14 Abril 2024, Domingo
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Já não se pode nascer na margem sul!

Os constrangimentos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) sempre existiram, especialmente nos meses de inverno com o aumento da patologia respiratória. Contudo, sempre se conseguiu gerir o atendimento e dar resposta a quem mais precisava mesmo nas alturas de maior afluência. Mas, e especialmente, após o período de pandemia, a falta de atratividade das carreiras na saúde, os baixos salários, o número exagerado de horas extraordinárias e as más condições de trabalho, ditaram o êxodo de médicos e enfermeiros para o setor privado e alguns optaram mesmo por deixar o país.

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O atendimento nas urgências e os tempos de espera para consultas de especialidade bem como para a realização de exames e outros meios complementares de diagnóstico agravaram-se, Portugal atingiu um milhão e setecentos mil utentes sem médico de família, sendo a região de Lisboa e Vale do Tejo (zona em que se insere grande parte do Distrito) a mais afetada a nível nacional.

O Governo criou uma Direção Executiva como promessa para a resolução de todos os problemas e dotou esta com muitos milhões de euros. Contudo, nada aconteceu e o cenário piora diariamente. Quase todas as especialidades são afetadas pela falta de médicos, mas a especialidade de ginecologia e obstetrícia tem sido a mais preocupante. No ano passado, foi notícia a grávida do Seixal, que após parar em várias unidades hospitalares só conseguiu fazer o parto nas Caldas da Rainha, a dezenas de quilómetros de casa.

O calendário do SNS, mostra que em Portugal Continental, a margem sul será a área mais afetada, pelo menos até ao final de janeiro. Entre outubro de 2023 e janeiro de 2024, a média de encerramentos por mês, das maternidades dos hospitais do distrito de Setúbal, ronda os 14 dias.

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Segundo o programa “Nascer em segurança”, no Centro Hospitalar Barreiro-Montijo só é possível nascer, em segurança, duas semanas por mês, até ao final de dezembro. Em Almada, o SNS considera seguro nascer no Hospital Garcia de Orta, em 16 dias do mês de dezembro 16 e em janeiro 19. O único hospital de categoria central da margem sul terá o bloco de partos encerrado todos os fins de semana, até janeiro. As sextas-feiras não serão de fecho, mas o serviço não funcionará em pleno o que quer dizer que, naqueles dias, a unidade poderá a qualquer momento não ser capaz de dar resposta. O Centro Hospitalar de S. Bernardo, em Setúbal, também não é exceção no que toca aos fechos programados do serviço de Obstetrícia. Em dezembro há 17 dias em que é considerado seguro nascer. São os dias em que o SNS prevê ter especialistas suficientes para assegurar nascimentos naquela unidade hospitalar.

A qualidade de vida no Distrito continua a decrescer e agora até para nascer é preciso ter sorte. Aquele que já foi considerado o melhor sistema de saúde público do mundo definha moribundo nas mãos da gestão danosa do partido socialista, que recusa recorrer ao setor privado e/ou social e quem sofre são os utentes.

É hora de dizer CHEGA!

Bruno Nunes
Deputado do Chega
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