22 Setembro 2021, Quarta-feira
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PENSAR SETÚBAL: A História, a política, o futebol e o Euro 2020 (Parte II)

Na semana transacta, estive a refletir sobre a velha aliança Portugal-Inglaterra, que basicamente tem funcionado num só sentido.

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Iniciemos o percurso desportivo.

 

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Recuemos ao ano de 1966, Mundial na Inglaterra. Portugal atinge pela primeira vez uma fase final do Mundial.

 

Em representação do Vitória Futebol Clube, esteve presente o lendário Jaime Graça, na esteira de dois outros grandes futebolistas internacionais vitorianos do passado, João dos Santos e Armando Martins.

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Tínhamos uma equipa de sonho: Eusébio, Jaime Graça, Coluna, Simões, Torres, José Augusto, Hilário, José Pereira, etc.

 

Portugal jogava em Liverpool; a Inglaterra em Londres. Quem fizesse mais pontos, continuaria a jogar em “casa”.

 

Portugal venceu respectivamente a Hungria, a Bulgária e o Brasil; seis pontos; a Inglaterra venceu dois e empatou um; cinco pontos (na altura, a vitória correspondia somente a dois pontos).

 

Contudo, e após a vitória contra a Coreia do Norte, foi Portugal que teve de efectuar a viagem de Liverpool, até Londres, contrariando os regulamentos.

Hilário criticou a organização pela alteração do local da meia-final com a Inglaterra: «Os directores da FPF venderam o jogo aos ingleses. Pela pontuação que tivemos, era a Inglaterra que teria de se deslocar a Liverpool. Tivemos de fazer uma viagem de 300 quilómetros de comboio e ficámos num hotel duvidoso, com as ‘meninas’ a passearem, foi tudo programado pela Federação Inglesa. No fim do jogo, o Eusébio abraçou-me a chorar e disse-me: Hilário, fomos enganados!»

José Augusto corrobora: «A Federação Inglesa deve ter pago um bom dinheiro. A sede da FPF era ali no Marquês de Pombal, umas instalações exíguas, e depois do Mundial passou para a Praça da Alegria, com condições excelentes».

Portugal viria a perder o jogo com a Inglaterra em Wembley, por 2-1. Ficaram na retina imagens de Eusébio a sair do campo, chorando convulsivamente.

Portugal alcançaria um honroso terceiro lugar, vencendo no derradeiro jogo, a antiga União Soviética, também por 2-1.

Avancemos até ao Euro 2020. Por causa do Covid, a organização entendeu distribuir os jogos pelas várias cidades europeias.

Até aí tudo bem. Só que… começaram as distribuições das equipas pelos países e cedo se começou a perceber que havia favorecimentos claros, explícitos e indignos.

Senão vejamos: Inglaterra, sete jogos totais, seis em Londres; Itália, Espanha, Alemanha, Dinamarca, três jogos em casa; Escócia, Hungria, Rússia, dois jogos.

Portugal, campeão em título, nenhum. Viagens entre Hungria – Alemanha – Hungria – Espanha.

O caso mais escandaloso ocorreu com a Suíça: viagens entre Azerbeijão – Itália – Aberbeijão – Roménia – Rússia.

Estava tudo preparado para beneficiar os ingleses, o que não se compreende, em termos de equidade.

Tal como sucedeu com a França relativamente a Portugal, em 2016, também os ingleses começaram a dar sinais de sobranceria, vencedores antecipados, limitação abusiva de entrada de adeptos italianos, possibilidade de feriado no dia seguinte, com o primeiro-ministro Boris Johnson a não descartar totalmente essa hipótese, etc.

No futebol, tal como na vida, não há vencedores antecipados.

A Itália acabou por estragar-lhes a festa. Foi, portanto, um Brexit desportivo.

La Squadra Azzurra é uma selecção poderosa, com um palmarés notável:

– Quatro Campeonatos do Mundo: 1934,1938,1982, 2006;

– Dois Campeonatos da Europa: 1968 e 2021.

A satisfação evidenciada por essa Europa com a derrota inglesa no Euro, deveria constitui também um motivo de reflexão sobre qual o seu papel futuro, num contexto europeu.

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