5 Julho 2022, Terça-feira
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Feira de Sant’Iago, 16 dias e uma nova visão

Quem vence as eleições tem o direito de governar, de tomar decisões, de concretizar medidas e, em suma, de cumprir as promessas feitas em campanha eleitoral. Nestes termos, é entendível que o programa da CDU seja para o presidente da autarquia e para os vereadores a tempo inteiro, a linha orientadora da sua acção política.

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Contudo, não nos podemos esquecer da nova realidade que as recentes eleições autárquicas trouxeram ao nosso concelho. Com efeito, os vereadores sem pelouro têm maioria e nem hoje, nem nunca, os vereadores eleitos pelo PS deixarão de assumir as suas responsabilidades e de apresentar aquelas que consideram ser as melhores soluções para o concelho.

Este é, pois, o tempo de agir em diálogo e na busca de consensos. Infelizmente, esse não tem sido o caminho, com alguns a teimar não perceber a nova realidade e demonstrarem enormes dificuldades em aceitar e lidar com o novo xadrez político.

Ora, depois do prazo de referência habitual e sem que exista despacho a nomear a Comissão Organizadora, foram os vereadores socialistas surpreendidos com a proposta de Edital para a Feira de Sant’Iago 2022, acompanhada pela Tabela de Taxas Municipais no que ao certame diz respeito.

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Edital no qual se destaca a redução dos dias de certame, de 16 para 10 dias, sem justificação e sem que essa significativa diminuição seja vertida numa redução nas taxas.

Saudando o regresso do certame em 2022, não podem os vereadores eleitos pelo PS concordar com a redução da feira de 16 para 10 dias, regressando a um erro do passado e, em claro desrespeito pelas tradições, desde logo, ao deixar fora do calendário o dia 25 de Julho (dia de Sant`Iago).

Sem conhecer o modelo, nem a estratégia que orienta o principal evento promovido pelo município e face a uma inexplicável proposta de redução da duração dos dias do certame, os vereadores socialistas votaram contra o Edital, por considerarem que o mesmo reflecte um erro estratégico.

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Foi, pois, com surpresa e alguma consternação, que constamos o regresso ao modelo de 2014. Infeliz experiência que durou 3 anos e que teve o seu pior cenário no certame de 2016.

Porque relembrar é avivar a memória, nada melhor que citar a anterior presidente no âmbito da discussão da proposta de Edital para a Feira de 2017 “… os dez dias foram uma experiência. Quisemos ver quais os ganhos com menos seis dias de certame e verificámos que os ganhos não são muito grandes, não são significativos.

Tivemos muitos feirantes que não vieram, porque o último fim-de-semana já estava cortado e como eles estão organizados por circuitos, esta feira cortava-lhes praticamente uma semana, e obrigava-os a voltar a casa para depois irem para outros sítios. Tudo isto economicamente era muito mau…”.

Reduzir a duração do certame é voltar a dar um passo atrás e voltar a uma estratégia que quase acabou com a Feira. Uma má experiência que agora se repete e que na altura reflectiu menos inscrições para a área gastronómica, para o artesanato e para a área institucional e em que vários lugares de diversões para adultos e crianças ficaram vazios.

Tendo por base o calendário anual de feiras e os necessários e inevitáveis ajustes de calendário para facilitar a rotatividade de feirantes por regiões, reduzir a duração do certame com o calendário proposto consubstancia um erro estratégico e de visão.

A visão que temos para uma das maiores feiras do país, ou que já o foi nos anos 80 e 90, que, obviamente, não se resume em reafirmar a importância na deslocalização do certame, é colossal se comparada com o desnorte de uma gestão comunista sem ideias novas e em fim de ciclo.

A Feira de Sant´Iago pode e deve ser um espaço dedicado a mostrar aos visitantes o melhor que o nosso território tem para oferecer, desde o mundo empresarial, ao associativo, passando pela gastronomia, pelos vinhos, as artes, a cultura ou o desporto. A Feira deve ser uma centralidade de oportunidades.

A Feira pode e deve incutir uma vertente empresarial, vocacionada para as oportunidades de negócio, um ponto de encontro de interesses, mas também pode e deve ser um espaço dedicado à diversão, ao lazer, à aventura, às múltiplas experiências.

A Feira pode e deve ser um espaço único e singular, reconhecido e falado pelas nossas “gentes”, como motivo de orgulho, como outrora o foi, mas também um evento que contribua para alavancar o turismo como outros certames do género o fazem noutras regiões do país.

Saudamos, pois, o regresso da Feira de Sant’Iago em 2022, mas não nos conformamos com o regresso ao passado de má memória. Feira de Sant`Iago sim, mas em respeito pelas tradições e com uma nova visão.

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