No dia 12 de setembro decorre mais uma edição da Corrida/Caminhada pelo Hospital no Seixal. A partir das 19 horas, a Baía do Seixal vai encher-se de atletas e população em geral que vem reivindicar um equipamento essencial para a melhoria da qualidade de vida da população e para a prestação de cuidados de saúde no concelho: o Hospital do Seixal.
A Câmara Municipal do Seixal, em parceria com o Núcleo do Sporting Clube de Portugal do Seixal, e com o apoio da Comissão de Utentes de Saúde do Concelho do Seixal, da Plataforma Juntos pelo Hospital, das juntas de freguesia e do movimento associativo promovem esta iniciativa, que se constitui como mais uma importante ação de mobilização e de luta pela construção do Hospital Público no Seixal, uma reivindicação da população, das autarquias e dos utentes que se prolonga há quase duas décadas. Apesar das várias etapas já anunciadas, a concretização deste equipamento de saúde continua por cumprir, mantendo-se como uma necessidade essencial para a população.
A construção de um Hospital Público no Seixal é fundamental para garantir uma resposta mais qualificada do Serviço Nacional de Saúde (SNS) às necessidades da população e para assegurar o direito constitucional à saúde, contribuindo de forma decisiva para a melhoria das condições de vida de todos.
Porém, os cerca de 400 mil habitantes dos concelhos do Seixal e de Almada continuam a aguardar que o Hospital do Seixal se torne uma realidade. E, em simultâneo, assistem à sobrecarga dos serviços no Hospital Garcia de Orta, que serve os utentes dos concelhos de Almada e Seixal. Exemplos fulcrais são os problemas nos serviços de obstetrícia e urgências pediátricas que se estão a refletir no aumento da mortalidade infantil nos concelhos de Almada e Seixal. Estes dois concelhos há muito que tinham o número da mortalidade infantil abaixo da média nacional, todavia, segundo a Pordata, em 2024 e 2025, passaram a ter números superiores à média nacional, o que demonstra uma degradação grave dos serviços do hospital, que urge rapidamente reverter. A este problema adicionamos o facto de serviços do hospital, como o Núcleo de Oftalmologia, já terem sido construídos fora do Hospital Garcia de Orta, por não haver espaço para os construir dentro do hospital. Como também é preocupante o que se passa com as urgências do Hospital Garcia de Orta e as muitas horas de espera a que os utentes são obrigados por falta de resposta, sendo que muitas das vezes o problema nem é a falta de profissionais, mas sim a falta de espaço para atender os utentes.
O acesso aos cuidados de saúde é um direito fundamental consagrado na Constituição da República Portuguesa. Exigimos um SNS universal, geral e tendencialmente gratuito, centrado no doente, porque a saúde é um recurso estruturante do desenvolvimento social, económico e pessoal e uma dimensão fundamental da qualidade de vida, pelo que o Governo deve responder com investimento adequado às reais necessidades da região.
A Câmara Municipal tem investido na criação de condições para a abertura e requalificação dos centros de saúde, como é o caso, por exemplo, dos Foros de Amora ou de Aldeia de Paio Pires. Mas a Câmara não se pode substituir ao Governo naquilo que são as suas competências. A construção do Hospital do Seixal é uma obra do Governo. A contratação de profissionais também é da competência do Poder Central. Cabe a todos exigir que o Governo cumpra com as suas obrigações.
Na Corrida/Caminhada pelo Hospital no Seixal vamos, todos juntos, fazer ouvir a nossa voz e mostrar, uma vez mais, que estamos unidos para que a construção deste equipamento seja efetivamente uma realidade, a bem da saúde de todos nós.