No dia 21 de março, realizaram-se um pouco por todo o país marchas pela vida; Setúbal não foi exceção, tendo recebido centenas de famílias e associações pró-vida.
Estas marchas, que se realizam há vários anos, têm o mérito de congregar famílias conservadoras e defensoras da vida, da dignidade das mulheres, das mães e da família como elo central da sociedade e da nação.
No entanto, um extremista de esquerda tentou fazer uma declaração política ao regar mães, pais e crianças, algumas com bebés, com gasolina, atirando-lhes um “cocktail de molotov”. Porém, graças à intervenção rápida da polícia e à ação de alguns participantes na marcha, o terrorista foi imobilizado e prontamente detido.
O que se passou a seguir na comunicação social foi um claro branqueamento do ocorrido, com um destaque mínimo para o ataque terrorista. Este tem sido o modus operandi desde 1974, como se existisse um ódio da extrema-direita e um ativismo da extrema-esquerda. Uns fazem publicações nas redes sociais e são rapidamente julgados e presos por crimes de ódio, enquanto outros agridem deputados da nação em manifestações, tentam queimar famílias num ato bárbaro de ódio e são colocados em liberdade.
Não pode haver um ódio mau quando vem da direita e um ódio bom quando vem da esquerda.
Esta hipocrisia vem dos primórdios da nossa democracia, mais concretamente desde abril de 1974, quando a extrema-esquerda aniquilou toda a direita, deixando apenas aquilo a que o professor Jaime Nogueira Pinto se referiu como “não termos tido uma direita em Portugal durante 40 anos. Só a direita da esquerda”.
Até aparecer o CHEGA.
O relatório das “sevícias”, que descreve as torturas praticadas pela extrema-esquerda após a Revolução de Abril, quando foi desclassificado, teve pouca ou nenhuma cobertura mediática.
Porquê? Porque mostra os abusos da extrema-esquerda que criticava a ditadura do Estado Novo, mas que prendeu sem mandado, torturou e manteve em cativeiro milhares de portugueses, sem que estes tivessem sido condenados por qualquer crime e de forma arbitrária.
Foi esta mentalidade que a direita permitiu e que a extrema-esquerda e até a esquerda moderada incentivaram, formando uma cultura de permissividade para os ativistas do “ódio bom” e de perseguição para os outros, os do “ódio mau”.
Para mim, é claro, só existe ódio, independentemente de serem de esquerda ou de direita.
Quem nasceu no Barreiro e cofundou a Juventude Popular nessa terra sabe bem o que sofreu com o ódio do ativismo da extrema-esquerda nos anos 90. São essas lições de democracia que não podemos esquecer, sobretudo quando hoje os mesmos vêm acusar o CHEGA de ser uma ameaça à democracia.
O exemplo dado pela direita no parlamento, desde o PSD até ao CHEGA, quanto à tentativa de atentado perpetrado no dia 21 de março, mostrou uma união na condenação do ato, face a uma extrema-esquerda e uma esquerda que pretendiam branquear o mesmo.
A direita tem de deixar, de uma vez por todas, de ser a direita que a esquerda quer e tem de se unir para realizar as reformas de que Portugal precisa: valorizar o que é nosso, nomeadamente a nossa língua e a nossa cultura; incentivar a natalidade; apoiar as famílias e as nossas empresas; e colocar o país sempre acima dos partidos e dos interesses corporativos ou pessoais.