Entre o papel e a chave: a hora da habitação em Setúbal

Entre o papel e a chave: a hora da habitação em Setúbal

Entre o papel e a chave: a hora da habitação em Setúbal

, Militante do PSD
12 Fevereiro 2026, Quinta-feira
Militante do PSD

A habitação deixou há muito de ser apenas um tema social — é hoje um dos principais indicadores de justiça territorial e de qualidade de governação local. Em Setúbal, essa realidade sente-se de forma particularmente intensa: famílias com dificuldade em suportar rendas, jovens sem capacidade para sair de casa dos pais e trabalhadores que, apesar de emprego estável, não conseguem encontrar casa no concelho onde vivem e contribuem.

O município não parte do zero. Existe uma Estratégia Local de Habitação aprovada desde 2020, existem instrumentos de planeamento e, mais recentemente, a proposta de Orçamento e as Grandes Opções do Plano voltam a colocar a habitação no centro das “funções sociais” do investimento municipal. Fala-se de reabilitação do parque público, de captação de financiamento externo, de projetos para renda acessível e de articulação com programas nacionais de apoio. No plano das intenções, o enquadramento parece correto.

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O problema, como tantas vezes sucede na política local, está no ritmo da execução.

A cidade não precisa apenas de estratégias bem escritas — precisa de obras visíveis. A reabilitação do património municipal é indispensável e deve continuar, mas, por si só, dificilmente responderá à escala da procura. A nova oferta habitacional é inevitável. E é aqui que o debate tem de evoluir para além dos modelos tradicionais de construção, que frequentemente se arrastam por anos entre projetos, concursos e derrapagens.

É neste ponto que se impõe uma discussão séria sobre construção modular para habitação destinada a renda acessível.

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A construção modular não é uma solução experimental nem um capricho tecnológico. É um método amplamente utilizado em vários países europeus para dar resposta rápida a necessidades habitacionais urgentes, com custos controlados, menor impacto ambiental e maior previsibilidade de prazos. Não substitui a construção convencional em todos os contextos, mas pode ser uma ferramenta decisiva quando o objetivo é ganhar tempo sem sacrificar qualidade.

Setúbal tem terrenos municipais disponíveis, tem carência habitacional identificada e tem enquadramento estratégico aprovado. O que falta é introduzir maior ousadia na forma de executar. Utilizar construção modular para parte dos projetos de renda acessível permitiria acelerar prazos, testar soluções urbanísticas e reduzir o hiato entre decisão política e entrega efetiva de chaves.

Não se trata de escolher entre reabilitar ou construir — trata-se de fazer ambas as coisas com inteligência e sentido de urgência.

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O atual executivo municipal herdou constrangimentos financeiros que ninguém ignora. Mas precisamente por isso, a eficiência deve ser a palavra-chave. Governar em contexto difícil não significa governar em modo de espera. Significa priorizar, inovar e comunicar resultados concretos. A habitação é uma dessas prioridades que não admite adiamentos sucessivos.

A pressão sobre o executivo não deve ser hostil, mas também não pode ser inexistente. É legítimo que os munícipes esperem mais rapidez, mais transparência e mais soluções tangíveis. A liderança municipal conhece o tema, participou no passado na aprovação da estratégia e tem agora a oportunidade de a transformar em legado material. Essa experiência deve traduzir-se em ação — não em prudência excessiva.

Setúbal precisa de casas. Precisa de projetos que avancem, de prazos que se cumpram e de políticas que saiam do papel. A construção modular pode não ser a única resposta, mas pode ser a diferença entre discutir o problema durante anos ou começar finalmente a resolvê-lo.

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