Servir a comunidade, preservar a memória

Servir a comunidade, preservar a memória

Servir a comunidade, preservar a memória

1 Agosto 2026, Sábado
Fabrício Pereira

Há 171 anos, era dado à estampa o primeiro número d’O SETUBALENSE.

Nascia ali um dos jornais mais antigos ainda em publicação em todo o mundo — testemunha de gerações, de regimes, de crises e de conquistas, sempre focado na região a que dá nome e a que continua fiel.

A Junta de Freguesia da Moita associa-se com sincero regozijo a esta efeméride. Mas seria pouco — e o jornal, ao longo de mais de um século e meio, sempre mereceu mais do que meras palavras de circunstância — ficarmo-nos pelos parabéns. Um aniversário como este é também um convite a pensar no que torna um jornal indispensável a uma comunidade: não a sua longevidade por si só, mas os valores que essa longevidade foi capaz de sustentar.

O primeiro desses valores é, e será sempre, o compromisso com a verdade dos factos. Num tempo em que a informação circula à velocidade de um clique e em que a fronteira entre notícia, opinião e boato se esbate com facilidade preocupante, o trabalho de apurar, confirmar e contextualizar antes de publicar é mais precioso do que nunca. O jornalismo ético não é o que chega primeiro, é o que chega de forma correcta.
Um jornal que atravessa séculos sabe que a sua credibilidade se Servir a comunidade, preservar a memória constrói devagar e se perde num instante.

O rigor na recolha e no tratamento
da informação, a distinção clara entre facto e opinião, a pluralidade de vozes e a independência face a poderes políticos e económicos são exigências que não se deveriam nunca negociar. É essa independência que permite a um jornal noticiar com a mesma isenção o que agrada e o que incomoda — e é isso que lhe dá autoridade moral junto do leitor para o fazer.

Há ainda um valor que a imprensa regional cultiva com particular sensibilidade: a proximidade. O SETUBALENSE não escreve sobre a região, escreve com ela e para ela. Dá voz a quem raramente a tem nos grandes órgãos nacionais, regista a vida das juntas de freguesia, das associações, das escolas, das empresas e das famílias que fazem o dia a dia dos concelhos que serve. Esse jornalismo de proximidade é, também ele, um serviço público — uma forma de memória coletiva que fortalece a identidade e a cidadania local.

Por fim, o jornalismo ético implica prestação de contas: corrigir o erro quando ele acontece, ouvir todas as partes antes de julgar, respeitar a presunção de inocência, proteger as fontes e, sobretudo e principalmente, respeitar a inteligência e o direito à informação de quem lê. Num contexto de crescente desconfiança nas instituições, é este tipo de responsabilidade — tantas vezes invisível, mas sempre presente na mente do leitor— que sustenta a confiança pública na imprensa.

Que os próximos anos continuem a ser escritos com rigor, independência e equidistância e o mesmo sentido de serviço público que fizeram de alguns jornais referências incontornáveis na história da imprensa portuguesa.

Aos jornalistas e a todos os que, ao longo de 171 anos, deram corpo a este projeto, a Junta de Freguesia da Moita apresenta os seus sinceros parabéns — e o desejo de que a verdade continue a ser a sua única bandeira, sem concessões.

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