14 Abril 2021, Quarta-feira
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Motivar pela esperança, não pelo ódio

Na noite das recentes eleições presidenciais, os canais de televisão generalistas, ávidos de «sangue» para subirem as audiências, deram mais tempo de antena a um candidato que não chegou ao 12% do que ao vencedor. Os representantes dos diversos partidos ao dirigirem-se aos Portugueses também desempenharam excelentes papéis no espetáculo tipo big brother .

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Rui Rio exultou com a «transferência de votos do PCP» para o candidato que nem chegou aos 12%. Pergunta-se: que base científica lhe permite fazer tal afirmação? O PCP tentou demonstrar que não perdeu votos no Alentejo, parecendo estar felicíssimo com o resultado obtido por João Ferreira, inferior a 5%; ter ficado à frente de Marisa Matias no ranking das vaidades terá sido uma grande vitória. O jovem e impreparado líder do CDS pareceu festejar o desaparecimento do seu próprio partido, ao afirmar efusivamente que obteve uma grande vitória- as últimas sondagens atribuem menos de 1% de votos ao CDS. Marisa Matias e o seu Bloco assumiram a pesada derrota, mas recusaram admitir que o disparatado voto contra o orçamento do Estado tenha sido a principal causa. Ana Gomes, a candidata furacão, além de mostrar o seu descontentamento por o seu partido não a ter apoiado, manteve-se em erupção no que diz respeito ao seu principal objetivo político: combater a corrupção. «Até já», Dr.ª Ana Gomes. O P.S. mandou o político que, na atualidade, mais é identificado com o nepotismo, afirmar que, obviamente, também venceu as presidenciais, mesmo com os seus militantes divididos no apoio a vários candidatos. O tal candidato que nem chegou aos 12%, eufórico com o apoio dos alienados, vociferou, insultou, afirmou e reafirmou, sempre numa enorme berraria – tipo Mussolini e Adolfo Hitler – que tinha ganho ao partido comunista, como se se tratasse de eleições legislativas. Tal como um conhecido comentador televisivo que também confunde eleições, parecia estar embriagado com o néctar da arrogância. Mais uma vez, fez do ódio a sua arma. Pelo contrário, o presidente reeleito fez o discurso da união, da inclusão, da pacificação, não do ódio, mas da esperança.

Os canais televisivos têm dado continuidade ao espetáculo lamentável da noite eleitoral ao esmiuçarem até ao delírio a origem da votação do candidato que não chegou aos 12%. Reportagens em direto de bairros de etnia cigana; eleitores não identificados a justificaram o seu voto no tal candidato que promove a aporofobia. Um deles afirmou: «não gosto do modo de vida dos ciganos». Se o repórter tivesse confrontado imagens de membros de etnia cigana, com modo de vida nómada, ou dos bairros de barracas sem qualquer tipo de infraestruturas, com imagens de bairros das elites nas grandes cidades, todos compreenderiam que nem o referido eleitor nem qualquer um de nós «gosta do modo de vida dos ciganos.» Que importa saber que quase ninguém dá trabalho a ciganos e que os mesmos vivem autoconfinados?

E agora como combater o extremismo de direita?  Os políticos democratas terão de privilegiar uma comunicação muito mais pedagógica-falar verdade- e muito menos politiqueira; a ação, não a intenção, de combate à corrupção e ao nepotismo tem de passar para primeiro plano; a promoção da equidade na educação, no acesso ao trabalho, na cultura, deve tornar-se uma realidade; com muito menos big brother nos canais televisivos- quase toda a programação, incluindo os telejornais, está eivada de violência, de brutalidade, de deseducação – e muitos mais programas culturais, que promovam o gosto pela leitura junto dos mais novos, com documentários que elucidem como chegaram os grandes ditadores ao poder e lá se mantiveram; com mais História nos currículos escolares, assente na metodologia desta ciência, isto é, na crítica das fontes e na construção de argumentação sustentada; com a promoção transversal da cidadania em todas as salas de aula; com mais, muito mais, CULTURA , de modo a que todos os eleitores sejam motivados pela esperança e não pelo ódio.

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