Em Portugal o socorro é assegurado por cerca de 31.000 Bombeiros, 94% dos quais voluntários nos Corpos de Bombeiros de 429 AHBV, a seguir designadas por Associações, que em conjunto tem cerca de 13.000 veículos de apoio a doentes, de combate a fogos e de socorro a sinistros.
No final do séc. XIX surgiram as primeiras Associações, então denominadas Reais Associações, para suprir as faltas de apoio às Populações e as falhas no socorro.
No séc. XX, em tempos de República, em cada concelho do continente e das ilhas, surgiram uma ou mais Associações, cada uma com o seu Corpo de Bombeiros, tendo as Populações assumido a tarefa de as fundar, aprovar Estatutos, pagar quotas, aprender a ser Bombeiro, construir Quarteis, formar Corpos de Bombeiros e adquirir carros velhos para deles fazer veículos de socorro.
Nos 308 Municípios do país, há também 33 Corpos de Bombeiros Profissionais, sendo 14 Municipais, 10 Sapadores, os primeiros criados no séc. XIV e 9 Privativos, que em conjunto totalizam 1.900 Bombeiros Profissionais e apenas 6% do efetivo, concluindo-se que, a maioria do apoio e do socorro às Populações, é assegurado pelos Bombeiros Voluntários.
As Associações aprenderam a cooperar e ergueram o edifício associativo que hoje é encimado pela LIGA (Confederação dos Bombeiros Portugueses), mas os tempos mudaram e as necessidades das Populações são outras, na proteção e no socorro, no combate a fogos urbanos, industriais e florestais, no transporte de doentes urgentes e não urgentes, nos acidentes graves em terra, mar e ar e nas catástrofes naturais com as que vivemos.
A necessidade, fez a arte e o engenho e chegados aos tempos de hoje, os meios Humanos e Técnicos das Associações são requisitados e coordenados por Estruturas do Estado, como a ANEPC (Associação Nacional de Emergência e Proteção Civil), o INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) e as ULS (Associações Locais de Saúde), não sendo as Associações justa e devidamente ressarcidas dos serviços prestados e esperam meses para receber.
Para ser Bombeiro Voluntário é necessário ter o 12º ano, ser altruísta, ter coragem, saber operar sofisticados meios de comunicação e de socorro, de suporte de vida, de combate a incêndios e apesar destas aptidões, os 7.000 Bombeiros Voluntários Assalariados, não tem carreira profissional e recebem pouco mais do que o SMN (Salário Mínimo Nacional).
Algumas Autarquias, conscientes do risco que correm as Populações e tendo meios financeiros, aumentaram o apoio às Associações, para que estas paguem melhor aos Bombeiros e para que tenham mais e melhores meios, mas outras não o podem fazer.
É consensual afirmar ser necessário dispor de mais Bombeiros Voluntários Assalariados, com carreiras definidas e salários dignos, consentâneos com as suas competências, que os compensem do risco da atividade e das situações traumatizantes que, quotidianamente, observam e com coragem enfrentam, sendo igualmente necessário definir o Estatuto do Dirigente Associativo pois, também eles são voluntários.
Para tratar destes assuntos, que muito preocupam as Associações e os Bombeiros, no passado mês de novembro, em Alcobaça, reuniu o 45º Congresso da LIGA, participado por mais de 1.100 Delegados, tendo as Federações e as Associações, apresentado 16 Moções que refletiram as questões acima referidas, tendo sido complementares no diagnóstico e nas soluções.
O Governo esteve representado pelo Primeiro-Ministro e Secretário de Estado da Proteção Civil, que fizeram longas intervenções, para dizer que conheciam os problemas das Associações e dos Bombeiros, que iam ultimar medidas e ações para as ultrapassar, as quais seriam dadas a conhecer até março de 2026.
O povo diz que “quem espera desespera” e os Bombeiros Voluntários e os Dirigentes Associativos, estão cansados e desiludidos com tanta desconsideração e desrespeito, sabendo ainda que, as dificuldades vividas em muitas Associações, são consequência:
Dos serviços prestados ao Estado muito abaixo do custo real;
Das Entidades Públicas, acima referidas, pagarem muito tarde os serviços recebidos.
Neste quadro, as consequências são facilmente entendíveis e conduzirão:
Primeiramente à degradação dos meios, nomeadamente dos veículos e das instalações;
Depois à desmotivação dos voluntários, sejam eles Bombeiros ou Dirigentes;
E por fim virá a falta de apoio às Populações e do socorro a quem dele precisar.
Os leitores já terão percebido que estamos a falar da sua segurança, da segurança das suas famílias e dos seus bens.
A manterem-se as atuais situações, este numeroso e corajoso “exército” pode desmobilizar e tudo pode voltar ao séc. XIX, ou seja, à falta do apoio e do socorro.
Para evitar que tal aconteça, perante o abuso das referidas Estruturas do Estado, à falta de resposta do Governo e à incapacidade das Autarquias, teremos de refletir sobre:
O que quer o País das Associações Humanitárias de Bombeiros Voluntários?
Quantas famílias estão Associadas na Associação da sua freguesia ou do seu concelho?
Porque não estão as famílias associadas na Associação da sua terra, sabendo que o pequeno valor da quota mensal, pode fazer a diferença e que esta, pode valer tudo?
Acreditamos que seja qual for a decisão do Governo e venha quando vier, serão as Populações, as Empresas e as Autarquias (Freguesias, Câmaras, ANAFRE e ANMP) a juntar esforços para viabilizar e defender as Associações Humanitárias de Bombeiros Voluntários, criadas e trazidas até nós, por voluntariosos e mui dignos antepassados.
Para que seja assim, é necessário agora, ajudar para ser ajudado.