Segurança ou aventura

Segurança ou aventura

Segurança ou aventura

, Membro do Secretariado da Federação Distrital de Setúbal do Partido Socialista
31 Janeiro 2026, Sábado

O país chega à segunda volta das presidenciais num ambiente saturado de ruído. Entre indignações instantâneas e promessas de rutura, corre o risco de esquecer o essencial: a escolha de um Presidente não é um desabafo — é uma decisão institucional. E, nesta eleição, a alternativa é particularmente clara. 

De um lado, está quem representa estabilidade, responsabilidade e respeito pelas regras do jogo democrático. Não se trata de imobilismo, mas de compreender que a Presidência é um pilar de equilíbrio num sistema que já tem conflitos suficientes. Um Presidente que sabe unir, que não transforma divergências em guerras culturais e que garante previsibilidade institucional é, hoje, um ativo raro.

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Do outro lado, surge um discurso que vive da contradição. O principal argumento é derrotar o “socialismo”, apresentado como inimigo absoluto. Mas basta olhar para as propostas para perceber o paradoxo: muitas implicam mais Estado, mais controlo central, mais intervenção. É a velha fórmula do populismo contemporâneo — proclamar liberdade enquanto se reforça o poder do Estado para impor soluções rápidas e centralizadas. A retórica anti‑sistema convive, afinal, com um programa profundamente estatista.

A isto junta‑se a promessa vaga de uma “Quarta República”. Não se sabe o que significa, como se concretiza ou que garantias oferece. Sabe‑se apenas que nasce de uma lógica de confronto permanente, de um “nós contra eles” que fragmenta o país e transforma adversários em inimigos. A erosão democrática não começa com golpes; começa com slogans. Primeiro descredibilizam‑se instituições, depois atacam‑se mediadores, por fim tenta‑se capturar o próprio regime. Vimos este filme noutras geografias — e nunca acaba bem.

É por isso que esta segunda volta exige lucidez. Quem valoriza liberdade económica, segurança jurídica e estabilidade institucional sabe que aventuras constitucionais são sempre más para o país. Reformar exige método e responsabilidade; destruir exige apenas ruído. E o ruído, por muito sedutor que seja no imediato, cobra sempre um preço elevado no futuro.

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Portugal não precisa de salvadores nem de revoluções improvisadas. Precisa de um Presidente que garanta segurança institucional, que respeite a Constituição e que não transforme a chefia do Estado num palco de agitação permanente. Nesta segunda volta, a escolha é simples: entre segurança e aventura, o país só tem a ganhar escolhendo estabilidade.  

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