20 Janeiro 2022, Quinta-feira
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Réplica ao artigo da deputada Joana Mortágua, de 21/7

Em 1/6/21, despedi-me dos leitores após oito anos de colaboração regular no «Diário da Região» e n’«O Setubalense» (hoje fundidos). Como falei quase só das necessidades dos munícipes de Palmela (e algumas vezes da região), disse que só regressaria a esses temas excepcionalmente. E que a colaboração futura seria sobre outros assuntos, como foi no número comemorativo do jornal (30/7).

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Volto hoje, pois J. Mortágua, na coluna dos deputados, tratou de um tema importante, que me é muito caro: a miserável oferta ferroviária na região. Deu dois exemplos: 1.º – «a Margem Sul, que todos os dias exporta centenas de milhares de carros para a Margem Norte para fornecer mão-de-obra à capital»; 2.º – «a dificuldade, para não dizer absoluta impossibilidade, de percorrer o distrito de comboio». Infelizmente, falou do menos importante – as viagens no distrito, nos inter-regionais e intercidades – e esqueceu o mais importante – as viagens suburbanas na Margem Sul – que transportam, diariamente, dezenas de milhares de pessoas entre Setúbal (e as nove estações até ao Pragal) e Lisboa (só a Fertagus 19 milhões em 20 anos).

Para mostrar que o meu regresso excepcional não resulta de uma especial birra contra ninguém, e embora nunca falasse de mim nos oito anos que referi, vou fazê-lo: Em 2016, uma complexa cirurgia a um grave problema de saúde obrigou-me, até hoje, a três tratamentos semanais em Lisboa. Só eu sei o que passo na inóspita estação de Sete-Rios, às vezes perco o comboio por poucos minutos e espero quase uma hora pelo próximo, enquanto passam dois para Coina que deviam ir até ao Pinhal Novo, como estava previsto em 2004 (onde poderia tomar um dos dois da CP que vêm do Barreiro e chegar muito mais cedo a casa). Sei, assim, avaliar o sofrimento de outros como eu, e de quem vive entre Penalva e Setúbal e trabalha, diariamente, em Lisboa (ou em Setúbal).

Daí a minha revolta pelo silêncio das forças vivas da região (deputados, autarcas, empresários, sindicalistas): terá sido para ganharem fôlego e gritarem agora pela criação da NUT? É importante, sem dúvida, e ter mais comboios não é? Cascais, Sintra e Azambuja, terminais de linhas suburbanas como Setúbal (mas nenhuma capital de distrito) quantos comboios têm? Os deputados do distrito falam pouco das necessidades reais das pessoas, e quando o fazem é das grandes obras, difíceis de realizar devido ao custo (p. ex., a 3.ª ponte no Tejo), e esquecem-se das pequenas, fáceis de fazer e que dão grandes melhorias imediatas. E porquê a indiferença dos autarcas, que conhecem os problemas locais? E o alheamento dos empresários? Não lhes interessa? Se afecta a mobilidade de quem, diariamente, trabalha em Lisboa, não afecta os turistas (nacionais e estrangeiros) e quem cá vem trabalhar? E os sindicalistas, aceita-se duas a três horas de viagem para ir trabalhar oito?

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Não devem todos sensibilizar o Governo para resolver um problema com 17 anos e que tem afectado tanta gente? Para ligar, directamente, a densa malha urbana entre a capital e Setúbal, em 1999 gastou-se 750 milhões de euros na linha da Fertagus (Lisboa-Coina) e, em 2004, mais 255 milhões (Coina-Setúbal). Se entre Lisboa e Coina há três comboios por hora (seis nas de ponta), entre Coina e Setúbal há só um (dois nas de ponta), porque os autarcas de Palmela, em 2004, em nome da defesa da Torre da Estação do Pinhal Novo, classificaram-na de Interesse Municipal, pediram ao IPPAR que fosse Monumento Nacional e recusaram a sua deslocação 300 metros para sul no perímetro da Estação (para estar desde então abandonada): e a nova Estação foi inaugurada por acabar, em 6/10/2004. Concluída, permitirá três comboios da Fertagus por hora para Lisboa, em vez de um (os outros dois ficam agora em Coina) e, ainda, os dois da CP pelo Barreiro, que já há.

  1. Mortágua esqueceu-se de outro absurdo: os três comboios por hora entre Setúbal e Lisboa (o da Fertagus e os dois da CP que derivam para o Barreiro no Pinhal Novo) partem em trinta minutos de cada hora; nos outros trinta nem um. É para ter esta miserável oferta que Setúbal gastou 4,5 milhões de euros na nova Interface da Estação do Bonfim?

Acabar a Estação do Pinhal Novo custa 2,5 milhões de euros; pôr os actuais três comboios a sair de Setúbal, de vinte em vinte minutos, custa zero euros. Quanto custou aos 19 milhões de passageiros da Fertagus desde 1999 e ao desenvolvimento da região esta situação?

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