Os três anos de acessos condicionados entre a Figueirinha e a Arrábida

Os três anos de acessos condicionados entre a Figueirinha e a Arrábida

Os três anos de acessos condicionados entre a Figueirinha e a Arrábida

, Professor
2 Fevereiro 2026, Segunda-feira
Professor

No dia 23 de Janeiro, em reunião pública do executivo camarário de Setúbal, foi anunciada a adjudicação de uma obra, para a retirada do bloco rochoso que se encontra em risco de queda, entre a Figueirinha e a Arrábida.

A presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, informou que decorrem conversações com várias entidades, entre as quais o Ministério do Ambiente, a Secil, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e a Agência Portuguesa do Ambiente, manifestando o seu desagrado pelo arrastar desta situação, relativamente à estrada que se encontra vedada à circulação.

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Tal prejudica moradores, empresas e visitantes, bem como todos aqueles que pretendem(os) passear e/ou usufruir do nosso magnífico mar.

Permitam-se, para já, uma sugestão, esta bem mais fácil de resolver.

No troço situado entre o túnel da Figueirinha e Galápos existe um conjunto de árvores junto à estrada, do lado de fora (pinheiros mansos e alfarrobeiras) que se encontram perigosamente inclinados na direcção do mar.

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Se se cortassem os ramos mais pesados que se encontram virados precisamente para o mar, aligeirava-se a sua carga e permitiríamos o seu reequilibro.

Vamos então ao assunto propriamente dito.

 Em termos geológicos, a Serra da Arrábida formou-se há cerca de sete milhões de anos, decorrente da colisão das placas Africana e Euro-Asiática, num processo que deu também origem ao mar Mediterrâneo, estendendo-se segundo uma direcção Este –Oeste, desde o morro de Palmela até ao Cabo Espichel, numa área aproximada de 35 km de comprimento por 6 km de largura. 

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Na nossa zona possui duas vertentes; a vertente Norte sobranceira a Azeitão, muito mais estável e a vertente Sul, de orografia instável, irregular e abrupta, caindo a pique junto às nossas praias.

A serra da Arrábida é constituída essencialmente por calcário, que é uma rocha algo friável, ou seja, desagrega-se com a passagem do tempo e dos agentes erosivos.

Toda a extensão da orla marítima, desde o Outão até ao Creiro, encontra-se pejada de pedregulhos que se soltaram da vertente Sul e que foram rolando encosta abaixo, até ao mar, ao longo dos sucessivos séculos.

Essa vertente apresenta uma apreciável instabilidade, com inúmeros pedregulhos que estão posicionados para caírem.

Estamos, portanto, perante um dilema.

Sabemos que Troia, para os setubalenses, é um assunto encerrado. A antiga ligação umbilical entre Setúbal e uma das suas praias de eleição, terminou.

O preço individual dos ferrys é de 5,50 euros; automóvel ligeiro de passageiros (um passageiro), 21 euros; cada passageiro a mais, 5,50 euros.

Quanto aos catamarans, duas viagens custam 9,30 euros, pelo que uma família setubalense de quatro pessoas, para ir à praia paga 37,20 euros.

Somente transporte; fora o resto. 

O desvio do ferry para a zona dos fuzileiros e os preços intencionalmente proibitivos que se praticam para efectuar a travessia, foram determinantes para o afastamento dos setubalenses.

Resta-nos esta zona compreendida entre a Albarquel, Comenda, Figueirinha, Galápos, Galapinhos, Praia dos Coelhos e Arrábida.

 Esta última está a perder areal a cada ano que passa. Porque não aproveitar as areias das dragagens do rio Sado e aumentar a praia?          

Em Fevereiro de 2023, por razões de segurança, a Câmara Municipal de Setúbal determinou o encerramento deste troço, em virtude de haver o risco de queda sobre a estrada do referido bloco rochoso, com cerca de mil toneladas, localizado em terrenos geridos pela Secil e em pleno Parque Natural da Arrábida.

Portanto, estamos a falar de três anos consecutivos com os acessos proibidos.

Sabendo de antemão que o problema não se circunscreve somente ao pedregulho em questão, mas a toda a área envolvente, urge que se tome responsavelmente um conjunto de acções que permitam restabelecer não somente a circulação rodoviária, mas também o usufruto balnear, bem como outras formas de actividade lúdica, como vimos. 

Sobretudo, deixar de empurrar as responsabilidades para outrem, como tem acontecido até agora, a fim de possibilitar que as entidades envolvidas possam trabalhar articuladamente, para a resolução deste problema.

Aplaude-se, portanto, esta decisão da Câmara Municipal de Setúbal.

O que não podemos, de todo, é continuar a estar indefinidamente impedidos de frequentar uma das nossas zonas mais bonitas e aprazíveis desta bela região de Setúbal.

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