Os oitenta anos da 2ª Guerra Mundial (parte XIV): Charles Chaplin e o filme “O Grande Ditador”

Os oitenta anos da 2ª Guerra Mundial (parte XIV): Charles Chaplin e o filme “O Grande Ditador”

Os oitenta anos da 2ª Guerra Mundial (parte XIV): Charles Chaplin e o filme “O Grande Ditador”

, Professor
2 Março 2026, Segunda-feira
Professor

                                          

Desde muito jovem sempre adorei ver os filmes mudos a preto-e-branco e uma das minhas personagens preferidas era “Charlot”, o vagabundo pobre, cheio de humanidade, solidão, sonhos, romance e tristeza no olhar, enquanto nos fazia rir, protagonizada por esse Homem Magnífico Que Transcende o Tempo, o Espaço, o Cinema e a Vida: a sua e a nossa.

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Charles Chaplin.

O Cinema teve o seu início, com os irmãos Lumiére (Auguste e Louis) que efectuaram a sua primeira apresentação pública em 1895, com mulheres a sair da fábrica.

Aliás a palavra “Cinema” é uma abreviação francesa de “Cinématographe”, nome dado pelos dois irmãos à sua invenção de um aparelho que gravava e projectava imagens em movimento. 

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“Cinématographe” é derivado do grego “kinema” (movimento) e “graphein” (registar), significando “registar/gravar o movimento”. 

A seguir vieram o filme mudos, filmes sem som, antes do advento da tecnologia de som, na década de 1920.

E é precisamente aí que entra o filme “O Grande Ditador”, filme que se estreou em 1940, escrito, musicado, produzido, dirigido e interpretado por Charles Chaplin. 

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Já o vi e revi inúmeras vezes.

Ao princípio, quando era miúdo e jovem, divertia-me a apreciar todas aquelas movimentações de Adenoid Hynkel, uma sátira mortífera de Adolph Hitler, os gritos, os tiques, os maneirismos que imitam na perfeição o ditador germânico.

Com o passar do tempo, comecei a ter a percepção da genialidade de Charles Chaplin. 

Por um lado, o contexto temporal. Estávamos em Outubro de 1940. Em 1938, a Alemanha nazi já tinha efectuado o Anschluss, a anexação da Áustria, derrotou e ocupou a Polónia, em Setembro de 1939, a Dinamarca e a Noruega, em Abril de 1940, a Bélgica, a Holanda, a França e o Luxemburgo, em Maio de 1940. 

A Alemanha dominava em todo o seu esplendor e definia a regras do jogo.

Tal como actualmente a Rússia de Putin, com o “activo soviético/russo” Donald Trump a dar-lhe uma ajuda.

Em 1940, os Estados Unidos (EUA) ainda não tinham entrado na guerra, o que aconteceria somente a 8 de Dezembro de 1941, no dia seguinte ao ataque-surpresa do Japão à base naval de Pearl Harbor, no Havai.

A neutralidade americana era a pedra de toque (tal como agora com Donald Trump), e daí que a maior dificuldade com que Charles Chaplin se confrontou na realização do “Grande Ditador”, foi a oposição de muitos membros da comunidade americana, em particular ligados à política e ao mundo do cinema, preocupados com o crescente clima anti-nazi nos EUA.

 Muitos aconselharam Chaplin a não fazer um filme que ridicularizasse Hitler e a Alemanha nazi, uma vez que isso poderia pôr em risco não só a sua carreira, como as relações entre os dois países. 

Apesar dessas pressões e ameaças a que foi sujeito, Chaplin conseguiu superar os obstáculos e realizar o filme, que se tornou um enorme sucesso comercial e uma obra-prima do cinema.

Um dos aspectos que mais me impressiona, em termos estritamente cinematográficos, é o facto que, com a passagem do cinema mudo para o cinema sonoro, quase todos os grandes actores do primeiro, foram ultrapassados pelas novas solicitações de desempenho artístico associadas ao som. 

Charles Chaplin, pelo contrário, utiliza e potencia toda a movimentação do cinema mudo, como uma clara mais-valia neste filme sonoro.

Praticamente não dizendo uma única palavra em alemão, as imitações de Hitler, são brilhantes, arrebatadoras e hilariantes.

Conseguimos “perceber” tudo.

A cena, em que estando debaixo da janela da namorada, Chaplin é atingido com uma frigideira na cabeça e como percorre toda a rua cambaleando, quase a desfalecer, ou as cenas do barbeiro, são notáveis.

São movimentos típicos do cinema mudo, decalcado para o cinema sonoro, magnificamente representados por Charles Chaplin. 

Seguem-se outras personagens. Benzino Napaloni (Benito Mussolini), magistralmente representado pelo actor norte-americano Jack Oakie, bem como outros actores tais como Paulette Goddard, Henry Daniell, Billy Gilbert, entre outros.  

Nos anos 50, Charles Chaplin foi vítima do macarthismo (a famigerada caça às bruxas), tendo sido impedido de viver nos Estados Unidos, e forçado a exilar-se na Suíça, onde residiu até à sua morte.

Em 1972, foi-lhe atribuído o Óscar Honorário, onde foi aplaudido durante 12 minutos seguidos, um recorde ainda não ultrapassado.

Quanto ao “Grande Ditador”, não só criticou os regimes totalitários, como lançou um repto de luta pela Liberdade que teve eco em todo o mundo.

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