18 Maio 2022, Quarta-feira
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Alunos ucranianos no Agrupamento de Escolas Lima de Freitas

“O mundo que construímos amanhã nasce nas histórias que contamos aos nossos filhos hoje. A Política move as peças. A Educação muda o jogo”

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 Jonathan Sacks

 

Esta malfadada guerra na Ucrânia, tal como todas as guerras, tem provocado inevitavelmente uma vaga de refugiados que procuram fugir aos horrores que lhe estão sempre infelizmente associados.

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No caso concreto, ao fim de quase dois meses de conflito que opõe a Ucrânia-de-todos-nós e a Rússia, o seu número ascende a quase cinco milhões, metade da população total de Portugal.

Um número impressionante em tão curto espaço de tempo.

A vaga de refugiados deslocou-se massivamente para a Polónia, Eslováquia, Hungria, Roménia e Moldávia, numa primeira fase, deslocando-se progressivamente cada vez mais para Oeste.

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Os países da Europa Central e Ocidental são geralmente considerados referências de democracia, paz, tolerância, estabilidade, bem-estar económico e social, possuindo em todos a diáspora ucraniana.

Segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), indicam que desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, ocorrida a 24 de Fevereiro de 2022, solicitaram protecção temporária a Portugal cerca de 25.400 pessoas oriundas daquele País, que se juntam aos 27.200 que já cá viviam, o que totaliza actualmente mais de 52.600 pessoas.

A comunidade ucraniana duplicou o seu número e passou a ser a segunda maior residente no país, a seguir aos oriundos do Brasil.

Como não podia deixar de ser, chegaram a Setúbal, tendo alguns deles ingressado do meu Agrupamento de Escolas Lima de Freitas.

Para já, são sete, meninas e meninos, de várias idades, com olhares ainda perdidos, inseguros, tensos, acabados de chegar do lado de lá de uma outra vida calma, tranquila, com hábitos e rotinas, de espaços físicos e emocionais próprios, para se confrontarem com uma reviravolta súbita, inesperada e violenta das próprias vidas, acarretando uma fuga rápida, uma viagem longa, um turbilhão de angústias, incertezas e emoções associadas.

Todavia, rapidamente estabelecem relações de comunicação e de afecto connosco.

As dificuldades e constrangimentos esbatem-se rapidamente, com a vontade, simpatia e aquele sentido de humanidade recíproco, comum às pessoas de bem.

Por outro lado, temos connosco alunos ucranianos que vivem já há alguns anos em Portugal, e que constituem elos preferenciais de comunicação.

Lenta, mas de forma segura e sustentada, vão-se estabelecendo conexões extremamente importantes.

Sabemos que o pensamento e os afectos ficaram na Ucrânia. Não são simples emigrantes, mas refugiados de guerra e daí que se torna um imperativo a nossa atenção e carinho, procurando resgatá-los dos seus universos de sofrimento.

Ao perguntar a uma das alunas qual o currículo formal existente no sistema de ensino ucraniano, nomeadamente no ensino secundário, percepcionei imediatamente que existe uma fortíssima componente identitária como nação, nomeadamente através da Literatura e da História ucranianas, mesmo em áreas de Ciências.

A identidade de uma nação é algo de muito sério e estruturante, como se pode facilmente verificar com estes meninos ucranianos.

A guerra é uma coisa terrível, trazendo ao de cima o que de pior existe na natureza humana, nomeadamente os ignóbeis crimes de guerra a que temos assistido e que não podem, nem devem ficar impunes.

Quanto a nós, temos todos o dever, como sociedade que cultiva os valores democráticos, de saber acolhê-los e acarinhá-los para que possamos fazer parte intrínseca uns dos outros.

Khay zhyve vilʹna Ukrayina. Que viva a Ucrânia livre.

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