23 Maio 2024, Quinta-feira

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As prévias exigências de um novo ciclo

As prévias exigências de um novo ciclo

As prévias exigências de um novo ciclo

A afluência às urnas no passado domingo foi consideravelmente expressiva. A participação recuperou dados de há 15 anos e o Círculo Eleitoral de Setúbal acompanhou a adesão.

Nos vários atos eleitorais do passado mais recente foram múltiplos os apelos para que o exercício do dever de votar tivesse maior expressão. Este teve. Ainda bem. A Democracia revelou-se viva.

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Portanto, só há que saudar os cidadãos que exerceram  um direito que tanto sofrimento causou a muitos, no tempo lá atras, para que fosse realidade.

Esta participação é indissociável da passagem do 50º aniversário da Revolução que nos devolveu a liberdade e a esperança no futuro.

Se é assim com a participação, outras questões mais profundas levantam-se quanto ao resultado das escolhas.

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Quando um Partido com as características do Chega obtém a adesão de um milhão de cidadãos, devem tocar alarmes.

Chegados aqui, anos depois do fenómeno noutros países, é necessário perceber as razões pelas quais um partido como o Chega alcançou o resultado que alcançou.

Essa análise tem e deve ser feita pelo PS, Partido estruturante da Democracia Portuguesa, e pelos demais Partidos que estiveram na génese do regime democrático.

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Falharam as práticas que foram seguidas relativamente à ‘cerca sanitária’.  Enganámo-nos e caímos naquele trivial erro de que “só acontece aos outros”.

Tínhamos exemplos por essa Europa fora que serviam de aviso. Desvalorizámos!

Este fenómeno não tem paralelismo com o do surgimento do PRD. Isto é outra coisa!

O leite foi derramado e o que há a fazer é vedar.  Urgentemente. O combate é político, exige desconstrução do discurso fácil e ardilosamente lampeiro.

E há inevitavelmente de saber as razões objetivas que levam os cidadãos a votar num partido de extrema-direita.

Neste processo, que já se vai iniciar tarde,  saber ouvir, ouvir de verdade, com inteira liberdade, é o ponto de partida. É essencial ao diálogo e ao suporte das decisões. É a atitude que entendo que o meu próprio Partido deve ter, com humildade.

Ao arrepio do que sucedeu noutros círculos eleitorais, o  PS foi no círculo eleitoral de Setúbal  o Partido que recolheu a maior percentagem de votos nos treze concelhos, ficando em todos eles em primeiro lugar, com uma percentagem global superior a 31%, a uma distância considerável do segundo partido mais votado, exatamente o Chega. É obviamente positivo no contexto, mas não  reconforta em face das expetativas gerais, nomeadamente pelo muito e positivo trabalho desenvolvido em múltiplos aspetos a nível nacional.

Portanto, também a nós, por cá, em Setúbal, cabe uma ampla reflexão. Vai ser feita.

Até porque, como disse o Secretário Geral do PS, Pedro Nuno Santos, o “PS é o porto seguro para os portugueses” e, acrescento eu,  tem de estar sempre preparado para agir em nome dos superiores interesses de Portugal. No dia 10 de março abriu-se um novo ciclo no PS que, a meu ver,  não pode dispensar as questões prévias que aqui enunciei.

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