23 Maio 2024, Quinta-feira

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Porque se celebra o Natal?

Porque se celebra o Natal?

Porque se celebra o Natal?

Será que toda a gente sabe porque se celebra o Natal? Aprofundando mais, é legitimo perguntar igualmente se há muita gente que saiba o que é o Natal! E entre os que tenham uma ideia do que é o Natal, será legítimo fazer uma festa perante as guerras que sabemos existirem em vários cantos do mundo, perante a miséria de milhões, perante a fome que mata em muitas partes do nosso globo, perante as desonestidades que nos rodeia?
E, recordo, disse “perante os que tenham uma ideia do que é o Natal”, porque tenho a convicção de que essa ideia andará algo afastada da realidade do que é o Natal. Muitos confundem o nascimento do menino Jesus com um tal pai Natal que traz um saco cheio de prendas, vindo não se sabe de onde, e que tal vinda tem de ser celebrada com iluminações, nas ruas e nas montras das lojas, com uma árvore, também enfeitada, ao estilo nórdico (ele vem de trenó usado nas terras geladas) – figura que não tem nada de bíblica, mas é simplesmente uma criação recente da Coca-Cola para estímulo de negócios.
Desses que têm a tal ideia vaga, alguns lá têm a ideia dum menino recém-nascido, numa gruta, e adorado por três reis magos vindos dos quatro cantos do mundo, isto é, têm uma ideia do presépio!
Face à fuga enorme das pessoas das celebrações da nossa Igreja no dia-a-dia, parece-me lógica a pergunta: será que muita gente sabe o que é o Natal? E que devemos fazer festas e iluminações? Sabem que esse nascimento marca a ideia bíblica de que o Criador de tudo o que existe – o universo, as galáxias, as estrelas, a Terra em que vivemos e todos os seres vivos incluindo, claro, os seres humanos com uma história de muitos milénios, se fez homem (o tal menino!), cresceu e aos 30 anos de idade veio viver entre os outros homens pregando (e vivendo!) o amor, a justiça e a fraternidade para com os pobres, os doentes e os proscritos da sociedade?
E sabem, dentro de si, que os mandantes políticos e religiosos da Sua terra o mataram por incómodo e para reduzir a sua acção e o seu poder sobre os que partilhavam na altura uma religião? Esses que ainda têm uma vaga ideia de estarmos colaborando numa celebração de caracter religioso – mesmo muitos desses – não obedecem apenas a uma tradição, não se juntam em famílias “como amigos” tendo dentro de si muitas vezes ressentimentos e invejas?
Se pusermos de parte todo este arsenal da nossa sociedade de consumo que nos afoga e oprime, estarão a celebrar algo em verdade e com amorosidade? E saberão muitos que Jesus nasceu na cidade de Belém, que fica nos territórios dos palestinos onde agora ninguém vai? Os habitantes dessa cidade viviam do turismo religioso reduzido presentemente a zero. Resolveram deixar a cidade toda às escuras durante esta quadra natalícia. Não há peregrinos, há, isso sim, guerra e morte em todo o território palestino! Será que todos nós nos outros cantos do mundo devemos celebrar o Natal?
Quem sabe um mínimo do significado desta época e desta comemoração do nascimento do tal Menino, deveria pensar mesmo que a festa deve ser extremamente moderada e pensando nos que morrem na Ucrânia, dos que morrem afogados no mar Mediterrânio procurando abrigo e apoio que quase todos lhes negam. Pensar nos que morrem mesmo de desnutrição em regiões de grandes secas, nos que – mesmo ao nosso lado, na nossa cidade e às vezes na nossa rua – não têm um cêntimo para nada (quanto mais para festas!) Estas festividades, mesmo que incentivadas pela nossa hierarquia eclesial, têm de ser despojadas desta ganga comercial, deste “embrulho “clerical e ritualista impróprio, deste mundo em que vivemos, mesmo que não tivéssemos guerras e traficâncias à nossa volta.
É altura de os que se dizem imitadores da vida do tal Menino – Cristo – serem exemplo de fraternidade no dia-a-dia, serem renovadores deste mundo apodrecido dando para isso o exemplo das suas vidas, em família e na sociedade. Para isso não podem ser “folhas secas” ao sabor dos ventos, devem mostrar que não vivem só para si, mas sim para a construção dum mundo novo, pois este já tem uma emenda bem difícil! Nele dominam o “ter” e o “poder”, o pai Natal e as Luzes enleiam as pessoas e arrastam-nas para os seus objetivos.
É necessária uma revolução “da ternura” como nos diz o actual bispo de Roma. Com o tal espírito renovador quase se não nota, será legítimo todas estas luzes e festividades? Afinal poderá haver Natal? Para tal é necessário em primeiro lugar saber o que é o Natal! E é tão fácil: amarem-se uns aos outros!

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