23 Maio 2024, Quinta-feira

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Recordando a célebre tradição do sapatinho na chaminé na véspera de Natal

Recordando a célebre tradição do sapatinho na chaminé na véspera de Natal

Recordando a célebre tradição do sapatinho na chaminé na véspera de Natal

Do dia 24 de Dezembro, véspera do Natal, tenho uma história e um episódio, que me marcaram na minha infância e que nunca mais esquecerei, na quadra de Natal. Como era tradicional na época da minha meninice, as crianças colocavam um sapato na chaminé para o Pai Natal pôr a prenda.
À época, numa dessas noites natalícias, eu, o mais novo dos cinco irmãos, durante a madrugada fui em bicos de pés ver as prendas que o menino Jesus tinha deixado nos sapatos e eu troquei a que eu mais desejava para o meu sapato e voltei para a minha cama.
Logo cedo, pela manhã, fomos os cinco irmãos para o quarto dos nossos pais mostrar as prendas que o menino Jesus nos tinha deixado no sapatinho. A minha mãe disse-me que a minha não era essa e eu confirmei que era a que estava no meu sapato e os manos tinham visto.
Enganei a minha mãe, mas ela não gostou da brincadeira. Enfim, coisas da idade, mas fiquei com a prenda que eu tinha sonhado receber do menino Jesus.
Além de sapatinho na chaminé, outra tradição era fazermos a ceara de trigo para que nunca faltasse o pão durante todo o ano. Era feita ao meio-dia no dia 8 de Dezembro, dia da Nossa Senhora da Conceição, que era também o Dia da Mãe.
Na minha família fazíamos o presépio e era o meu irmão Álvaro que todos os anos tinha a iniciativa e a criatividade para o construir e a cada ano com mais pormenor que ele próprio criava, um verdadeiro espectáculo que nós não nos cansávamos de admirar.
Em Setúbal, na Rua Frei António das Chagas, o falecido José de Sousa “Zé Bombeiro” fazia no Paço de São Marçal uma autêntica maravilha. Era um belíssimo cartaz turístico de Setúbal, na quadra de Natal. Era ele que, na procissão de São Marçal, espalhava o alecrim e rosmaninho pelas ruas.
Na véspera do Dia de Reis era hábito na minha família as crianças colocarem uma meia pendurada na corda da roupa à janela com uma mola de madeira. Umas vezes os Reis deixavam moedas e outras vezes um pedaço de carvão, conforme o comportamento que tínhamos tido durante os 12 meses do ano.
Enfim, algumas tradições que se vão perdendo, mas recordá-las é VIVER.
Outra tradição era no dia dos Reis irmos em grupo de rapazes depois das 19 horas, em caminhada, esperar os Reis cantando: “Fui esperar os Reis a pedra furada, enganei-me no caminho fui para a “casa da cagada” a…….”Albarquel”, “Palmela “, etc. Fazíamos barulho a acompanhar esta cantilena com tampas de tachos, latas grandes e tudo o produzisse sons estridentes (o objectivo era acordar os Reis).
Por vezes éramos impedidos no meio da caminhada e tínhamos de fugir da polícia, o que era uma tristeza. Não eram permitidos grupos nessa época, chegando alguns a serem agredidos à paulada, não conseguindo chegar a atingir o objectivo de chegar a pedra furada. Algumas vezes conseguimos chegar à pedra furada e estava lá no monte da pedra furada um “fantasma com umas velas” . Pelo menos era o que me lembro de disserem que viam e eu “também via”. Imaginação ou alguém mais esperto que avançava e fazia a encenação. Era uma verdadeira emoção de susto!
E é bom recordar e dar a conhecer a juventude e relembrar a “juventude acumulada” esses tempos. E hoje, como é?
Viva Setúbal!

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