21 Maio 2022, Sábado
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Arrábida sem Carros: haverá alternativa?

As praias da Arrábida estão entre as melhores praias da Europa. O Portinho foi considerado uma das sete maravilhas naturais de Portugal e Galapinhos até já foi mesmo considerada a melhor praia da Europa.

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Não admira, portanto, que a sua procura seja enorme, excessiva até. Vivemos na era das redes sociais, em que uma fotografia tirada num local secreto pode, em fracções de segundos, tornar-se viral, e o que antes era um paraíso, torna-se num Inferno.

Com acessos muito limitados e pouco estacionamento, chegar a estas praias foi desde sempre um acto de masoquismo! Apesar das complicações conhecidas, muitos utentes insistem em levar o carro até à borda de água.

O que poderia ser um dia tranquilo no paraíso, é por vezes um horror com filas intermináveis de trânsito devido ao estacionamento anárquico nas bermas e por uma ausência gritante de policiamento.

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Na década de 2000, João Bénard da Costa relatava nas imperdíveis crónicas “A Arrábida era uma vez” que o trânsito sempre fora caótico, sem regras, ordenamento ou fiscalização.

Além de falha das experiências de limitar a circulação a um sentido único, mas que por falta de fiscalização das autoridades e falta de civismo dos condutores, rapidamente a anarquia se instalava, pouco mais foi feito ao longo de décadas.

Em 2016, quando arderam 400 carros num festival de Verão em Alpalhão, o Clube da Arrábida (CA), que levava anos a alertar o ICNF e a Câmara Municipal de Setúbal (CMS) para o risco de uma situação semelhante na Arrábida, convocou uma reunião urgente com ambas as entidades para, mais uma vez, tentar que algo fosse feito. Nada aconteceu!

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Contudo, em 2017, a dramática situação de Pedrogão acordou a CMS para a realidade e foram tomadas finalmente medidas de mitigação, implementando o programa Arrábida sem Carros.

Este programa consiste essencialmente em interditar a deslocação de viaturas não autorizadas entre a Figueirinha e o Creiro, assim como no acesso ao Portinho durante o Verão em determinadas horas, oferecendo, em alternativa, a circulação em transportes públicos.

A implementação não foi pacífica. Houve vozes muito críticas que, contudo, não foram capazes de apresentar ideias credíveis, a não ser mais do mesmo já testado sem resultados no passado.

No CA duvidámos da solução, mas demos o benefício da dúvida. Após alguns anos deste programa, e quando a CMS acaba de anunciar que o irá implementar novamente este Verão, é válido perguntar se tem funcionado. A resposta na óptica do CA é sim! Tem funcionado, mas necessita de ajustes.

O corte de circulação entre a Figueirinha e o Creiro, assim como para o Portinho, deslocou com a mesma anarquia de sempre, os milhares de carros que antes estacionavam nesse troço, para a zona entre o Creiro e Alpertuche, assim como pela Mata do Solitário acima, zona de alto risco de incêndio.

Entre o Creiro e Alpertuche, onde a estrada é mais larga, poder-se-á eventualmente experimentar o estacionamento num só lado da estrada, mas apenas se a GNR conseguir verdadeiramente fiscalizar.

Coloca-se ainda a questão de como chegar à praia propriamente dita a partir dos locais de corte de trânsito, mas, bem ou mal, a solução dos tuk-tuks tem funcionado, mas pode ser também melhorada. Por outro lado, a afluência às praias e restaurantes da zona é cada vez maior ao longo de todo o ano, e ainda bem.

Por falta de antevisão e planeamento, a anarquia do Verão é agora uma constante, sobretudo em fins-de-semana de bom tempo. Quem teve a infelicidade de visitar o Portinho na Páscoa ou no feriado do 25 de Abril, pode assistir a uma verdadeira selvajaria com, inclusive, uma ambulância entalada no Portinho por mais de 40 minutos.

A GNR infelizmente não apareceu. O programa Arrábida sem Carros, ou uma adaptação deste, deve ser implementado ao longo de todo o ano, durante os fins-de-semana mais problemáticos, pelo menos na zona do Portinho. Se não for, qualquer dia, terão de ser tomadas medidas mais drásticas.

Uma antiga directora do parque, perante a falta de implementação de controlo de trânsito, disse-me há muitos anos que o problema só se solucionava com o fecho dos acessos, mas que se fosse ela a dar a ideia, “cortavam-lhe” a cabeça.

Anos mais tarde, fruto de Pedrogão, Dores Meira, antiga presidente da Câmara Municipal de Setúbal, não teve outro remédio senão atravessar nesse sentido.

Esperemos que este executivo não tenha também que se atravessar e tomar medidas ainda mais drásticas. Quem trabalha, visita ou vive na zona das praias da Arrábida, agradece.

Comentários

Pedro Vieira
Vereador do PPD/PSD Montijo
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