24 Fevereiro 2024, Sábado
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Tempos de ignomínia

Quem diria que depois da 2ª Guerra Mundial, do holocausto, de Hiroxima e Nagasaki, voltávamos a  ver horrores como o que está a acontecer. Quase três milhões de pessoas cercadas numa nesga de terra e a quem foi cortada a água, a luz, os alimentos, sujeitas a bombardeamentos. Perfilando-se ainda maior inferno.

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No momento que escrevo, sexta-feira de manhã, já há centenas de mortos e feridos onde se incluem médicos, funcionários das Nações Unidas e voluntários do Crescente Vermelho. Hospitais, foram atingidos pelos bombardeamentos e estão na iminência de ficar sem um mínimo de condições para tratarem tantos feridos. Até bebés nas incubadoras, correm perigo de vida pela previsível falta de combustível para os geradores. E todo este inferno, provocado precisamente pelos descendentes das principais vítimas do holocausto nazi.

A ocupação ilegal de grande parte da Palestina por Israel,a criação de colonatos, os diversos controlos de circulação permanentes e provisórios, a repressão para impor tudo isso ao longo de décadas que causou milhares de mortos e presos, é a mais antiga e grave violação do Direito Internacional. Aliás, condenada por diversas resoluções aprovadas na Assembleia Geral da ONU, mas nunca implementadas por imposição contra dos EUA no Conselho de Segurança.

Há dias, numa entrevista na SIC Notícias, o presidente da CM de Lisboa, Carlos moedas, acusou o PCP e o BE de apoiarem o HAMAS e os seus “crimes hediondos”.

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O senhor Moedas, pessoa bem informada, mentia conscientemente. É um bom exemplos de todos os senhores moedas que têm acesso à televisão, rádio e jornais, que omitem, deturpam e mentem conscientemente para influenciarem, para manipularem, as pessoas. Milhões de pessoas.

Os oradores que se dirigiram aos milhares de participantes na concentração de quarta-feira passada no Martim Moniz em Lisboa, convocada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação, contra a guerra e pela libertação da Palestina (teria passado nalguma televisão?) lamentaram todas as vítimas desta e de todas as guerras. O que, evidentemente, mereceu o aplauso dos muitos comunistas ali presentes. Tal como bloquistas, gente porventura de outros partidos ou sem partido nenhum. Democratas que, como costuma dizer a presidente do CPPC, Ilda Figueiredo, amantes da paz.

A tão badalada comunidade internacional que habitualmente se resume à UE, EUA e seus aliados, condenou de imediato, nós também, as ações contra Israel e manifestou-lhe todo o seu apoio. Nomeadamente os segundos, os que sempre apoiaram o que deu origem a tudo isto e o que mais se verá, ao reprovarem as tais resoluções que condenam Israel pela ocupação de outro país e pela repressão e humilhação do seu povo, pelo terrorismo de Estado. Apressando-se a enviar representantes a Israel e não a Gaza.

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Triste foi também, aprovado pelo PS, PSD, IL e Chega, as cores do Estado violador e opressor  a iluminarem a Assembleia da Republica.

Enfim, tempos de tristeza, violência e hipocrisia. Tempos de ignomínia.

Francisco Ramalho
Professor, Corroios
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