5 Julho 2022, Terça-feira
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A sinodalidade

Eis uma palavra que era quase desconhecida para a maioria das pessoas e de que se ouve falar nos últimos tempos.

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Também a maioria das pessoas que agora toma conhecimento da palavra desconhecem o seu significado. E, no entanto, ela significa algo que deve interessar a muita gente, em especial aos que se dizem cristãos, embora eu saiba também que muita gente que, num qualquer inquérito, se diga cristão não o seja em boa verdade – di-lo por dizer.

Então, a tal palavra – sinodalidade – que significa simplesmente “caminhar em conjunto”, tem interesse porquê? E, na realidade, ela tem interesse especialmente, como dissemos, para quem se diz cristão. Então vejamos porquê!

Os Papas de tempos a tempos reúnem-se em Roma, no Vaticano, com todos os bispos das múltiplas dioceses dos vários países para tratarem de assuntos da vida da Igreja Católica, e fazem-no em geral com grandes espaços temporais.

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Pouco depois da eleição do actual Papa Francisco, ele convocou um concílio para tratar dos problemas da floresta da Amazónia, que é um verdadeiro pulmão para a Humanidade pela sua extensão, uma vez que ocupa vários países da América do Sul, e em especial o Brasil.

E é assim chamado de “pulmão da humanidade” porque, como sabemos, as árvores purificam o ar que respiramos, absorvendo o carbono e aumentando o oxigénio essencial para a vida.

Parece estranho para muitos que o Papa Francisco se preocupe com a Amazónia, mas todos ouvimos falar de “ecologia” e de que a nossa vida pode estar ameaçada pelos desmandos que praticamos sobre a “mãe terra” e de esta se tornar, por isso, inabitável dentro de umas cinco décadas pelas alterações climáticas que já hoje são evidentes aos nossos olhos.

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Com as secas tremendas (até entre nós), pela frequência de tufões e furacões, pelas chuvas torrenciais inesperadas provocando inundações destruidoras ou pelo aumento de temperaturas anormais (40 a 50 graus) nuns locais e o degelo nos pólos da Terra.

Trata-se, portanto, das nossas vidas e a nossa Igreja tem tudo a ver com a nossa vida. As religiões têm a ver com as nossas vidas. Por isso o Papa se preocupa e convoca um sínodo para 2023. Mas um sínodo bem diferente de todos os de antigamente pois Ele quer que este “sínodo seja o mundo inteiro a ser ouvido e a fazer caminho”.

Como? Ouvindo todos, o povo de Deus e não apenas os Bispos! Daí o interesse da palavra sinodalidade! Daí que Ele diga e repita que o lugar dos padres é no meio das pessoas e não apenas nas sacristias.

Daí que diga que “os pastores devem sentir o cheiro das ovelhas dos seus rebanhos”. Daí que diga que a Igreja deve ser como “um hospital de campanha” que se monta onde é necessário – no meio dos pobres, dos doentes, dos excluídos da sociedade, que se monte no seio da vida social.

Por isso começámos por dizer que a sinodalidade era de capital importância para todos – os que frequentam as celebrações da liturgia, os que pertencem às várias formas organizadas da acção da nossa Igreja, a grupos de acção social, etc.

E aqueles (muitos) que estão afastados da Igreja precisamente pelo seu anquilosamento através dos tempos em rígidas fórmulas litúrgicas, éticas e até sexistas, muito desfasadas do constante e rápido processo evolutivo das sociedades dos vários países e continentes – esses como estão a ser ouvidos?

Como estão a ser “tocados” pelo Espírito? E não estará actualmente a nossa Igreja reduzida a “um pequeno resto” que necessita ser chamado para “o rebanho”? E como irão as coisas entre nós, na nossa Diocese?

Eis a importância da sinodalidade! Neste mundo carregado de nuvens negras de pobreza, de egoísmos, de corrupção, de adoradores do deus cifrão, e até de guerra que será bem trágica!

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