2 Dezembro 2021, Quinta-feira
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Não esqueceremos o Bispo Manuel Martins

Faz, hoje, 46 anos que o Bispo Manuel Martins chegou a Setúbal. A nossa Região e a Freguesia da Comporta, passavam a ter mais uma designação: “Diocese”. Esta palavra como a de “bispo” eram desconhecidas da maioria dos habitantes de Setúbal. Não só o que significavam, mas mais ainda os impactos que estas duas novidades poderiam ter nas vidas não só dos católicos. Passado pouco tempo, já se sabia para que serve um bispo. Por ser uma realidade menos objetiva, não foi fácil descobrir o que é uma Diocese. Ainda hoje, mesmo entre católicos, pode haver quem não saiba que se trata do espaço geográfico, como a mais significativa organização territorial da Igreja.

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É verdade que o Bispo Manuel Martins se tornou numa figura pública, com maior amplitude, no decorrer da crise que atingiu a Região sadina, entre 1982 e 1986, mas, antes, já era conhecido na sua Diocese. Estive na Sé Catedral, no dia da sua chegada. Estava longe de imaginar que, na noite do dia seguinte, encontraria o Bispo no fim da rua que fica por detrás das atuais instalações da Polícia Judiciária. Estava com um padre que tinha vindo com ele do Porto. Tentei passar de maneira que eles não dessem por mim. Nessa ocasião  ̶  pensava eu  ̶    um bispo era uma pessoa sagrada e, por isso, inacessível. Mas não escapei. Ele viu-me. Sem me conhecer, perguntou-me quem eu era e o que andava a fazer na rua aquela hora. Timidamente, disse que ia para a igreja de S. Sebastião organizar os grupos de catequese. Fez-me perguntas sobre a paróquia, recomendou-me que não regressasse tarde a casa e informou-me que andava a conhecer o nome das ruas. Fiquei nervoso, mas muito contente. Afinal, os bispos falavam com as pessoas comuns e, logo no dia seguinte à sua vinda, eu já tinha falado com o meu Bispo. Mais tarde, soube que uma boa parte do seu tempo, era dedicado a visitar pessoas, particularmente, os pobres, os doentes e os presos. Lembram-se das “Carta ao Alfredo”, título que deu ao texto que escrevia no Jornal oficioso da Diocese, “A Seara”? O Alfredo era um jovem paraplégico que muito o impressionou e visitou regularmente.

Há 26 anos, neste dia, dirigiu-se aos seus diocesanos numa mensagem com o título “Foi há vinte anos…”. No ponto três dirigiu vários agradecimentos a Deus. Vou aproveitá-los, ousando interpretar o sentir de muitos, para demonstrar a gratidão ao Bispo Manuel Martins:

É hora de agradecer a Deus todos os desafios que lhe lançou, e a nós, através de si, nos tempos difíceis em que o chamou a servir-nos, incluindo o seu clero, os seus religiosos/as que Ele lhe deu, e a nós os leigos empenhados e coerentes que procurámos caminhar consigo.

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É a hora também de agradecer a Deus o apoio que nos deu a todos através de tantos estímulos vindos de todo o País e, até do estrangeiro, por o termos como Bispo.

É a hora de agradecer a Deus as gentes da sua terra que estiveram consigo e connosco no longínquo e inesquecível 26 de outubro de 1975, que quiseram comungar dos nossos sentimentos de alegria e de gratidão.

Senhor Bispo Manuel Martins, jamais o esqueceremos.

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Eugenio Fonseca
Presidente da Cáritas Portuguesa
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