares a utentes na valência de lar, em total segurança. Foi inaugurada no Dia da Mãe do ano passado, acabando com um jejum de contactos entre os utentes e as famílias que durava há dois meses.

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