Nunca revelei as minhas opções político-partidárias. Na verdade, elas têm variado consoante os projetos e causas políticas que, em diferentes tempos, julgo serem mais favoráveis à construção do bem comum. Reconheço que a política ativa, como muitas vezes referiu o saudoso Papa Francisco, é uma das atividades mais nobres de exercer a cidadania. Mas nunca aceitei nenhum cargo político, porque ele poderia ser uma barreira, dados os vários constrangimentos que ainda há na sua plena concretização, como a liberdade de pensamento e de decisão, sendo a minha “praia” estar com todos, mesmo com os que pensam diferente de mim, mas, fundamentalmente, com os que estão nas periferias existenciais e geográficas.
Mas há momentos na vida que não podemos ficar calados. Já passei por muitos, mas há uns mais graves do que outros. E, porque sigo a máxima de D. António Ferreira Gomes, muitas vezes lembrada por D. Manuel Martins: «De joelhos, só diante de Deus. Diante dos homens sempre de pé». Nem sempre tenho sido bem aceite, particularmente por aqueles que deviam estar do mesmo lado da barricada. Respeito a consciência de todos, desde que bem formada, e aceito que outros decidam de modo diferente do que eu decidiria, mesmo que não compreenda as suas razões, porque a liberdade é um direito natural, que só tem como limite a liberdade dos outros. Também nunca escondi que sou militante da Igreja católica, mesmo com todas as suas infelizes contradições, para as quais tenho contribuído. Esforço-me por seguir a Pessoa de Jesus Cristo, mais que dogmas que estejam fora do Credo que jurei professar. Não tenho, por isso, qualquer ideologia, pois como afirmou Francisco: «A realidade é superior à ideia» e «O todo é superior à parte» .
Mas, desta vez, sinto a obrigação de vir a público declarar o meu apoio a António José Seguro, porque, no próximo dia 8, o que vai ser pedido aos eleitores é que escolham manter, o regime democrático, mesmo com todas as suas limitações, (até agora não se conhece outro mais perfeito), ou arriscar que este seja posto em causa.
Não é que tenha sido dos que mais sofreram pelo Regime que terminou em Abril de 1974. Mas, fui o suficiente para saber que quero que me tratem como gente. Respeitem, sem limitações, a minha dignidade e a dos meus concidadãos, mesmo quando alguns deles não têm consciência da sua sacralidade. Quero viver num país com segurança, mas não securitário, que tudo resolve à “lei da bala”. Acredito na força do diálogo e não na imposição de ideias e ações que, quando não assumidas, têm pouca eficácia. Preciso de me realizar como cidadão, podendo criar e pertencer, sem amarras, a órgãos intermédios, no respeito pela subsidiariedade, dando, assim, o meu contributo para o reforço da democracia participativa. Anseio por um país mais justo e solidário, que passe por um sistema judiciário que não seja só forte com os fracos e frágil com os fortes, mas, sobretudo, que vença qualquer tipo de desigualdades. Pugno pela não catalogação dos seres humanos pela cor da pele, religião, origem ou etnia, porque sonho com uma sociedade em que impere a fraternidade humana.
Estes e outros, são os valores cristãos que quero manter e reforçar no meu país, com a certeza de que quanto mais humanista for a sociedade portuguesa, mas cristã será.
Permitam, por fim, que deixe um apelo: seja qual for a opção que tiverem, não deixem de exercer o direito e o dever de votar.