26 Outubro 2021, Terça-feira
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Os médicos e a nossa saúde

A Medicina , com a pandemia, atingiu o cume do interesse das pessoas, ocupou boa parte dos telejornais . E passámos a saber diariamente o número de camas ocupadas, passámos a ver a complexidade das salas de cudados intensivos e até pormenores de algumas técnicas  usadas para salvar a vida de pacientes graves. O trabalho dos médicos, enfermeiros e de muitos outros técnicos passou a ser admirados e louvado pela população.  Esta exposição da vida hospitalar veio aumentar uma ideia há muito enraizada nas pessoas que o hospital e as técnicas sofisticadas eram a verdadeira medicina. DESDE HÁ MUITO TEMPO QUE, POR EXEMPLO, NAS TELENOVELAS SEMPRE QUE ALGUEM ADOECE APARECE NUMA CAMA COM FRASCOS DE REMÉDIOS A CORREREM NAS VEIAS E UMAS APARELHAGENS AO LADO DA CAMA COM GRÁFICOS COLORIDOS E ALGUSZINAIS SONOROS DE QUANDO EM QUANDO, . É raro ver uma consulta médica simples com o paciente falando calmamente com um médico atento. Ora este conceito tecnológico da medicina saiu aumentado nestes tempos da pandemia. Tudo isto que se considera  e se chama “cuidados secundários”, não esgota um serviço de saúde. Temos os médicos da chamada “saúde pública” que também saiu da obscuridade com a pandemia, e temos  os “cuidados primários “ de sáude com médicos e enfermeiros em centros de saúde atualmente chamados de “unidades de saúde familiar”. Esta atenção aos hospitais e o esquecimento dos médicos de família sempre inquinou o poder político – os médicos de família foram sempre o parente pobre no Serviço de Saúde e, no entanto em condições de vida normais, os “cuidados de saúde primários” resolvem não só mais de 80% das queixas duma população, como fazem medicina preventiva e educação para a saúde – isto reconhecido internacionalmente.  Compreende-se facilmente que um médico de família – um médico polivalente – tem uma formação intensa e tão prolongada como qualquer outra especialidade. O médico de família conhece o seu paciente, o seu ambiente familiar e a sua história de vida. Levou anos de trabalho a conseguir não só esta formação adequada e a tentar que todos os portugueses tivessem o seu verdadeiro “provedor de saúde”. Foi todo esse trabalho protagonizado pelos próprios médicos que foi virado do avesso pela pandemia. Os médicos dos centros de saúde foram encarregues de seguir os doentes de Covid19 que não necessitavam de internamento, em suas casa, pelo menos pelo telefone. A vida dos médicos de família foi assim alterada. Tempo para atender os hipertensos, os deprimidos, os que tinham doenças crónicas e todo o seu trabalho preventivo deixou de ser feito por falta de tempo. Quem estivesse com atenção aos telejornais ouvia assessorando as notícias  éepidemiologistas, diretores de serviços hospitalares e até matemáticos e raramente se recorria a um médico de família. Até um ministro  (não médico, é evidente)sugeriu o encurtamento da preparação dos médicos de família. Até anda no ar uma hipótese de “mexer” na Ordem dos Médicos garante da formação e até da vigilância da disciplina e da deontologia dos membros da nossa classe. Eu sei que há hospitais a necessitar de reforma, de aumento das instalações, da modernidade dos seus meios tecnológicos e – principalmente – dos seus quadros e das devidas remunerações e carreira que terminem com a fuga para medicina privadas que se desenvolve intensamente. A saúde das pessoas parece que é um bom negócio!!    O nosso Hospital de Setúbal é desses que necessita de urgentes apoios e reformas. Mas, dos tais milhões de milhões que se anunciam é urgente acudir a hospitais como o de Setúbal, mas os Centros de saúde – Unidades de saúde familiar – têm de ser tidos em conta nos investimentos no nosso SNS que vimos ter sido o pilar da vitória contra a pandemia. Mas – no regreço à normalidade não se pode esquecer que os mal estares do dia a dia e as doenças que não necessitam de internamentos ou de cirurgias, necessitam em primeiro lugar de Médicos de Família sabedores e satisfeitos com a sua atividade profissional.

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