14 Maio 2021, Sexta-feira
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Pensar Setúbal: O Tacho Solidário

Num destes dias, um grupo de colegas do Agrupamento de Escolas Lima de Freitas, respondeu ao apelo da colega Marta Vieitas Lopes e deslocaram-se à Rua Ladislau Parreira, na sede da CASA (Centro de Apoio aos Sem Abrigo), para confeccionarmos uma refeição, inserida no Projecto Social Tacho Solidário, com todos os cuidados inerentes ao Covid-19.

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O Tacho Solidário é um projecto solidário, sem fins lucrativos, que teve como mentora essa grande setubalense e vitoriana chamada Cristina Augusto, e foi criado por um grupo de amigos em Maio de 2018, que tem como objectivo, ir ao encontro dos mais vulneráveis com o seu tacho, este cheio de comida quente, afectos e uma mão amiga.

O espaço onde se situa a CASA, pertence ao actor setubalense Luís Aleluia, que o cede gratuitamente. A União de Freguesias de Setúbal também tem dado uma ajuda muito importante a esta associação.

Estivemos a confeccionar alimentos (sopa, bifanas e bolo de maçã) na companhia animada dos colegas e amigos Marta Vieitas Lopes, Pedro Sol, Jacinta Esteves, Clara Brito, Rute Sousa, Sérgio Silva, Paula Maia, Paulo Ramos, constituindo uma experiência extremamente enriquecedora.

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Este é um tempo muito estranho, de distanciamento físico e emocional, onde sentimos a ausência das coisas simples, que nos dão alegria, tais como um beijo, um abraço, que temos como adquiridos, até nos confrontarmos com o vírus, que nos condiciona os afectos, até mesmo as emoções.

Essa carência afectiva foi particularmente notória. Ainda bem que pudemos estar uns com os outros, mesmo com as máscaras, que não nos conseguem retirar o brilho da face.

No meio da azáfama, chegou a notícia que o Vitória tinha ganho ao Pinhalnovense por 4-1, o que contribuiu para um entusiasmo ainda maior.

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Depois vem a parte triste e deprimente, no fundo, o motivo subjacente pelo qual estamos ali.

A partir do fim da tarde, começou a verificar-se um movimento de pessoas que procuram alimentos e então temos um pouco de tudo. Pessoas diversas, simpáticas, envergonhadas, carentes, procurando no calor da refeição, o frio que têm por dentro.

A sopa pode aquecer-lhe e confortar-lhe as entranhas, mas não lhe aquece, nem conforta a Alma; os olhares alternam entre o perdido e o suplicante.

Se os olhos são o espelho da Alma, encontramos muitos vazios de significado.

Alguns são nossos conhecidos, pais de alunos que nos reconhecem ao longe e que ficam embaraçados; outros desconhecidos, unidos pela dor de um despedimento, pela ausência de rendimentos, pelos filhos, pelas amarguras e por todos os constrangimentos sobejamente conhecidos.

Muita pobreza oculta, camuflada, mas perceptível. Outra, bem explícita.

Conversando com a senhora Lúcia Pinho, voluntária, percebemos a dinâmica da pobreza, da carência, das dificuldades, dos casos concretos.

As pessoas que por aqui fazem voluntariado, merecem-nos todo o carinho, respeito, gente de coração muito, muito grande, do tamanho do Amor que têm para dar.

A minha colega e amiga Marta Vieitas Lopes é um exemplo disso mesmo: mulher de grande dimensão e humanismo.

Todos nós nos disponibizámos para voltar todas as vezes que for necessário.

Necessitamos de uma sociedade mais fraterna, inclusiva, humanista, tolerante. Necessitamos de Amor.

A boa notícia é que existem vários grupos de voluntários, que ocupam todos os dias da semana, confeccionando alimentos.

Necessitamos de resgatar o nosso sentido existencial, o sentido desta vida, nestes pequenos, mas significativos gestos.

 

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