9 Agosto 2022, Terça-feira
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A placa ilegível evocativa do Congresso Republicano de 1909

Como português, setubalense e republicano que sou, fico bastante orgulhoso quando leio e tenho conhecimento histórico que um dos acontecimentos mais marcantes para a consagração da República, ocorreu precisamente aqui em Setúbal.

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Com efeito, em Abril de 1909, decorreu o Congresso do Partido Republicano, no antigo Teatro Rainha D. Amélia, rebaptizado com a República, Teatro Avenida.

Mais tarde, aquando da construção do novo edifício, denominou-se Cine-Teatro Luísa Todi, mudando finalmente o seu nome para Fórum Luísa Todi.

Nesse congresso, decidiu-se pela acção armada, que viria a culminar no 5 de Outubro de 1910, um dos nossos feriados nacionais mais importantes, emblemáticos e representativos e que felizmente voltou a ser feriado de novo, após um interregno perfeitamente incompreensível.

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Nessa ocasião, decorreu a intervenção oratória de Ana de Castro Osório, ao lado de grandes vultos do partido, como Manuel de Arriaga e Bernardino Machado, onde saiu em defesa de um papel mais activo da mulher na sociedade portuguesa e da igualdade de direitos entre homens e mulheres.

Passados cem anos, em 2009, procedeu-se à colocação de uma placa comemorativa, assinalando a efeméride.

Eu sabia que tinham colocado uma placa nas imediações do Fórum e, embora a tivesse procurado na ocasião, ainda não a tinha  encontrado. Entretanto, nunca mais me lembrei da placa.

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Até que recentemente, quando esperava pela abertura das bilheteiras do Fórum, casualmente olhei para o chão, e com grande estupefacção minha, detectei finalmente a placa.

Se pretender apreciar a referida placa, dificilmente o conseguirá fazer, uma vez que esta não está colocada na parede do Fórum Luísa Todi, como nos diria o bom senso, mas… em plena rua, no pavimento adjacente, próximo das bilheteiras do Fórum.

Está no chão para ser pisada repetidamente, sem ser detectada e muito menos lida.

Se alguém se apercebe que é uma placa informativa, dificilmente conseguirá ler o seu conteúdo, uma vez que está escrito em cinzento escuro, sobre placa marmórea da mesma cor. Só quando o sol bate de Nascente e de esguelha, é que se consegue ler. Mas com evidente dificuldade.

Convido o leitor a deslocar-se aí e constatar o que estou a tentar explicar.

Tenho muita dificuldade em compreender quais são os mecanismos decisionais, que levam a que se cometam semelhantes asneiras, tão óbvias, quanto evitáveis, em que várias pessoas estão envolvidas, sem que ninguém dê um murro na mesa.

Todavia, fizeram isso mesmo com o auditório do Largo José Afonso, com as quadrúngulas, e agora com a placa.

Ao colocarmos uma placa ilegível no pavimento, estamos a transmitir a ideia que o Congresso Republicano foi um acontecimento qualquer, sem a importância histórica que merece.

Numa altura em que se celebra o 150º aniversário do nascimento de Ana de Castro Osório, seria oportuno retirá-la do pavimento e colocá-la em lugar de destaque.

Daí que sugiro, como referi atrás que esta placa seja retirada do chão e se coloque outra, com caracteres bem visíveis, em contraste, ou seja: placa de cor clara, informação escrita de cor escura e colocá-la numa das paredes do Fórum Luísa Todi, para que a informação historicamente relevante, possa ser lida e apreciada por todos.

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