Setúbal, uma cidade adiada

Setúbal, uma cidade adiada

Setúbal, uma cidade adiada

, Professor
6 Abril 2026, Segunda-feira
Professor

Num destes dias, numa tarde de Primavera soalheira, a fim de procurar e usufruir um pouco de sol que tem andado arredio, fui com a família à zona ribeirinha poente, com a firme intenção de degustar um café, um bolinho e apreciar as vistas desta nossa magnífica cidade.

Quando cheguei à zona adjacente ao estabelecimento comercial, vulgo café, este estava a abarrotar de gente. Uma fila imensa de clientes aguardava pacientemente a sua vez.

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As pessoas que estavam sentadas, não estavam com qualquer pressa em sair e ceder-nos o lugar.

Justamente. 

Não se compreende que em todo aquele espaço sobranceiro ao rio, exista somente um estabelecimento de cafetaria, quando há espaço para mais.  

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Não estou a falar de roulottes ocasionais; estou a falar de cafés a sério.

Nessa zona, os antigos armazéns encontram-se abandonados e degradados já há bastante tempo.

Adiante. Perante a impossibilidade de beber um cafezinho, voltámos a entrar no automóvel e procurámos melhor sorte com algum café na praia da Albarquel, ou na Gávea.

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Na praia de Albarquel, os estacionamentos são muito poucos e locais para beber um café também não; quanto ao forte de Albarquel está permanentemente sub-aproveitado, segunda-feira encerrada, com horários das terças às sextas-feiras, das 10h00 às 12h00 e das 15h00 às 17h00, e aos sábados, das 10h00 às 13h00. 

Quanto aos acessos à Figueirinha, ainda nada a fazer. Quando aí estive, a estrada estava cortada ao trânsito, no cruzamento com a Albarquel. Entre ter redigido esta crónica e a sua saída, este troço abriu, com um esforço apreciável da autarquia, correspondente à retirada de centenas de toneladas de resíduos verdes o que se constata com satisfação.

Se pretendermos ir pela EN nº10, virarmos à esquerda, deslocarmo-nos até à Comenda e depois dirigirmo-nos para a Gávea, tal não é possível, uma vez que a referida estrada está encerrada ao trânsito.

Na Aldeia Grande, os acessos à Gávea somente são possível se virarmos à esquerda, percorrendo a Estrada da Rasca.

Todavia, se quisermos ir beber um cafezinho à Figueirinha, a estrada está novamente encerrada ao trânsito, no cruzamento do Hospital do Outão.

Se quisermos ir degustá-lo a Galápos e Arrábida, não podemos ir pelo caminho mais próximo do mar, o do túnel da Figueirinha; temos de subir a Serra da Arrábida, percorrer quase toda a estrada de cima (sempre magnífica, com as suas incomparáveis vistas), virar à esquerda e descer pela estrada que nos leva ao Portinho da Arrábida e a Galapos.

Como estávamos impossibilitados pela geografia rodoviária, de seguir para Oeste, sem ter de dar uma apreciável volta, optámos por nos deslocar para Este, e ir finalmente beber o tão ansiado, aguardado e sempre adiado cafezinho (e o bolinho), nada mais nada menos, que ao Moinho de Maré da Mourisca, local extremamente aprazível e de uma beleza ímpar.

Assim que percorremos a estrada, tivemos de reduzir drasticamente a velocidade.

A referida estrada de acesso ao Moinho de Maré da Mourisca encontra-se num estado de lastimável e inqualificável abandono, com buracos, algumas mesmo podendo ser classificadas de “crateras” (enormes e constantes), limitando fortemente a velocidade e os acessos.

É uma perfeita vergonha o estado daquela estrada que se mantém assim de alguns anos a esta parte, sem que ninguém tome nenhuma iniciativa para proceder à sua reparação.

As recentes chuvadas, contribuíram, ainda mais, para aumentar aquelas crateras.

Quando finalmente chegámos ao tão ansiado café do Moinho de Maré da Mourisca, informaram-nos que tinha encerrado há 10 minutos.

Eram 17.10 h. e o espaço comercial estava repleto de gente. Casas de banho encerradas.

Era um Sábado.

Alguns forasteiros que chegavam, ficaram bastante surpreendidos quando confrontados com o encerramento do espaço.

Como setubalense que sou, constato com muita tristeza e desolação, esta beleza enorme e apelativa desta nossa região, muito sub-aproveitada.

Após toda esta epopeia, acabei por ir passear para outras bandas e finalmente beber o tão merecido café (e o bolinho).

Setúbal continua a ser, infelizmente, uma cidade adiada.

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