2 Dezembro 2021, Quinta-feira
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500 palavras: Buehler-Brockhaus e a arte pública de Setúbal

Na edição do “Público” de 17 de Outubro, o jornalista Abel Coentrão gasta duas páginas para falar da Fundação Buehler-Brockhaus a propósito das suas acções de mecenato, que têm ocorrido em Portugal e no estrangeiro, assim concluindo o escrito: “Com toda a propriedade, Pierre-Rosenberg, director honorário do Museu do Louvre, chamou-lhes, por alturas da doação de arte impressionista de 2004, ‘generosos doadores, com que todos os museus sonham’. Alguns têm é a sorte de acordar com os Buehler-Brockhaus a seu lado.”

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Os dois rostos conhecidos da Fundação (criada em 2008) são os de Hans-Peter Buehler e de Marion Buehler-Brockhaus, casal que, na primeira década deste século, escolheu Setúbal para viver, ambos originários de Leipzig. Ao longo de mais de uma década, Setúbal tem beneficiado do contributo dos Buehler-Brockhaus no apoio e investimento feito em arte pública, partilhada com toda a comunidade.

Florindo Cardoso, na obra “Por amor a Setúbal – Esculturas oferecidas à cidade pela Fundação Buehler-Brockhaus”, recentemente publicada, dá boa nota do enriquecimento artístico e patrimonial de que Setúbal beneficiou através desta ligação. O livro abre com a gratidão de Maria das Dores Meira, ex-presidente da Câmara de Setúbal, confessando que “a nossa cidade será sempre incapaz de agradecer a paixão que os Buehler-Brockhaus lhe dedicaram.” Depois, é o casal quem justifica a obra: “Este livro é dedicado à escultura portuguesa contemporânea instalada nos principais espaços públicos de Setúbal. Em 2006 mudamos a nossa residência para esta bela cidade, com características tradicionais e modernas, banhada pelo estuário do rio Sado e com o seu convento manuelino e as suas belezas naturais e culturais. Neste ambiente maravilhoso queríamos trabalhar e contribuir com a nossa Fundação.” No resto dessa nota assinada pelos Buehler-Brockhaus poderia haver o tom elogioso sobre o que fizeram, mas a opção foi noutro sentido – agradecimento aos poderes públicos, aos artistas com quem trabalharam, às empresas que contribuíram para a concretização das obras.

Depois de, no primeiro capítulo, lembrar várias acções levadas a cabo pela Fundação, Florindo Cardoso percorre o itinerário dos artistas e das esculturas públicas que se cruzaram com a identidade da cidade – as quatro peças em barro, de Augusto Cid (“Carregador de peixe”, “Mulher das flores e das frutas”, “Homem do talho” e “Mulher dos ovos e galinhas”), presentes na ala central do Mercado do Livramento desde 2011; a escultura “Sardinhas”, em mármore, da setubalense Luísa Perienes, que anima a Rotunda das Fontainhas desde 2014; as esculturas em aço “Zéfiro”, que se impõe na rotunda do Monte Belo desde 2014, e “Luísa Todi”, que está junto da entrada do Forum Municipal Luísa Todi desde 2012, ambas de Sérgio Vicente; a escultura “Golfinhos”, em mármore, de Carlos Andrade, que finaliza a auto-estrada, à entrada de Setúbal, desde 2017. Há ainda o registo de uma obra a ser mostrada brevemente, “Os amantes”, também de Carlos Andrade, que integrará uma das rotundas da Avenida da Europa.

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Na abordagem de cada uma das peças, Florindo Cardoso faz breves alusões histórico-culturais sobre o significado e a importância do que representam, importantes para o enquadramento e justificação dos temas, surgindo todas as obras intensamente fotografadas em diversos momentos – na execução, na implantação e no contexto em que se apresentam.

Não pode o leitor, depois desta obra, deixar de compreender a nota de Abel Coentrão no “Público”: “Alguns têm é a sorte de acordar com os Buehler-Brockhaus a seu lado.” Setúbal teve-a: as obras aí estão para o provar, o livro aí está para lembrar os patronos. A cidade tem de agradecer essa “sorte”.

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