22 Setembro 2021, Quarta-feira
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Farmácia Bocagiana celebra 100 anos

A celebrar o seu primeiro centenário a Farmácia Bocagiana é símbolo de tradição e cuidado em proximidade com os seus clientes

 

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A Farmácia Bocagiana abriu portas em 1919, na Rua do Romeu, perto da Praça do Bocage. Silva foi o seu proprietário e pouco mais se sabe sobre ele. Depois, a farmacêutica Jesuína da Conceição Fernandes assumiu a Bocagiana. E em 1979, Jorge Lopes tornou-se o terceiro proprietário da farmácia que hoje é centenária.

Jorge Lopes recorda a origem do nome da farmácia, “escolhido pelo primeiro proprietário como homenagem ao poeta Bocage. Mas, como na época já existia uma pastelaria chamada ‘Bocageana’ e não podia haver dois comércios na cidade com o mesmo nome, Silva optou pelo nome ‘Bocagiana’ que mantinha a mesma sonoridade”.

A transição do centro da cidade para o número 7 da Avenida Dr. António Rodrigues Manito, no Bairro do Liceu, aconteceu em 1999, quando o número de farmácias por zona da cidade passou a obrigar a uma relação com o número de habitantes. Um contexto diferente do início do século XX, “quando as farmácias abriam sem distância obrigatória entre si”, explica Jorge Lopes. “Cada um abria a sua botica. E a baixa da cidade era a zona privilegiada para este comércio”.

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Quando o Liceu foi construído, em Setúbal comentava-se que ficava muito afastado da cidade, numa zona deserta. Recordando este tempo, Jorge Lopes comenta que, “hoje a realidade contraria todas essas suposições e foi uma boa aposta vir para a Rodrigues Manito”.

Entre as farmácias do passado e do presente, o actual proprietário da Bocagiana recorda ainda os seus primeiros anos de farmacêutico, quando “as farmácias não tinham uma única caixa de medicamentos e tudo era vendido em frascos, feito na própria farmácia, com as fórmulas do farmacêutico. Depois começou a surgir uma caixa de aspirina, outra de supositórios. E assim por diante”.

No início da sua carreira, Jorge Lopes ainda fez comprimidos para a gripe e supositórios com a fórmula da farmácia. Assim como os bronzeadores e protector solar. Actualmente, ainda mantém o seu livro de fórmulas. “Continuamos a fazer algumas coisas que os médicos mais antigos prescrevem. E até há pouco tempo eu ainda fazia pomada hidratante e para tratar de feridas, a pedido de alguns lares e da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal”.

Sobre como seria voltar a esse tempo de fabrico próprio, Jorge Lopes assume que “a burocracia tornou-se demasiado grande e é preciso registar tudo. Por isso tornou-se difícil manter esta produção e também porque as farmácias assumiram outra missão de proximidade e até apoio social, na relação diária com os seus clientes”.

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