Erros e omissões

Erros e omissões

Erros e omissões

20 Fevereiro 2026, Sexta-feira
Deputado do PS

O País foi assolado por um comboio de tempestades, com efeitos devastadores no território, famílias e empresas. O nosso distrito não foi exceção, e a situação dos concelhos de Alcácer do Sal e de Almada inspiram a maior das preocupações.


Em Almada, pagamos hoje um preço muito caro de erros de licenciamento urbanístico ou de desleixo perante construções em zonas sensíveis. Mas esses erros e omissões do Estado (sejam da Administração Local ou Central) não nos pode fazer esquecer famílias, muitas delas que estão na iminência de não poder regressar às casas em que vivem há décadas. Famílias que são hoje confrontadas com um enorme vazio. O desespero com que são hoje confrontados não pode ter uma resposta passiva das autoridades, exige uma ação determinada. Uma ação que não repita os erros do passado, e que garanta a dignidade da alternativa (que será sempre difícil) e que tem de lhes ser apresentada com a brevidade possível.

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Em Alcácer do Sal, a devastação de infraestruturas e a destruição de grande parte do comércio local impressiona pela dimensão da tragédia.


Estive no terreno e testemunhei esta catástrofe. Mas também testemunhei a determinação e firmeza das Presidentes Inês de Medeiros (Almada) e Clarisse Campos (Alcácer do Sal). A forma como arregaçaram as mangas para acudir à emergência e para preparar a reconstrução que se segue. Testemunhei, também, a valentia das populações e a solidariedade de vizinhos. Foi particularmente duro estar duas vezes na mesma semana em Alcácer do Sal e ver como os mesmos que no início da semana tinham limpado os seus negócios, o tiveram de voltar a fazer dias depois com nova cheia. Em nenhum momento vi resignação. Vi tristeza, sim, apreensão com o futuro, mas muita determinação para dar a volta por cima.


Temos uma obrigação com todas estas pessoas. Temos obrigação enquanto Estado e enquanto sociedade. E confesso que me preocupa a eficácia dos apoios já anunciados pelo Governo. Os pequenos negócios não precisam de endividamento, precisam de apoio efetivo. As famílias precisam de soluções de habitação com dignidade. Mesmo as soluções provisórias têm de ser soluções dignas.

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E precisamos, uma vez por todas, de olhar para o nosso território e torná-lo mais resiliente. O que se está a passar hoje com a construção massiva na nossa costa alentejana é a repetição de erros do passado. Com melhor gosto urbanístico, mas igualmente perigoso. A emergência climática e a erosão costeira devem-nos a todos fazer parar e pensar. É tempo, de uma vez por todas, de olhar para territórios como a Fonte da Telha ou o Porto Brandão e ter a coragem de fazer o que tem de ser feito. Com respeito pelas pessoas que lá moram, mas com sentido de responsabilidade para com todos. Olhar para décadas atrás e lembrar da resistência que Carlos Pimenta teve na tentativa de ordenar a Fonte da Telha, ou lembrarmo-nos da derrocada há cerca de 30 anos do edifício do antigo Asilo 28 de Maio, e como todos deixámos o perigo continuar silencioso, tão silencioso como o comportamento de todos nós. Não há margem para novos erros e omissões.

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