6 Outubro 2022, Quinta-feira
- PUB -
InícioOpiniãoPENSAR SETÚBAL: Fernando Pedrosa: o decano dos presidentes do Vitória Futebol Clube

PENSAR SETÚBAL: Fernando Pedrosa: o decano dos presidentes do Vitória Futebol Clube

Um destes dias, a minha querida amiga e Grande Vitoriana Helena Parreira telefonou-me, para me dar a triste notícia do falecimento de Fernando Pedrosa,

- PUB -

Em 2020, Fernando Pedrosa teve a amabilidade de me convidar para um almoço, convite esse que aceitei de muito bom grado, tendo em conta a dimensão, o prestígio e a inspiração que sempre despertou em todos os vitorianos.

Fernando Pedrosa era o decano dos presidentes do Vitória Futebol Clube, constituindo uma figura incontornável no universo e afectos vitorianos.

Em 1958, Fernando Pedrosa ingressou pela primeira vez na direcção do Vitória, na altura presidida por Mário Ledo, na qualidade de vogal.

- PUB -

Em 1962, na direcção de Virgílio Fernandes, chegou a vice-presidente, na mesma altura em que foi inaugurado o Estádio do Bonfim.

A partir de 1963, passou a ser o presidente da direcção, mantendo-se no cargo ininterruptamente até 1970. Foi também presidente, de 1971 a 1973.

Durante esta sua vigência, o Vitória Futebol Clube atingiu e manteve o seu período dourado, com um segundo lugar na 1ªLiga, quatro presenças consecutivas em finais da Taça de Portugal, duas Taças ganhas, em 1965 e 1967, Taça Teresa Herrera, Mini-Copa do Mundo, Troféus Ibéricos, bem como onze participações consecutivas nas Taça UEFA e Taça das Taças, eliminando equipas de nomeada tais como Leeds United, Anderlecht, Liverpool, Inter de Milão, Spartak de Moscovo, Rapid de Bucareste, Hadjuk Split, Fiorentina.

- PUB -

Foi com Fernando Pedrosa que se fizeram os melhores negócios com a venda de Jaime Graça para o Benfica, com a cedência definitiva de Guerreiro, Arcanjo e Pedras, bem como a venda de Vítor Baptista também para o Benfica, e com a cedência definitiva de José Torres, Matine e Praia, para além de dois importantes encaixes financeiros.

Tirando o meu querido amigo Guerreiro, todos os citados anteriormente já faleceram. Uma tristeza.

Durante o animado repasto, um assunto sempre recorrente a que ambos regressámos invariavelmente foi o nosso Vitória, fonte de afecto, de inspiração, mas também de preocupação, comuns a ambos, pelos motivos sobejamente conhecidos.

Na ocasião, Fernando Pedrosa manifestou a sua profunda preocupação pelo actual estado em que se encontra o Vitória Futebol Clube, salientando tal que era, na sua opinião, espectável.

Um aspecto que considero extremamente importante e grave e que na altura só o mencionei com a sua autorização explícita, diz respeito ao facto de, ao longo de alguns anos a esta parte, a Liga contactar particularmente Fernando Pedrosa, para que este alertasse os dirigentes do Vitória, relativamente às irregularidades processuais a que as inscrições na 1ª Liga estavam sempre sujeitas. Fernando Pedrosa avisava, de imediato, os responsáveis vitorianos em funções.

Dito de outra forma. O Vitória apresentou regularmente falhas na entrega de documentação, a que os responsáveis da Liga faziam vista grossa.

Dessa vez, os dirigentes colocaram-se a jeito, não entregaram a documentação necessária e não houve contemplações. 3ª Liga, sem apelo, nem agravo.

Fernando Pedrosa entendia que a gestão do Vitória deve ser profissionalizada, mas que todos devem servir o Vitória e não servir-se do Vitória. O profissionalismo não exclui a dedicação e o empenho. Pelo contrário, reforça-os.

Manifestou explicitamente a sua satisfação para com a Câmara Municipal de Setúbal, relativamente à aquisição do direito de superfície dos terrenos do Estádio do Bonfim, sendo da opinião que o Vitória Futebol Clube tem um débito de apreço, gratidão e reconhecimento para com a autarquia.

Fernando Pedrosa era um conversador exímio, relatando factos, ocorrências, histórias e pessoas envolvidas, evidenciando uma   memória assombrosa e uma vivacidade narrativa que nos prendiam a atenção, cativavam, inspiravam, entusiasmavam e que ocorreram ao longo destes seus 91 anos de idade.

Com o seu desaparecimento, vira-se uma página relativamente a uma tipologia de dirigentes desportivos que iam no fim do seu dia de trabalho e de forma totalmente gratuita, procurar dirigir o Vitória da melhor forma que podiam e sabiam.

Hoje os tempos são outros, as formas de gerir os clubes profissionalizaram-se.

Todavia, temos muitas saudades dos tempos em que o Vitória era gerido por “amadores” e que deram o exemplo de honestidade e competência, a muitos “profissionais” que vieram a seguir.

Até Sempre, Fernando Pedrosa.

VIVA O VITÓRIA!!!

Comentários

- PUB -

Mais populares

Primeira pedra de construção de empreendimento à beira-rio lançada no município do Barreiro

Novo espaço habitacional pretende atrair famílias locais e jovens a um preço razoável   O lançamento da primeira pedra de construção do novo empreendimento que vai nascer...

Acidente de trabalho com um reboque faz um morto e um ferido

Vitimas estavam a trabalhar debaixo da estrutura que lhes caiu em cima

Polícia Judiciária detém homem em Setúbal suspeito de dezenas de crimes de pedofilia

Suspeito aproveitou-se do facto de coabitar com a jovem de 17 anos para a sujeitar a abusos sexuais, que terão tido início quando a vítima tinha 12 anos
- PUB -