Todos aplaudem a disponibilidade dos Bombeiros, o seu esforço e altruísmo, a sua dedicação e coragem.
Tais palavras são justas, o reconhecimento é merecido, mas não passamos disto…
Os Bombeiros são o braço solidário da Proteção Civil, os primeiros a chegar, os últimos a partir, socorrendo pessoas, animais e bens, sem distinguir a quem e cuidando de todos por igual.
Os Bombeiros para socorrer as Populações e as Empresas, precisam de meios técnicos adequados, de EPI´s (Equipamentos de proteção individual) que garantam a sua integridade física e de Quartéis como base de apoio e de acolhimento.
Em certas situações, os Bombeiros precisam de apoio psicológico que os ajude a ultrapassar traumas vividos e a permitir o regresso ao ambiente familiar e profissional, com a confiança do dever cumprido.
O atual MAI (Ministro da Administração Interna) no início do mandato, fez e bem, périplo pelos Distritos, visitou Quartéis, ouviu Bombeiros e Dirigentes e no final de cada visita, reuniu com Comandos e Direções, para fazer o balanço do que vira e ouvira e dizer ao que vinha.
A atitude do MAI agradou, ficando a esperança de que a sua ação governativa, iria trazer algo de positivo às AHB´s (Associações Humanitárias de Bombeiros).
Mas o Orçamento de Estado para 2027, mantém o valor do ano anterior, já então desajustado da realidade em cerca de 33%, sendo a “prova do algodão do MAI”, agravada pela subida da inflação, gasóleo mais caro e assim, o MAI poderá vir a ser “mais do mesmo”.
Se os meios e os equipamentos usados pelos Bombeiros são necessários, caros e têm de ser pagos, se o apoio ao combustível é reduzido e tarda em chegar, se a eletricidade, as comunicações e o IVA não tiverem uma diferenciação positiva, é de esperar o pior.
Se os Bombeiros participam no SIEM (Sistema Integrado da Emergência Médica), prestam serviços abaixo do preço de custo às ULS (Unidade Locais de Saúde) e ao INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) e se os pagamentos são feitos com atraso então, a situação financeira das AHB´s só pode agravar.
Se na época dos fogos os Bombeiros:
Ouvem falar do SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal) e dos Meios Aéreos, das suas falhas, insuficiências e das muitas centenas de milhões de euros neles gastos, fica a certeza de que só faltam recursos para os Bombeiros;
Integram as Equipas da ANEPC (Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil) e constatam ser insuficiente e descoordenada a logística na frente de fogo, os períodos de trabalho são longos, intensos e em terreno difícil, os veículos saem dos Quartéis operacionais e abastecidos e regressam com avarias e depósitos vazios, sendo o reembolso destes gastos “muito sinuoso” e tardio, confirma-se que os Bombeiros são o parente pobre da Proteção Civil.
Se a concorrência desleal no transporte de doentes, é crescente, obscura, lesiva do erário público e ainda não investigada, com os Hospitais e o INEM a entregarem serviços a ambulâncias, cuja sede fica a centenas de quilómetros de distância, deixando as ambulâncias dos Bombeiros paradas nos Quartéis, então o futuro das AHB´s fica difícil de entender.
Em conclusão, o Orçamento de Estado de 2027 destina 37M€ para as 429 AHB´s o que dá para cada uma, a média de 86 mil euros, pelo se pergunta:
Até quando vão as AHB´s aguentar tamanho espúrio financeiro e desconsideração pelos Soldados da Paz?
Como aceitar a política “de dois pesos e duas medidas”, ou seja, de milhões de euros para alguns e de migalhas para os Bombeiros?
Para quando a atribuição às AHB´s, de meios adequados, legítimos e justos, para o desempenho das funções de Proteção Civil, asseguradas pelos seus Bombeiros?
Quando teremos Governos capazes de honrar a palavra dada e de cumprir o prometido?
E quando serão penalizados os prometedores de promessas não cumpridas?
Se no passado as Populações, para sua defesa e segurança, souberam criar os Bombeiros e com arte e engenho, contribuíram para a sua modernização e desenvolvimento, pergunta-se também:
O que querem, agora, as Populações dos seus Bombeiros?
Porque não as apoiam, associando-se numa Associação Humanitária de Bombeiros?
No quadro descrito, como esperar, no futuro, ter o apoio e o socorro dos Bombeiros?
E quando a desgraça chegar e o socorro for urgente, haverá Bombeiros disponíveis?
Só a honra de servir e não ser servido, está a impedir os Bombeiros de “atirar a toalha ao chão”.
Mas até quando?
Não se pode brincar com coisas sérias e muito menos com a Proteção Civil dos Portugueses.
Nas AHB´s lutamos todos os dias, tenazmente, para manter os corajosos Bombeiros Voluntários, operacionais e com meios que garantam, a todos, o competente socorro.
Mas até quando?
Precisamos que o Governo entenda que está a usar, na Proteção Civil e no Socorro, meios que são das AHB´s e por isso, é justo que sejam devidamente ressarcidas dessa utilização.
Precisamos que, Populações e Empresas de cada localidade, adiram à AHB mais próxima e que, de forma altruísta e desinteressada, ajudem para serem ajudados.